quarta-feira, 28 de maio de 2008

ZEPPELIN ÜBER MADEIRA INSEL - II

cromo de colecção sobre Zeppelin's em Portugal-CAM
Zeppelin - LZ 127 sobrevoando a Madeira
Cromo feito na Alemanha no início de 1930, com imagem do LZ 127 sobrevoando a Madeira.
Estes cromos eram colocados nas caixas de tabaco como brinde.


terça-feira, 27 de maio de 2008

EIN HERZ FUR KINDER

Ein Herz fur Kinder


Sonhei que estava na sala de aula!
Perguntava aos alunos, o que é dar? Porque não dar aquilo que temos, que “consumimos exageradamente” sem sentido? Por exemplo, vocês poderiam oferecer a um amigo, algo de ele precisasse e não tenha possibilidade de a ter… Então, meninos e meninas, começaram a levantar-se das cadeiras e a colocar em cima da secretária, lápis de cor que tinham a mais; canetas, borrachas etc.. E que tal se oferecessem a um menino pobre a vossa consola, o vosso portátil? E o silêncio reinou na sala! Um silêncio profundo, ofegante … e tudo não passou de um sonho de criança
!

domingo, 25 de maio de 2008

L' EMPEREUR CHARLES D'AUTRICHE ET HONGRIE A MADÈRE






















O IMPERADOR CARLOS DE AUSTRIA E HUNGRIA CHEGAM À MADEIRA
Em 25 de Fevereiro de 1922 a revista L'Illustration (Paris) faz uma reportagem sobre a chegada á Madeira da Familia Real Austro-Hungara. (Photos O.Perestrellos)
Na primeira foto, No porto da Pontinha os soberanos e seus filçhos no automóvel que os irá conduzir à sua residência no exílio. Na 2ª. à esquerda, O Imperador Carlos, desce a escadaria do vapor Avon, levando nos seus braços o pequeno Arquiduque Félix-Fréderic. À direita, o Principe herdeiro Othon, ajudado pelo Monsenhor Homem de Gouveia, que lhe dá a mão, abandona o vapor inglês para descer para uma pequena lancha

sábado, 17 de maio de 2008

O ADEUS A ZÉLIA

O ADEUS A ZÉLIA GATTAI
Acabo de receber a noticia de última hora, através da "Folha de São Paulo" do desaparecimento de Zélia Gattai, esposa de Jorge Amado. Aos 91 anos, desaparece uma amiga de longa data, que com carinho e amizade me escrevia e dava noticias "frescas"da Bahia. Ficam as suas cartas no meu coração e toda a obra de Zélia e Jorge autografadas pelos próprios e, uma longa conversa no Hotel Tivoli-Lisboa a alguns anos atrás, na minha memória. A MELHOR HOMENAGEM: lER A SUA OBRA! ATÉ SEMPRE ZÉLIA!

MAR DA TRAVESSA


fOTO ARQUIVO CAM
MAR DA TRAVESSA

O risco das hélices, dividem
O mundo em dois, a espuma
Rasga em branco, de um lado
Bombordo, do outro Estibordo no meu olhar.
Incansáveis gaivotas acompanham
A minha vastidão, o meu oceano
Quebrado de quando em vez, pela silhueta
Dum navio que passa e
- Trocamos adeus!

O tempo pára em cada vaga, bamboleando
Cava solavancos, rangem madeiras
Cadeiras no deck, espreguiçam-se
Ao Sol, piscam olhos nos teus
Olhos, delicio-me na amurada
Qual príncipe encantado, reencontra
O caminho do seu trono, Júpiter
Rei dos Mares de tridente armado!

Balança meu coração em ritmo
Compassado, Estibordo, Bombordo, sinto-me
Privilegiado deste azul. Na escotilha
O meu mundo é redondinho como tu és para mim.
O rasgo das hélices, dividem um caminho
De felicidade, nas minhas faces salgadas
Pela bruma. Como os antigos marinheiros
Observo o Ilhéu de Fora! Capitão de piratas, dono de gaivotas,
Rochas negras, solitárias! Anseio rochedos próximos
Tristes e abandonados, Ilhéus meus
Que vos abandonei há tanto tempo
Nas minhas cartas marítimas. Dai-me
Vossa concessão! Desfraldai velas
Minha Nau Catrineta, entre o céu e o mar
- Trocamos adeus!

Agora que sinto o burburinho, chamamento
- De Terra à Vista! Encontro-te sempre nova,
Sempre bela… Fragas da Penha de Aguia, Negrumes de Zarco
Verde urzes, vinháticos e funchos extasiantes,
Pontinhos brancos no vasto casario. Robustas
Bananeiras, porventura a mais formosa e a mais bela gelosia, o meu
Mundo à beira-mar
E trocamos adeus… continuamos a trocar adeus!
Infinitamente…

ROSALIA DE CASTRO 1837-85

Corre o vento, o río pasa; corren nubes, nubes corren
camiño da miña casa.

Miña casa, meu abrigo:
vanse todos, eu me quedo
sin compaña, nin amigo.

Eu me quedo contemprando
as laradas das casiñas
por quen vivo suspirando.

Ven a noite..., morre o día,
as campanas tocan lonxe
o tocar da Ave María.

Elas tocan pra que rece;
eu non rezo, que os saloucos,
afogándome parece
que por min tén que rezar.
Campanas de Bastabales,
cando vos oio tocar,
mórrome de soidades.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

VICKY BALLESTEROS

Um dia, estava numa esplanada junto ao Hotel Bahia de Vigo, a ler o jornal "Faro de Vigo" qundo após uma noite turbulenta de bombas, li a noticia de Victoria Ballesteros e, naquele preciso momento fiz este pequeno poema em sua homenagem 02.05.1984 - Vigo
Vicky Ballesteros
Chamabase Maria Victoria Ballesteros
é unha filla desta cidade xenerosa
Ten dezasete años! Unha flor ...
Regresaba á sua casa, e como todos los outros
son su familia. Vicky tamén tiene derecho a una familia
Era primeiro de Maio, e levaba un ronroneo de cantico en su boca.
Como milleiros de mociñas viguesas, cantaban felices.
Pero, catro torres crúzanselle, perto de Fátima!
Dixéronlle cousas baixas, ameaçaban e pedian para cantar:
- Canta el Cara el Sol!
- Canta con nosoutros, miserable!
- Canta el Cara el Sol, roja!
Vicky non lles quixo cantar...Ela non a sabia! Tampouco quixo tarareala....
Vicky non é cobarde!...
Chamabase Maria Victoria Ballesteros
E unha filla desta cidade xenerosa,
Ten dezasete anos. Unha flor...
Atoparon un corta ~unas e grabáronlle tres cruces gamadas,
e as siglas de Fuerza Nueva.
A Vicky habrían humillado! E ella lloraba.
Era Maio!
E igual que millóns de rapaciñas, hay sido torturada, cortada
por grupos de Fuerza Nueva, valentes, heroicos, orgullosos
da sua fazaña. Non poida haber máis que a imáxe de catro cobardes!
Chamabase Maria Victoria Ballesteros!
E unha filla desta cidade xenerosa.
Ten dezasete anos! Unha flor de viguesa!
Vicky en Primavera!
CAM-VIGO

quinta-feira, 8 de maio de 2008

O VINTE ESCUDOS NO RALLY DA MADEIRA


O 20$00 que participou no Rally da Madeira

Com a matrícula MD-20-00 recebeu logo a alcunha de “20$00” também a nota mais pequena de então. Decorria o ano de 1966. Mas foi o que se pode arranjar por 13.000$00 já que tinha de começar às 8 da manhã as aulas da Escola de Enfermagem, situada no Monte, e não podia gastar dinheiro. Era um pequeno Standard 8 cinzento escuro, do ano 1919, já em 5ª mão e que gastava uma média de 13 litros aos 100 km; a água no depósito fervia com facilidade se o esforço que lhe pedia era maior, e às vezes parava, pelo que tinha de abrir a capota lateral do motor e soprar no carburador que entupira. Nas descidas é que era uma beleza em ponto morto: corria por ali abaixo e só parava quando já não tinha “embalagem”.
Aconteceu então, num fim de semana: levou-me e a duas colegas até aos Prazeres, tranquilos e floridos onde desfrutamos horas despreocupadas na Natureza. O rádio só ligado de vez em quando. Mas deu para ouvir o aviso: pedia-se aos automobilistas para evitarem a estrada que dali levava ao Funchal, e em caso de o fazerem, encostarem à direita para não dificultar a passagem dos carros do Rally. O Rally! Era verdade! Iniciamos logo o regresso, e lentamente seguindo as indicações difundidas.
E, de repente, vejo na berma de estrada um controlador que à nossa passagem com energia adeja verticalmente uma bandeira. Estavamos no Rally! Ele ainda olhou um tanto atrapalhado procurando algum número identificativo no meu carrinho, mas tranquilizei-o mostrando com a mão aberta o nº 5. Participavamos na prova! E dali para a frente!
Até que chegamos ao cimo da Ribeira Brava e aquela descida apetecia mesmo. Ponto morto, e começou a corrida por ali abaixo… Eramos o primeiro carro!
“ Lá vem eles!” Deu para ver: o administrador do hospital que percebera o engano, sorria mas gritava e apoiava-nos batendo palmas. “Lá vem eles!” E o “povo” contagiado, de um lado e do outro da estrada, batia palmas enquanto o meu carrinho corria ligeiro no meio daquela gente. Eu, entretanto, qual rainha da Inglaterra, acenava elegantemente agradecendo as saudações.
No fim da vila, é que aquela velocidade terminou e tive de meter a 1ª para continuar a viagem, lentamente até ao Funchal. Mas ninguém deu por isso….

Yolanda Corsépius
Pedi à minha Amiga Yolanda Corsépius que escrevesse esta história para incluí-la neste blog, para que ficasse para a posteridade esta façanha do "nosso famoso rally da Madeira"! Soberba!

domingo, 4 de maio de 2008

MY EX-LIBRIS


O meu ex-libris
Pegasus - O cavalo alado, o simbolo familiar do clã Monteiro
O veleiro - A paixão pelo mar. A magia da insularidade onde se chega e onde se parte

O CHAMAMENTO DAS ILHAS

NAS ROTAS DE UM BISAVÔ de Yolanda Corsépius
Neste livro, a autora segue a vida deste seu bisavô não só na cidade da Horta de então, onde ele nasceu no séc.XIX, como acompanha-o no pequeno lugre-barca que capitaneava percorrendo os mares até aos EUA e a Europa, levando, entre outras coisas, o óleo das baleias caçadas nos mares dos Açores e as laranjas dos pomares do Faial, encontrando tempestades, náufragos, e até famintos, mas talvez fazendo também alguns amigos em terras distantes.
Assim a bisneta, muitos anos depois, quis conhecer por onde o bisavô tinha andado e, durante alguns anos, visitou algumas desses cidades e portos procurando reviver o ambiente por ele vivido. Depois reuniu-o num livro ilustrado com fotografias.

Pode encontrá-lo na Loja do Museu de Marinha e na Feira do Livro em Algés ou através de contacto com este blog
A minha amiga Yolanda Corsépius é natural do Faial. Percorreu os quatro cantos do mundo, formou-se em Enfermagem, especializou-se em Pediatria nos EUA e em Saúde Pública em São Paulo. Entre muitas funções chefiou os Serviços de Enfermagem do Programa Materno Infantil na Madeira, por grande coincidência eu também trabalharia no mesmo local vários anos depois, no Edifício de Santa Clara, Funchal.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

FUNCHAL 500 ANOS DA CIDADE

REGRESSO À MINHA CIDADE

Riscam ondas de espuma

Brancas, imaculadas.

Na amurada do deck

Sinto o brilho da imensidão

A felicidade, gratidão.

Rasgando o oceano, caminho

Direito aos teus braços.

Na tristeza dos meus olhos

Encantam confiantes sonhos.

Ah! Minha bela amada

Diva de contos de fadas,

Em breve ver-te-ei

Na longa curva do horizonte.

Estarás no cais acenando

Lenços brancos de paz.

E quando te avistar

Na imensa multidão, tua

Silhueta esguia e pequenina,

Serás a minha Nefertite!

Cruzo o portaló, desço a longa

Escadaria e, agarro-me ao teu pescoço.

E das minhas palavras sairão monossilábicos

Beijos, longas emoções. Olhas-me e dir-me-ás

Que estou crescido! Não conseguirei acompanhar

Teus pensamentos, empíricos

Sermões. Na minha pequenez

Sentirei o teu carinho, amar-te-ei

Como se fosses minha, e eu o teu Arcanjo Gabriel

Que tanto ansiavas e nunca tiveste!

Agora que estou nos teus braços,

Parem os relógios, átomos

Do mundo, supliquem, eternos altares, donos do firmamento

Mas parem o tempo! Para que este precioso

Momento, fique eterno em nós!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A ANDORINHA E O VELHO MARINHEIRO (Texto integral)

A ANDORINHA E O VELHO MARINHEIRO
OU UMA HISTÓRIA DE SOLIDÃO
Ele era ainda um jovem quando perdeu a sua amada num dia de tempestade. A sua companheira deixou-o, e com a sua separação, passou a sentir a solidão atormentar-lhe o horizonte, o seu passado e o seu futuro, como negras nuvens anunciadoras de mau tempo. Nunca mais se redimiu desse facto, à medida que os anos foram passando. A sua fisionomia descolorida, acompanhava os sonhos do velho marinheiro. As rugas eram riscos, ondas, temporais na sua face dorida.

Na cabana à beira-mar, os dias permaneciam infinitos, iguais, como um eterno deserto. O silêncio doía, e era quebrado de quando em vez pelas ondas batendo nas rochas, o guinchar das gaivotas ou o vento nas noites de temporal bramindo com violência. Quando o tempo o permitia, deitava as redes, em busca de algo que comer ou partilhar. Eram nesses dias de calmaria, que sentado na sua velha cadeira de baloiço, passava as tardes! Um casal de andorinhas desafiavam-no, rodopiavam sobre a sua cabeça. Já tinha notado a sua chegada, a sua azáfama na construção do ninho. O velho marujo seguia-as atentamente, o cuidado na construção mesmo junto ao beiral. Pensava, taciturno, como eram felizes na sua liberdade, e sentia-se também ele satisfeito pelo seu velho casebre ter sido o privilegiado. Alegrava-lhe o coração, o facto de todas as Primaveras tê-las como vizinhas. Eram um bom presságio de chegada da Primavera. Faziam-no lembrar crianças a brincar na praia! Nessas longas tardes estivais, espreguiçava-se na velha cadeira, e sonhava, relembrando as imagens felizes da sua amada.


À medida que o tempo se estendia, as suas longas barbas brancas envelheciam, assemelhando-se a ondas de espuma deslizando no longo areal. À memória desvanecida, por vezes recuperava momentos de ternura. Mas era quando o tempo se tornava mais quente, que se lhe notava maior confiança, maior vontade viver. Sabia que estava para breve, a chegada das suas velhas amigas. Com a mão sob os olhos, tentava encontrar no horizonte a presença das aves migradoras. Quando esse dia chegava, aproximava-se do ninho como que a dar as boas-vindas.

Então certo ano, notou algo diferente! Não havia a mesma algazarra de outrora. Espreitou o velho ninho deixado de outras épocas, mas em vez de um casal de andorinhas, somente uma se recolhia no espaço côncavo. Era possível que uma delas, tivesse sucumbido na travessia continental. Sentiu que como ele, a andorinha tinha ficado orfã do seu companheiro. Apesar do desaire, não deixava de voar milhares de quilómetros para regressar ao seu lar. O velho marinheiro, sentia-se mais solidário, por ter com quem partilhar a solidão do seu pequeno mundo. Com a chegada da Primavera, renascia este inseparável amor!