domingo, 30 de novembro de 2008

A PESCA À BALEIA - em 1964







4 fotos do fotógrafo Alex Zino, retiradas do livro "Madeira" de Frederic P. Marjay, retratando a então caça à baleia na costa da Madeira na década de 1960.

domingo, 16 de novembro de 2008

UM GALO DO TRAPICHE OU A VERDADEIRA ALMA MADEIRENSE

UM GALO DO TRAPICHE OU A VERDADEIRA ALMA MADEIRENSE

Estávamos na semana de Natal!
Maria levantou-se noite cerrada! Só as estrelas a faziam sonhar, quando decidiu ir ao Funchal entregar uma encomenda prometida. O dinheiro não abundava, e achou que a melhor alternativa era ir a pé e voltar no horário da tarde. Tirou os sapatos para não estragar o calçado nem doer os pés, iniciou a caminhada, descendo veredas, encurtando caminho. Depois sentiu a estrada de alcatrão, o Caminho da Chamorra, passou a Igreja de Santo António, atravessou a Ribeira, cruzou os Álamos, como uma bússola indicando o Norte, seguiu o Caminho da Achada, desceu a velha Calçada do Pico.
Seriam 7 da manhã quando ininterruptamente tocou à campainha. Abri os tapa sois da janela e perguntei o que queria… Disse-me que abrisse a porta, pois tinha uma encomenda para entregar! Contrariado e resmungando pela hora madrugadora, desci as escadas e abri a porta.
- Tão cedo?
Maria, colocou a cesta de vime que trazia à cabeça no passeio da rua. Depois uma pequena toalha branca deixou a descoberto uma variedade de abóboras, pimpinelas e batatas-doce. Por fim, entrega-me um galo vivo de penas reluzentes e crista rubra. Fico estupefacto! Nem acredito… Um galo? Sim... É para o seu dia de Natal! Agradeci-lhe! De pijama, galo debaixo do braço fui à cozinha, incrédulo, sem saber o que fazer com tamanha surpresa. Olhei os vegetais, olhei o galo que me fitava com aquele inclinar de galináceo, atónito naquele lar desconhecido. Lá fui prende-lo no quintal e voltei para o quente dos lençóis.
Inacreditável! Se contar no serviço o que me aconteceu naquela manhã, possivelmente diriam que teria abusado na noite anterior, de alguma bebida mais “carregada”.
Durante muito tempo, ficou-me na lembrança de Maria! Teria sessentas e tais, veio do Trapiche, pela madrugada, descalça, até quase à cidade para me entregar um galo. Possivelmente nem canja teria no Natal, mas privou-se do que tinha de melhor, do trabalho do seu esforço, porque tinha prometido. E promessa é para cumprir!
Por vezes dou comigo, imaginando o sofrimento daquela mulher, a que não dei a devida atenção. Caminhou quilómetros sem fim até à minha casa, privando-se naquela Natal do seu melhor. Sinto tristeza de não lhe correspondido ao seu verdadeiro valor, o valor da sua bela alma de madeirense, da partilha e do afecto. Recebi de uma humilde mulher de pés gretados pelo esforço do trabalho no campo, a melhor oferta de amor e lição de vida.

À Marta Caires

sábado, 15 de novembro de 2008

IL TAGO È IL PIU BEL FIUME...

Sunset in Tagus - Photo CAM 13.11.2008

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,

A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.

Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde vai

E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Nunca ninguém pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

Il Tago è il più bel fiume che attraversa il mio paese,

Ma il Tago, non è il più bel fiume che attraversa il mio paese

Perché non il fiume Tago, che scorre attraverso il mio villaggio.

Il Tago, ha grandi navi

Ed è ancora la navigazione,

Per chi vede in tutto ciò che non c'è,

La memoria delle navi.

Il Tago scende dalla Spagna

E il fiume Tago entra in mare in Portogallo.

Tutti sanno che.

Ma pochi sanno qual è il fiume del mio villaggio

E dove andare

E dove proviene.

E così, perché appartiene a un minor numero di persone,

È gratuito e il più grande fiume del mio villaggio.

Il Tago, andando per il mondo.

In aggiunta alle Tago, vi è l'America's

E la fortuna di quelli che sono.

Nessuno mai pensato che, oltre a Il fiume del mio villaggio.

Il fiume del mio villaggio non pensare a nulla.

Chi è accanto a lui è accanto a lui.

Per te Ilaria, de Lisbona de Fernando Pessoa

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

MY LAST PHOTO OF QE2 IN FUNCHAL

To remember: My last QE2 photo in Funchal pier. Never more will be the same...
Photo CAM-Funchal

THE QUEEN IN LISBON




O ADEUS QE 2 - FROM LISBON WITH LOVE


Lisbon, 6:00 PM - The departing of Queen Elizabeth 2. The last call in Lisbon, the end of this beautiful cruise ship.
Photos CAM - 13.11.2008 at 18:00 PM - Lisbon

QUEEN ELIZABETH 2 - DESPEDIDA DE LISBOA





13 de Novembro de 2008, foi a despedida do navio Queen Elizabeth 2.
Após 39 anos, este belo navio de cruzeiros chegou pelas 9 horas a Lisboa. O Sol brilhou logo pela manhã bem cedo, a dar as boas vindas. Não mais veremos este navio pelos portos da Europa. E seriam tantas as boas recordações de tempos idos, passados a fotografar navios e detalhes maritimos.
Fotos - CAM - 13.11.2008 Lisboa

terça-feira, 4 de novembro de 2008

CABO GIRÃO - A Sombra de James Dean

Cabo Girão - Madeira
CABO GIRÃO – A Sombra de James Dean

Se existiu estrela de Hollywood que melhor identifique a minha personalidade, sem dúvida que James Dean seria o eleito. Rebelde, incompreendido, inconstante…


Pelas curvas do Cabo Girão
Estrelas brilham na noite. De um lado
O negrume das verdes bananeiras,
do outro, íngremes rochedos escorrem até ao mar.
Pirilampos piscam no horizonte imenso,
pescadores com suas lanternas, lutam contra peixes espadas.
E o branco Cadillac contorna a velha estrada,
Conduzido por Steve McQueen
teu cabelo ao vento lembra Grace Kelly, eu James Dean
juntos cantamos West Side Story …

I like to be in America!
O.K. by me in America!
Ev'rything free in America
For a small fee in America!

e este momento, eterno silêncio, no velho promontório
tão vago e mágico, flash instantâneo
devaneio, ofereço-te uma estrela cadente
na palma da minha mão…

I like to be in America!
O.K. by me in America!
Ev'rything free in America
For a small fee in America!
C.A.M.