quinta-feira, 26 de março de 2009

CECI

Acabei de receber um telefonema teu! Um telefonema com 40 anos!
Ceci, a menina da minha infância estava do outro lado. Fez-me recuar 40 anos, uma vida!
Foi como consultar a base de dados no nosso cérebro, visualizar as fotos dos nossos albuns da nossa vida.
Mas 40 anos é uma eternidade! Seguimos as nossas, muitas vezes paralelas, quase unidas! As mesmas ruas, as mesmas praças, espaços comuns e inexplicavelmente sem nos contactarmos por nada sabermos um do outro. Ceci, tem uma excelente memória. Os meus primeiros passos, os mimos que me presenteava. E eu nunca a esqueci... o ser humano nunca esquece quem o ama. E sempre esta longa ausência entre nós, estes 40 anos! Este meu/nosso desejo de nos expormos, de dialogarmos, de falarmos de nós como um todo. O impensável surge no teu telefonema, surge quase já sem referências tão longo foi o tempo. Nas tuas palavras continuo a imaginar-te a minha Ceci, a menina de 10 anos que nunca cresceu neste período de 40. Afinal só mudamos de casa, continuei perto de ti.

Acabei de receber um telefonema teu! Um telefonema com 40 anos!
E a tua primeira frase, foi perguntares:
- Onde estás?
Como se estivessemos sempre unidos nestes 40 longos anos... ATÉ JÁ!...

PARA A MINHA AMIGA, ETERNA NAMORADA NA MINHA VIDA, CECíLIA

domingo, 22 de março de 2009

PRIMAVERA É DAS FLORES




Após um Inverno um pouco mais frio do que o normal, dos ventos fortes e quentes vindos de Leste das últimas semanas, eis as orquídeas na minha varanda em início de Primavera.

sábado, 21 de março de 2009

ALMIRANTE REIS

Foto aérea da zona do Almirante Reis, do lado direito o Liceu do Funchal. Junto à praia as antigas instalações da lota e do Arsenal.

AUTRE FOIS PRINTEMPS

Quinta das Cruzes - Orquídeas - (sapatinhos)

SOLANGE
Je sais que ton sable, ton océane
Ce le même.
Notre Atlantique,
En Flandres s’en va de Trenet « La Mer »
Je sais
Prés le Hiver il e la, Printemps autre fois
Dans tes yeux bleus, les iles des Azores,
Au jardin votre chat dorme puis songe
La vie est demain.

quarta-feira, 18 de março de 2009

HÁ DIAS ASSIM...

… Há dias em que estou mesmo bonita (and she is!). Dias raros. Como hoje.

Há dias assim. Como hoje. Dias raros em que uma luz perfeita incandesce a beleza mais simples.

Quem assim escreve é a Joana no Blogue Substante



Há dias assim! Dias em que logo pelas 9 horas recebo chamadas, mal me sento à secretária. Hoje, da Boa Nova, Marisa com a sua voz doce, contava-me a odisseia da sua doença, do seu sofrimento. Eu sinto-me perturbado, nervos à flor da pele, quando os amigos carregam estas situações tão delicadas. Fico engasgado, paralisa-me a fala! Continuo sem conseguir aguentar-me nestas horas difíceis. A minha experiência de vida, o trabalho prestado no Hospital Distrital nos anos 80 com tantos casos traumatizantes, não me conseguiram dar ainda, a segurança para enfrentar estas noticias que me chegam pelo telefone.

Depois do Jamboto, Fátima tem a mãe com Alzheimer! Desesperadamente as pessoas lutam titanicamente para dar o melhor de si, com as dificuldades do dia a dia, a crise, parece que só chega para determinados sectores da nossa sociedade. O resto, ficam a pensar nas festas da treta no próximo fim de semana, no vestido que viram na montra da esquina, no luxo supérfluo, nas férias no Brasil ou República Dominicana ou no telemóvel ultima geração que faz maravilhas.

Há dias assim. Que me revolta ver os pais abrirem a porta da esquerda para os seus filhos atravessarem a correr a rua, que por incúria jogam à bola na praia junta à zona de rebentação, que caem do 5º. andar, bebés! Há dias assim. Que me sinto revoltado por haver pais tão idiotas, tão anormais. Depois vejo a TV, os jornalistas que aproveitam a desgraça alheia para “glorificar” o acontecimento, mostrar serviço, especular…

Há dias assim. Que nos sentimos bonitos por dentro, por tentarmos através duma simples chamada, dar um sorriso de esperança a quem mais precisa. Isso não custa nada. Apesar de me paralisar a fala, apesar da lágrima renitente que teima em correr pela face, nós somos acima de tudo humanos e, necessitamos todos uns dos outros.

Há dias assim!...

CARTA PARA A FERNANDA


Qerida Fernanda,

Desculpa se esta carta contem algum erro ortografico, mas agora com o novo Acordo já nem sei o que é correcto na lingua portuguesa.

Decidi escrever-te estas linhas, lembrei-me duma velha história passada à mais de quarenta anos. De vez em quando “assalta-me” a memória, em especial quando necessito do comando da TV e as pilhas já não funcionam.

Estive para processar-te num qualquer Tribunal de Menores, mas depois arrependi-me e ao ler casos da imprensa diária, acho que pelas novas regras da nossa justiça, “quem processa acaba por ser processado, que é como quem diz: ser condenado”, e eu não quero ser derrotado de novo… Também já me disseram que não adianta, pois prescreveu no tempo e meio século depois, já não tem efeitos práticos. Seja como for, sinto-me no dever de contar o sucedido.

Na época, foste a minha primeira namorada, (eu com 4 anos e tu pelos 15). Quando me perguntavam se já tinha namorada, respondia que era a Fernanda! Mas só ao pé de ti… se estivesse perto da Cecília dizia que era ela a escolhida, ainda por cima tua irmã. Mas enfim, ninguém é perfeito nesta vida, muito menos eu, que por vezes sinto-me como se fossem dois espelhos em que numa das extremidades se juntam, e vejo as imagens em duplicado. Nestas coisas do amor, sempre fui assim... Além dos dois ventrículos e duas aurículas do meu coração, tive a sorte ao longo da vida de ter duas Fernandas, duas Cecílias, duas Anas, duas Teresas… basta!

Ora certo dia, Fernanda comprou um transistor! Isso mesmo.Um rádio pequenino com uma protecção em cabedal, que para meu espanto não necessitava de ligar à corrente eléctrica. Maravilhas da electrónica, dirás! Depois, quando as pilhas ficaram gastas, resolveste presentear-me com as mesmas. Duas pilhas para brincar. Foste à janela do 2º. Andar, atiraste as baterias, e fiquei maravilhado por poder desfrutar daqueles objectos, foi então que me traíste e isso não se faz a uma criança. Da janela, davas instruções:

- Colocas as pilhas junto aos dedos grandes dos pés, e vais ver que dá música!?
Eu bem tentava, e gritava para a tua janela, mas as gargalhadas de Cecília e Fernanda, não me faziam desistir do projecto musical.

Confesso que nunca mais tentei repetir a experiência, fiquei para sempre traumatizado com este acontecimento. Só te perdoo pelo amor que nos une ao longo da vida. Foi a melhor energia, a melhor lição que recebi de ti.

Obrigada Fernanda, pelo carinho que me deste, pelo colo, pelos momentos maternos que recordarei para sempre!
Beijinhos,
Carlos

segunda-feira, 16 de março de 2009

ENTARDECER NO PRINCE ALBERT

Um ano após a publicação no blog, reedito on-line o primeiro poema
ENTARDECER NO PRINCE ALBERT



O barman aponta-nos o nosso cantinho habitual.
Nada digo, velhos clientes no final da tarde
Quando o entardecer se encontra com a noite
Sentimos a sensação de um nó colado ao peito,
Receamos mostrar íntimos sentimentos.
Basta-nos a música no ar
Estrofes de canções batidas Pink Floyd,
Daquela musica a tocar Another Break in the Wall.
Kim Carnes canta Bette Davis Eyes. E vontade de beijar-te
De dizer-te tudo do fundo da minha alma, no meu silêncio
Amar-te nos olhos de Bette Davis a espreitar!

Juntos na poltrona mais recôndita, amamos nossos sonetos
Em copos de cerveja. Olhei-te nos olhos, falamos de sonhos, de projectos
No ar vazio, Prince Albert espreita-nos na parede!
Mas como explicar-te
Que te amo como a minha sede, profunda, indecifrável…
Coloco-te um hibiscus no cabelo, em ondas derramados pelo rosto
Aroma de flores, cheiras a jasmim.
Sussurro que te amo!
Encostas a tua pele quente à minha e, nada me dirás!
Prefiro assim! Que não me digas nada. Palavras podem magoar,
O silêncio tudo dirá naquela música a tocar.
Batentes, nossos corações se agitam, nossos
Olhares reluzentes, pupilas de fogo
Colados aos meus, circunspectos,
Cemicerramos as pálpebras, beijamo-nos
E assim cegos, diremos mudos a nossa paixão.

domingo, 15 de março de 2009

HELLO, GOODBYE - A YEAR IN LIVE

You say yes, I say no
You say stop and I say go, go, go
Oh, no
You say goodbye and I say hello
Hello, hello
I don't know why you say goodbye
I say hello
Hello, hello
I don't know why you say goodbye
I say hello

I say high, you say low
You say why, and I say I don't know
Oh, no
You say goodbye and I say hello
Hello, hello I don't know why you say goodbye
I say hello
Hello, hello
I don't know why you say goodbye
I say hello

Why, why, why, why, why, why
Do you say good bye
Goodbye, bye, bye, bye, bye

Oh, no You say goodbye and I say hello
Hello, hello
I don't know why you say goodbye
I say hello
Hello, hello
I don't know why you say goodbye
I say hello
hello, hello
I don't know why you say goodbye
I say hello Hello

Hela, heba helloa
Hela, heba helloa


UM ANO DE BLOG
Um ano passou após a primeira publicação no blogue LOO ROCK. Ganhei novos amigos, pessoas anónimas que lêem os meus "disparates", pessoas que me enviam comentários maravilhosos. Penso que o que fica deste ano que passou, é essencialmente mostrar um blogue diferente que não diga o mesmo que todos os outros, mas também que seja uma maneira diferente de viver a vida.
Obrigado a todos!

PARA UNS HELLO, PARA OUTROS GOODBYE!

sexta-feira, 13 de março de 2009

É PARA LISBOA ...

A estação central de Correios da Avenida Zarco era nos anos 60’ e 70’ uma espécie do que hoje está na moda de apelidar de “ponto de encontro”. Ali se marcavam encontros, planeavam negócios, namorava ou simplesmente esperava-se a chegada de um amigo. A sua localização privilegiada no centro da cidade, e em especial a paragem de diversos autocarros suburbanos, ou a proximidade de serviços públicos, lojas comerciais e bancos, tornavam os correios da Zarco, diria imprescindíveis.

Subindo as suas escadarias laterais, passando o guarda-vento estavam colocadas numa fila central, cadeiras individuais onde se podia aguardar, “apanhar grandes secas” dos amigos com horas marcadas ou simplesmente passar o tempo assistindo ao rebuliço de quem entrava ou saía. Na parede frontal ao fundo da sala, estavam alinhadas várias cabinas telefónicas todas cobertas por cortiça com pequenos furinhos nas paredes, tornando insonorizadas as conversas mais íntimas. Nas extremidades da entrada, duas enormes caixas de madeira rectangulares com aproximadamente um metro e meio, serviam de marco de correio, onde através de um orifício se seleccionava a correspondência. Do lado esquerdo, e em letras metálicas “VIA AÉREA” do lado contrário “ENCOMENDAS”.

Certo dia, uma velhinha do “campo” com muitas dificuldades nas modernices de então, aproximou-se de mim e perguntou:

- Pode dizer-me onde devo colocar esta carta para Lisboa, mas por avião!
Expliquei à senhora que se era por avião, as cartas deveriam ser colocadas na caixa à esquerda, e apontei para a mesma. A idosa, foi direitinha ao referido marco, colocou a boca junto à abertura por onde se introduzia a correspondência, e perante o espanto de toda a sala, gritou:
- É para Lisboa!…
Na actualidade, mais rápido do que isto só pela DHL!

quinta-feira, 5 de março de 2009

VALSA PARA UMA MENININHA

Menininha do meu coração
Eu só quero você
A três palmos do chão
Menininha, não cresça mais não
Fique pequenininha na minha canção
Senhorinha levada
Batendo palminha
Fingindo assustada
Do bicho-papão

Menininha, que graça é você
Uma coisinha assim
Começando a viver
Fique assim, meu amor
Sem crescer
Porque o mundo é ruim, é ruim
E você vai sofrer de repente
Uma desilusão
Porque a vida é somente
Teu bicho-papão

Fique assim, fique assim
Sempre assim
E se lembre de mim
Pelas coisas que eu dei
E também não se esqueça de mim
Quando você souber enfim
De tudo o que eu amei

Vinicius de Moraes/Toquinho


Dedicado a Teresinha

segunda-feira, 2 de março de 2009

A PREVIDÊNCIA DE LAGOA HENRIQUES

Durante muitos anos, depois do almoço sentava-me no muro que se vê ao fundo à espera que abrissem a porta do serviço, contemplando esta estátua "A PREVIDÊNCIA" do Mestre Lagoa Henriques. Foram alguns anos da minha juventude passados a trabalhar no Centro Regional da Madeira, com recordações que perduram até hoje. Amigos inesquecíveis, amigos de décadas. E eu ficava fascinado com este trabalho. Duas décadas depois, nunca na vida imaginaria vir a trabalhar mesmo ao pé do atelier do Mestre, e de o conhecer pessoalmente. Infelizmente faleceu a semana passada, mas a sua obra ficará para sempre.