sábado, 28 de fevereiro de 2009

O ANTIGO LIDO




O antigo complexo balnear do Lido que posteriormente veio a ser transformado no actual.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

CONTEMPLANDO A PENHA

Contemplando a Penha de Águia! Haverá panorama mais bonito? Maravilhosa foto tirada em 1870

domingo, 22 de fevereiro de 2009

AZALEAS

Agora que a temperatura começa a subir, que estou curioso em saber a cor das minhas "orquídeas madeirensis" após sete anos de jejum, a natureza tem destas coisas, foi preciso um Inverno mais frio para fazer florir as orquídeas. Darwin não ficaria mais feliz!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade


Quando me perguntaste o que eu queria da Madeira, eu disse traz-me uma pedra. Uma pedra basta para para mim! E lembrei-me de Carlos Drummond... Quando te fui buscar ao aeroporto, apertaste a minha mão e, colocaste uma pedra. Toma! Não foi de Água de Pena, não foi do Monte, mas do Curral das Freiras! Fiquei emocionado, como uma criança de sete anos não se esqueceu de mim. Guardei-a e agora que tens vinte anos, mostrei-te como uma pedra lunar do Armstrong, uma simples pedra, uma pedrinha vermelha. O poder de uma simples pedra guardada como um ícone, um simbolo, um singelo objecto de amor de filho e pai. Agora quando fores ver a avó, se me perguntares o que que queres que traga da Madeira, dir-te-ei... traz-me uma pedra vermelha ... uma simples pedra de Água de Pena, do Monte ou do Curral para fazer companhia à outra!...
Afinal, no meio do caminho tinha uma pedra...

FASCINAÇÃO

Nascimento de Venus- Botticelli
Teria dois, três anos e passava o tempo acariciando os teus loiros caracóis. Depois, ficava fascinado com as sardas do teu rosto e o porquê daquelas pintinhas minúsculas, como se pontilhasse com uma caneta de feltro castanha, as mãos, os braços. Dizias-me que descendias de famílias escocesas, que tinham um castelo em Stobhall pertença do Clan Drummond. E eu imaginava a Escócia longe, muito longe, inacessível no tempo. Depois fui crescendo, e com a altura da minha juventude, prevalecia o mesmo fascínio, a mesma tonalidade a puxar para um castanho claro torrado, e sempre as sardas do teu rosto brilhando na janela da minha vida. Contavas segredos do Capitão Kidd, passados de geração em geração, caravelas, veleiros vindos das terras de Sua Majestade. Mas a Escócia não era inglesa, como referenciavas. E como chegaste à Madeira? Como chegaram os antepassados em veleiros de muitos mastros, muitas semanas de viagem, tormentos das vagas, tempestades, naufrágios? E respondias que as sardas eram pontinhos, que equivaliam aos dias no mar alto, aos tormentos das vagas, ao encantamento da vida. Para mim, era incompreensível, mas continuava apaixonado pelo teu cabelo de ondas suaves ao Sol. Com a tua morte, veio à minha memória o mesmo sorriso saído dum quadro de Botticelli. Tantos anos depois, quando passo por alguém que tenha o teu perfil, sinto de repente que és tu pela cor do teu cabelo, como uma obsessão ou será fascinação ???

domingo, 15 de fevereiro de 2009

BEAUTIFUL LOO ROCK

Loo Rock e os veleiros na Baia do Funchal. Veja-se a "popular" Ilha dos Amores no centro da imagem.

LOO ROCK - EM 1890

Loo Rock
Forte de Nª. Senhora da Conceição e Forte de S. José, nos finais do Séc. XIX

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O ALFAIATE DA CARREIRA

Guache sobre cartão - Col. CAM
UM FATO PARA UMA HORA

No início da década de 70, alguém lá em casa decidiu que era altura de eu ter um fato! Confesso que fiquei assustado com essa decisão, mas perante tanta insistência, que remédio senão ceder.
Assim, comecei a ir regularmente à alfaiataria que ficava no início da Rua da Carreira, mesma defronte dos Vicentes Photographos. O senhor, diziam ser dos melhores senão o melhor da cidade. Figura esguia com cerca de 2 metros, era de uma precisão irritante. Colocava-me em cima de um banco para melhor tirar medidas, anotar, etiquetar de mil ângulos. Com um giz, riscava o tecido, colocava alfinetes sem fim e, eu já farto com aquele sofrimento de ter de descolar-me com alguma periodicidade mecânica.
Para evitar o pânico da hora de calor, passava pelas 9 horas e depois seguia para o cais onde remoía todo o resto da manhã, a infeliz ideia do fato. O que eu queria era mesmo umas calças de ganga e camisolas coloridas para melhor suportar os dias quentes de Verão. Por fim com o terminar das férias escolares, adivinhava-se borrasca…
Primeiro foi não conseguir no final de Setembro viagem no navio Funchal, nem em qualquer navio da Insulana. Previam-se outras opções como viajar de avião, seguir num dos navios da carreira de África, o que não me agradava mesmo nada. A muito custo consegui um beliche no paquete “Príncipe Perfeito”, rumo a Lisboa. Três meses, tinha sido o prazo da execução do fato. Depois, fui obrigado a posar para a família, cirandando pela sala para ver se o fato “caía bem” ou continha defeitos. O único problema era imaginar-me de fato, que pesava chumbo, calça e casaco que nem empregado bancário, camisa a apertar o pescoço e aquela sensação de falta de ar, que culminava com um laço igual aos empregados do Sunny-Bar. Era demais…
No dia da partida, logo pela manhã houve festival em casa. Depois de ameaças e tentativas de fugas, conseguiram chamar um táxi da praça do Largo das Cruzes, e seguir a caminho da Pontinha. Para cúmulo, teria de viajar com duas tias que moravam na Cabouqueira, qual delas saído dum filme do Manuel de Oliveira. Embora fossem ricas, usavam trajes do Século XIX , e logo no cais ao avistarem-me fizeram uma festa de ficar ao rubro, com tantos elogios.
- Assim sim, parece um homenzinho!!! Uff! Que sofrimento…
Despedi-me dos familiares e rumei rapidamente ao meu camarote. Despi o fato e toda a tralha de trazia vestido para o momento. Vesti as calças de ganga, uma t-shirt e rumei ao deck para as despedidas finais. No cais, estupefacta os familiares faziam sinais, perguntando-me onde estava o fato??? Respondia que tinha guardado na mala… para mais tarde, coisa que nunca aconteceu. Mal cheguei a Lisboa, tratei logo de oferecer o fato a um primo, que embasbacado nem queria acreditar que lhe estava a oferecer tão luxuosa indumentária. Ficamos os dois felizes, um por não ter de vestir e outro por ter de oferta o dito fato. Ainda hoje quando passa por mim, o meu primo Aurélio pergunta-me:
- Oh Carlos Alberto, por acaso não tens um fato para mim??? Respondo de imediato, quando tiver podes ter a certeza que te oferecerei um novinho em folha…