quinta-feira, 27 de março de 2008

Ponta de São Lourenço


Ponta de São Lourenço


Farol de Finisterra

Onde paquetes se escondem. Ao ver-te

Embalam-me saudades. Renasces

De labirínticas viagens nas brumas.


Ponta de São Lourenço! Quando

De estibordo te observo,

Meu coração inquieto, sorri de felicidade plena.

Regressos de amor total. Mas,

Se em sentido inverso, por ti passo

Mau presságio, ignoro-te! No meu camarote,

Prenuncios de balanços na Travessa, gotam rolam

Intermináveis. Embevecido, espero pelo próximo Verão

Para te tornar a ver.


Farol, onde veleiros anunciam chegadas

De velas alvas, gaivotas eternas companheiras

De escarpas, guardam a Senhora da Piedade,

Onde almas soluçam em rendados lenços

Brancos, acenando promessas

Aos que partiram.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Homenagem a Miss Elizabeth Leeson











A Viagem de Uma Navegadora Solitária
Photos from the book “Alone on a Crooked Mile” By Liz Lesson

Tinha acabado de chegar a mais carismática velejadora que a Madeira conheceu!
Estavamos em 1967, e apesar de eu ainda andar de calções, recordo-me claramente de ver Miss Elizabeth, sair pela manhã do iate, dar o seu passeio ou fazer compras. O seu longo porte, o seu passo sempre apressado, mantinha respeito quando nos seus “shorts” subia as escadas do cais. Ficava ainda mais fascinado por uma mulher conseguir atravessar o Atlântico completamente só, no seu pequeno iate “Wee Monarch”, desde St. Mawes na Cornualha, passar o Canal, chegar à Ile d’Yeu, depois a Vigo e, por fim iniciar a sua ultima etapa, a caminho da Madeira, após percorrer mais de 1,000 milhas. Agarrado ao corrimão verde, imaginando viajar para além do horizonte. E o risco azul do oceano, ficava já ali a uma quantas milhas.
Depois de décadas, após ler o livro que escreveu e me enviou, relatando as suas “histórias tragico-maritimas”, e sendo este ano as Comemorações dos 500 anos da Elevação da Cidade do Funchal, seria uma boa oportunidade para homenagear aquela que um dia desbravando oceanos, chegou a bom porto e, por aqui ficou, dando todo o seu saber. À edilidade Madeirense, seria um gesto de hospitalidade e carinho pela navegadora solitária mais famosa desta Ilha, que a troco de nada tudo deu, fazendo deste cantinho o seu lar.
God Bless Miss Elizabeth Leeson!