quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

UM NOVO BLOG SOBRE NAVIOS

Com o intuito de mostrar alguns artigos sobre a temática da navegação maritima, decidi criar um novo blog que separe os temas de que tenho predilecção. Assim, depois de ÁGUA DE PENA - com temas relacionados com Machico, COLLECTING TAP - a navegação aérea em destaque, bem como o coleccionismo sempre presente em todos os blogs da minha autoria, o presente LOO ROCK - dedicado à Madeira, surge agora CAIS REGIONAL - com muitas fotos sobre navios e o mar.

Welcome aboard!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

"INDEPENDÊNCIA" EM LISBOA




Fotos CAM
O catamarã "Independência" chegou a Lisboa! Vindo do Funchal, após ter sido vendido a uma empresa de Setúbal, o navio que durante décadas fez a rota Funchal-Porto Santo muda de rumo. Esta manhã ainda conservava o registo do Funchal, FN-233-TL bem como as cores da Região, seguindo agora para restauro em direcção ao estaleiro no Seixal, após o que rumará ao Sado.


terça-feira, 23 de dezembro de 2008

NAVIO LAKONIA - 45 ANOS DEPOIS



Le bateau a brulé tout la nuit. a L'aube il ne reste plus que quelques hommes terrifiés
Nesta foto da revista francesa Paris-Match, pode ver-se um passageiro na escada do navio, tentando atirar-se à água. Situação de desespero que levaram muitas vítimas a situações dramáticas.

45 years before - The ship Lakonia (Greek Line)
A Day to remember at Madeira Island
Faz hoje 45 anos! Era véspera de Natal, quando as sirenes dos bombeiros dispararam sem cessar! Pelas ruas do Funchal, a noticia espalhava-se de boca em boca. O Lakonia estava a afundar-se... Com os ecos do desastre, os madeirenses solidarizaram-se com o acontecimento daquele que durante duas décadas seria o maior desastre que atingia a Madeira. Só comparado ao desastre do avião da TAP duas décadas depois. Muitos anos depois contactei alguns sobreviventes deste naufrágio. A lista de passageiros é ainda hoje dificil de obter, após vários contactos com os EUA, e por ter amigos a bordo. Foi dramática a cena de pessoas que chegaram ao ponto de querer atirar-se ao mar, no cais da cidade, em desespero e por quererem de todas as maneiras possíveis chegar perto dos passageiros. Nem todos estariam em trânsito no cruzeiro, haviam excepções de turistas que escolheram a quadra natalícia para ficarem a época de Inverno na Ilha.

sábado, 20 de dezembro de 2008

MERRY CHRISTMAS, MR. LAWRENCE

ENTARDECER JUNTO A LOO ROCK E A PONTINHA - FOTO CAM

Nostálgico o entardecer com uma restia de Sol no horizonte, onvindo Merry Christmas, Mr Lawrence e o génio de Ryuichi Sakamoto. Imperdível para quem gosta de música...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

L' ETOILE FILANTE

A ESTRELA DA MANHÃ
OU
STELLA MATUTINA
Teria os meus cinco anos quando recebi de presente "Les Contes de l'Etoile Filante, des Compagnons de Notre Dame de l' Etoile, com texto e ilustrações maravilhosas de Marylis. Ainda o tenho com muito carinho ao longo de quase meio século. Quando o folheio revejo a história vezes sem conta, mas também me revejo com 5 anos maravilhado com as belissimas aguarelas que o ilustram. Nesta época natalícia é sem dúvida um belo presente de Natal para miudos e graudos. Descubram-no talvez na Livraria Esperança e irão conservá-lo para sempre.


OSAKA

OSAKA? Tadinho!...

Não quero saber de nada!
Que me interessa Monsier Lapin
No Parlamento, de Big-Ben ?
Se o poeta Alegre se exilou em Águeda,
se o José Trocas foi passar o Natal a Vilar de Maçada?
Para mim não adianta nada!...
Se o Bush leva com um sapato na tola,
Marca Campeão Português,
Se o Sarkozy tem cara de santola?
Não quero saber de nada! Só quero ir para Osaka!...
Deixar o Jardim Gonçalves (ai se a D. Bernardete fosse viva?...)
governar-se com um salário mínimo nas Bahamas,
O Alberto João fazer um tratamento de fedigoses, pouco me interessa…
Se o Nasdaq se afundou? Não tenho acções em N.Y.,
Se a Fiat vai fechar? Não tenho carro dessa marca…
Eu só quero é ir para Osaka!

Não adianta berrares,
Dizendo que não te posso abandonar com uma ranchada de filhos,
Lembra-te do Caetano Veloso da Ilha do Fogo com 45 para sustentar…
Não! Não é seu Caetano da Bahia esse só canta pra não chorar!
Pensa na telenovela,
Em Osaka não tem baboseira brasileira.
E depois vou deixar de ver TV,
Desligar a SIC, a Euronews a BBC… quero lá saber!
Só quero ver a minha Yokushi,
Tenho tantas saudades dela!
Comer sushi todo o dia e sonhar em Osaka.

O qué? Não sabes onde fica Osaka? No Japão!... (nunca sabes nada!)
O quê? Só tem chineses? Em Osaka? Não acredito!
Mas tu chamas chinês
A tudo o que seja do Oriente…
O que eu quero mesmo é largar este quintal
que se chama Portugal
Amarrado ao vizinho do lado, sem futuro, danado.

Não adianta nada dizeres para ficar calado,
Que não sabes o que digo que despejei o Ballantines…
Só quero ir para Osaka, só penso nela,
Amanhã vou para à Portela
Compro uns pasteis de nata em Belém ,
Apanho um jacto da Japan Air directo a Kansai !
Quero lá saber da greve dos professores,
farto da Segurança Social
Dos chefes de aviário à nora,
o que eu quero é arejar a tola,
Descobrir a Yokushi a meu lado e tudo o resto é fado… em Osaka!
E dizes tu que estou “apanhado da bola”?
Sussuras-me ao ouvido baixinho :
- Osaka? Tadinho….

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

DEIXEI MEU SAPATINHO...

Igualzinho a este...

PRESENTE DE PAPAI NOEL

Era véspera de Natal!
Noite dentro, pestana caída e eu ansiando o Pai Natal. Lá para os lados da cozinha, grande rebuliço. Seria o Pai Natal? É certo que deixei uma sandália velha junto ao fogão a lenha! Mas, seria o Pai Natal? Minha mãe cantarolava canções doces do Brasil. Penso que ainda diria Papai Noel e embalava modinhas à hora de dormir. Cecília disse em voz alta, mas sem abrir o jogo:
- Parece que ouvi barulho na cozinha! Será o Pai Natal? E eu sem saber o que fazer, sem ganhar coragem para averiguar a situação, esclarecer aquela angústia.
Então, levantei-me e fui espreitar… no velho fogão, junto à sandália velha estavam vários embrulhos! Seriam todos para mim? Mas eu era a única criança naquela casa, só eu tinha colocado um sapato na chaminé! Comecei a desembrulhar os presentes, um peluche, aquele enorme hidrovião inglês, o pijama estampado com bonecos e ursinhos, e aquela camioneta de folha que eu tinha visto numa banca do mercado. De cor bordeaux, quis logo experimentar, mas por ironia prendi um dedo numa das janelas. Nem sei como, nas começou a inchar e ninguém conseguia resolver a situação. Deitaram água com sabão, mas o dedo cada vez pior, e eu com a camioneta pendurada, desesperava com dores. Por fim, a minha mãe embrulhou-me num xaile e ao colo, fui a caminho da Cruz Vermelha. Do Pombal até lá não era muito, mas eu já pesava! Cecília numa aflição dizia para ter calma que o doutor já resolvia tudo. Subimos a escadaria do velho casarão! Na primeira sala a enfermeira Lurdes (amiga de muitos anos), agarrou numa tesoura, cortou com cuidado a janela de folha flandres, e o meu dedo ganhou vida. Depois foi o bom e o bonito, quando atiraram a camioneta para o balde do lixo. Um presente do Pai Natal!... Quero o meu carro! Quero o meu carro! E soluçando, enrolado no xaile a caminho da Rua do Pombal, lá fui eu triste com semelhante tragédia no dia de Natal.

Ainda consigo ouvir a minha mãe cantando baixinho ao meu ouvido, a velha canção de Papai Noel:

Deixei meu sapatinho, na janela do quintal.
Papai Noel deixou, meu presente de Natal.
Como é que Papai Noel, não se esquece de ninguém.
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem.
Seja rico ou seja pobre, o velhinho sempre vem.

LIVRO "COMBOIO COM ASAS"

LANÇAMENTO DO LIVRO "COMBOIO COM ASAS"


Segundo informação do "Diário de Noticias" do Funchal de hoje, está agendado o lançamento do livro "Comboio com Asas" - uma antologia de 31 contos de uma selecção de António Fournier, para a próxima 3ª. feira dia 23, pelas 19 horas, na antiga Oficina da Estação Central do Pombal (início da Rua do Comboio).

Para o amigo António Fournier, votos de muito sucesso em mais este projecto englobado nas Comemorações dos 500 anos da Cidade do Funchal.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A MONTRA DA MAISON BLANCHE


Os Matchbox da Maison Blanche

Nesta altura do ano, os adultos evitavam certas ruas ou melhor certas montras na cidade. Sabiam que não havia paciência para o “berreiro” da criançada que na pior das hipóteses eram ameaçadas de uns tabefes ou umas palmadas bem assentes no traseiro.
A evitar? Bem a evitar mesmo eram o Bazar do Povo! Com a sua montra principal cheias das últimas novidades de comboios; palhaços que faziam malabarismos; pistas de carros de corrida Scarlex, os eternos peluches ou as bonecas mais inteligentes da época. Depois havia a Papelaria Condessa; a Papelaria do Colégio, ou a Maison Blanche e, para os mais pobrezinhos a Exposição Alemã, a Casa Talassa ou a banca do mercado. De todas, a Maison Blanche era a minha paixão! Ficava colado à montra, embasbacado com a imensidão de carrinhos da marca inglesa Matchbox. Por cima de cada caixa de cartão correspondia o modelo de determinada marca. Olhava para os Mercedes Cabriolet e, tinha imensa dificuldade em escolher o meu preferido. Os olhos brilhavam de encanto perante as ameaças dos crescidos, com constantes frases do tipo: - Vou deixar-te sozinho na rua…vou-me embora… ficas aqui e vem um velho e leva-te… etc., etc…
- Mas qual quê? Não adiantavam as chantagens, ameaças ou esconder-se nos recantos de outras lojas! O que eu queria era aquele carro! Aquele ali!? Não estás a ver? E apontávamos a montra estrategicamente colocada mais baixa para que as crianças pudessem ver “in loco” as últimas novidades da Europa rica e fazer tremer as carteiras das mamãs madeirenses que com todo o seu carinho tentavam devolver um pouco de sonho na figura do Pai Natal.
A minha pessoa, muita palmada levou à custa da montra da Maison Blanche, muito berreiro e lágrima gorda, mas aqueles Mercedes Cabriolet, valia a pena tanto esforço lá isso valia!...

sábado, 13 de dezembro de 2008

LIVRO SOBRE MAX RÖMER




Vida e obra de Max Römer em livro
A 17 de Dezembro próximo, será a data do lançamento do livro dedicado a este pintor alemão que residiu na Madeira no século passado, que pintou e deu a conhecer esta ilha como poucos. O ex-Liceu do Funchal será palco pelas 12 horas deste acontecimento, a quem os madeirenses se deviam associar. Congratulo-me com o trabalho desenvolvido pelos amigos Rui Camacho, (pesquisa fotográfica) e textos de Maria Teresa Brazão, Rui Carita e Eberhard Axel Wilhelm grande estudioso da causa madeirense. Neste blog, por várias vezes fiz referência ao pintor em pequenos artigos com imagens dos seus inúmeros trabalhos.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A TV DA RUA DOS NETOS

Em meados dos anos 60’, para vermos televisão na Madeira só tínhamos duas opções: ou vivíamos perto do Santo da Serra, e conseguíamos “descobrir” algumas imagens no écran da televisão portuguesa) ou tínhamos a outra opção mais acessível na Costa Sul, da TVE-Canárias. A própria rádio era uma miragem! A Emissora Nacional chegava com alguns “engasgos” na transmissão, e para a grande maioria da população, restava a alternativa do Posto Emissor do Funchal, a "Emissora do Cambado" com os seus discos pedidos.

Teria os meus seis ou sete anos, quando comecei a ficar hipnotizado pela magia da televisão! Assim que me escapulia das aulas pelas cinco e meia da tarde, era uma correria até à Rua dos Netos, junto a um stand de automóveis da Ford, onde uma pequena loja de electrodomésticos tinha por costume exibir na sua montra, um aparelho de TV. Era a hora dos programas infantis da televisão espanhola e como ponto máximo da emissão, exibiam desenhos animados com pequenos filmes do Walt Disney e em especial, os meus preferidos do Bugs Bunny com as patifarias do Perna-Longa, o coelho mais endiabrado do mundo.
A criançada ficava “amarrada” à montra até terminar o filme ou o dono da loja sentir-se demasiado incomodado e desligar o pequeno ecran. Só muitos anos depois, tive a oportunidade de ter um aparelho na minha casa, mas nada que se compare aos momentos mágicos da TV na Rua dos Netos.

sábado, 6 de dezembro de 2008

A CIDADE EM 1890

Foto da Cidade do Funchal em 1890. Repare-se que ainda não existia a Estrada da Pontinha, a longa muralha que circundava a Cidade, ou os edificios que existiam na época e ainda se mantém.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

SONHO RARO

SONHO RARO




Um afeto arrojado e belo nasceu,
Edificado em horas de ternura,
Sublimado lentamente, floresceu,
Lembrava imagem de pura ventura.
Tudo ao seu redor era conspiração,
Pairavam imponentes belos sonhos,
Translúcido ideal como benção,
Coroava sentimentos risonhos.

Mas... nunca vencemos os embaraços;
Calamos os sentidos e os desejos,
Pois nossas vidas não comportam laços.
Mas, sinto tua presença nos ensejos,
Procuro em vão esquecer teus abraços,
E a sofreguidão dos nossos beijos.


Ângela Maria Crespo