sexta-feira, 30 de outubro de 2009

A COSTUREIRA QUE AMAVA VENEZA

No início dos anos sessenta, comprar vestuário prêt à porter era uma odisseia. O mercado ainda não tinha despertado para as novas ideias vindas da Europa. Assim lá em casa, andavam sempre num virote com as últimas novidades da moda estampadas em revistas como a "Neue Mode", a "Jour de France" e a "Elle" (edição francesa), bem como muitas revistas do magnata e editor alemão Burda. Tiravam-se os moldes, procuravam-se os tecidos vendidos à peça na loja Último Figurino na Rua Câmara Pestana, mesmo defronte da Botica Inglesa. Depois, era calcorrear até à modista de confiança, quase como um membro da familia pois tinha a incumbência de nos vestir a todos. Confesso que já me esqueci do nome da costureira! O mesmo não posso dizer do local onde vivia e tinha o seu atelier. Era mesmo no início da Rua da Carne Azeda do lado esquerdo para quem sobe, umas casas térreas que faziam fronteira com a própria Fábrica Hinton, ou o Engenho como era popularmente referenciada. Enquanto numa sala, as tias trocavam opiniões sobre os modelos, eu ficava horas a fio a olhar os quadros que estavam espalhados pelas paredes que mostravam uma cidade esquisita, com uns postes coloridas e uns barcos estranhos. O meu olhar penetrava nas fotografias recortadas de um velho calentário sem identificação do ano. Nunca vi barcos assim ... e aquelas cores vivas, a luz que iradiava no Grande Canale di Venezia, deixavam-me sem palavras. Após todas as formalidades, acabava por regressar a casa. Pelo caminho ia fazendo perguntas sem fim, enquanto a minha tia explicava-me que Veneza era uma cidade diferente onde se viajava em canais e tinham gôndolas para se deslocarem. Mais tarde, li de uma assentada o "Leão de São Marcos" e o fascínio por aquela cidade mantinha-se. Tal como a velha costureira, também eu amava Veneza, uma Veneza tirada de fotografias coloridas de um velho calendário sem ano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ASTERIX E OBELIX - 50 ANOS

Os geniais gauleses fazem 50 anos! Confesso a minha admiração por estes heróis capazes de destronar os coitados dos bárbaros romanos. Sempre tive uma grande admiração pela BD que nos faz levitar! Que contem muitos 50's.

domingo, 18 de outubro de 2009

DO TEMPO, TEMPO VIRÁ!

Lembro-me que quando era criança, percorrer os caminho de pequeninos calhaus redondinhos de bazalto negro que circundava o Jardim Municipal. Através desses labirintos verdes do jardim, imaginava outros caminhos outros destinos. Depois, aguardava que a minhã mãe "espreitasse" à varanda da Casa de Bordados Americana, ali mesmo junto às garagens dos autocarros da SAM ou dos Autocarros de S. Roque do Faial. Seria necessário esperar pelas 18h30', para que a acompanhasse até casa. Pelo caminho ia espreitando montras cheias de sonhos, produtos inacessiveis à bolsa da grande maioria dos cidadãos.
Um dia destes, lembrei-me de levar os meus filhos a percorrerem e conhecerem as zonas e as casas onde habitei. Confesso que não foi tarefa fácil dialogar, explicar pormenores de uma época cheia de utopias, de dramas e sonhos desfeitos. Por outro lado, o que para mim tem muito peso emocional, para os outros poderá ser uma grande "seca". Mas empenhei-me (possivelmente, mais pela minha pessoa) em levar até ao fim como peregrino de Santiago, a minha aventura. Após descobrir quase meio século pequenos indicios da minha memória de infância, fui calcorreando quase sem parar, horas a fio. Dei comigo, quase lusco-fusco a descer as escadinhas de São Francisco; labirintos da Rua Ivens; Rua dos Aranhas e Nova de São Pedro, a "desaguar" junto ao Jardim. Olhei de relance o novo palco, outrora onde actuavam os velhos "guerrilhas" e "peles vermelhas" na época do Carnaval. Olhava as velhas pedrinhas redondas dos caminhos, os mesmos que tinha percorrido vezes sem conta na minha infância, e parei junto ao edificio da Casa Americana. Fiquei ali especado! À minha memória, surgiam vozes, rostos que já partiram, cheiros e sons de outrora. Lá estava a velha varanda onde de porta entreaberta, espreitava o rosto da minha mãe. Em silêncio, imóvel, esperava que voltássemos de mãos dadas para casa. Mas tu não espreitaste, não me acompanhaste... Após alguns minutos, regressei de novo ao tempo presente. Claro que não poderia estar à tua espera! Tinham passado mais de quarenta anos e continuava a sonhar, sonhos utópicos, mas quem não sonha ....

sábado, 17 de outubro de 2009

UM AZUL IMENSO





Num dia de Sol espectacular, desci do Rabaçal a caminho de Porto Moniz. Sentei-me a contemplar este imenso azul que indivisivel une este céu e mar. Azul sem fim que fere a vista como se não houvesse separação entre a terra e o meu ser!

domingo, 11 de outubro de 2009

AS CRÓNICAS DE MARTA CAIRES

Igreja de Santo António, tirada do Pico dos Barcelos - CAM
Autocarro da CASAL, junto ao Miradouro da Igreja - anos 60'

Possivelmente não existirá freguesia da Madeira que eu melhor conheça do que a de Santo António. Embora nunca a tenha habitado, desde tenra idade frequentei a sua zona. Pelos caminhos íngremes das suas montanhas e vales, existem muitas histórias para contar. Pelas suas veredas, sítios, azinhagas e lugarejos palmilhei vezes sem conta... tudo começava quando depois do almoço, desciamos às 13h40' em velocidade de cruzeiro a Calçada do Pico, Santa Clara, Rua das Pretas, Avenida Zarco e por fim, parávamos junto ao Palácio de São Lourenço à espreita do horário. Naquele tempo existia, uma paragem entre o gradeamento do dito Palácio e uma espécie de fosso que muito mais fundo do que a própria Avenida do Mar, servia de obstáculo ao próprio Edificio do Governador. O próprio Largo das Fontainhas, era uma amálgama de taxis, carros de aluguer "vulgo abelhinhas" com a letra A - estampada na negra porta do veículo e velhos autocarros com destino ao Curral ou Eira do Serrado. Só mais tarde, se encheu de terra e ajardinou o fosso, com o aspecto que tem na actualidade. Mas dizia eu, que a primeira visão era olhar para o lado esquerdo da Avenida, e ver se o horário da C.A.S.A.L.dª. estava para arrancar. Era o nº. 52 - da Companhia de Autocarros de Santo António! Hora de saída 14horas! À mesma hora, haviam também para o Jamboto via Álamos e Jamboto via Igreja. Então, quando o autocarro saía de fronte da Baiana, colocavamo-nos na paragem aguardando a sua presença. No final dos anos 60', as companhias de autocarros estavam com grandes restruturações. Compravam-se veículos com melhor conforto, assentos mais cómodos, ar condicionado, portas automáticas ou sistemas de paragem eléctricas. Mas para isso, era necessário que não houvesse muito movimento no porto, pois a primazia era dada aos turistas para excursões ao longo da ilha. Depois, era bonito ver a cidade colorida de autocarros de várias cores. Verdes da SAM; azuis de Santo António; castanhos de São Gonçalo; vermelhos do Monte; verde acizentado de São Martinho; São Roque, Rochinha, Camacha.... Além dos mencionados, a Delegação de Turismo da Madeira, tinha também belos exemplares de marca alemã com vidros panorâmicos, música a bordo etc... O 52 era mais modesto, e já contentava os passageiros com a "música pedida" que saía do Posto Emissor do Funchal.
Estendíamos o braço, e o motorista manobrava com os travões em grande chiadeira até parar. Nas partes longitudinais do veículo, estava um pássaro alado e por baixo em cores azuis turqueza e ultramarino com a sigla CASALdª.. Depois acomodavamo-nos nos lugares vagos. Como ainda era pequeno, e se o autocarro não viesse muito cheio, ocupava um espaço mas não era cobrado bilhete. Se o veículo já vinha com lotação quase completa, tinha de me sentar no colo da minha tia, evitando assim mais uma despesa adicional. Só que à medida que ía crescendo, os ditos bilheteiros olhavam-nos de viés. Por outro lado os meus joelhos já não cabiam no exíguo espaço entre cadeiras. O seu percurso, era contornar a Rotunda do Infante, subir a Ribeira de S. João, Cabouqueira, Rua das Maravilhas, início do Caminho de Santo António, virava no Caminho da Ponte e subia o íngreme Caminho da Igreja, até chegar ao nosso destino: Igreja de Santo António. Desciamos o ligeiro Caminho do Ribeirinho e eis-nos no Serviço. Para subir, eram 2$40 e para descer metade do preço! Depois ia sempre prevenido com um lanche, que mal chegava, dava-me logo vontade de o comer. Dir-se-ia que os ares da montanha, abriam apetites. Por vezes, tinham de ter reforço. E lá ia à Pastelaria Estrela (já não existe na actualidade) e pedir meio-pão com molho e uma laranjada! Não era raro acabar às 18 horas no Funchal com mais um daqueles lanches ajantarados de fazer inveja a muito turista sedento de iguarias gastronómicas. Entretanto, eu ia crescendo, crescendo até que deixou de ser viável as minhas idas nos autocarros azuis de Santo António.


Agora aos Domingos dou comigo a ler as crónicas do Diário de Noticias do Funchal - Revista, onde a jornalista Marta Caires, costuma falar da sua terra, dos seus sonhos e costumes, os mesmos que eu conheci (embora exista uma distância de idades entre nós!), e fico impressionado por transmitir precisamente os mesmos factos dos anos 60 e 70'. Entre a minha pessoa e Marta Caires não existe tanta diferença que realce as memórias dum tempo que já foi tempo. Apraz saber que nas suas crónicas semanais, estão sempre presentes histórias de uma freguesia como a de Santo António, para mais tarde recordarmos com ternura!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A MAGIA DE MAX ROMER



Existem dias em que uma simples carta transforma o dia mais feliz. Assim aconteceu, ao abrir um sobrescrito com uma série de cartões de Boas-Festas pintados por Max Römer. Alguns extremamente raros e que passam a pertencer à minha pequena colecção, deste artista que tanto admiro. Observe-se com atenção ao pormenor das imagens!

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

PROFFIL

Desenho - Jacira

PROFFIL

Petite fleur délicate, bercée de rèves suaves.


Vers le ciel bleu et rosée, offer comme prierè


Sa douce odeur.


Mais, les tempétes furieuses, s’apercoient de loin


De ses mignonnes coleurs, et de passion folle


Effeuille la pauvre corelle. Qui s’en va…blessée


- Presque morte – rollée dans la boue du chemin.



Aissi, ton ame sensible se balance – entre


L’angoisse et l’amour, la doute et le désir –


De s’envoler jusqu’ aux étoilles, pour endormir


Sa douleur.



Mon Dieu! Comment tu dois souffrir?!!...


Tant d’angoisse je vois, dan ton regard éperdu.


1963 - Maria Fernanda Correia - Poeme a mon fil

terça-feira, 6 de outubro de 2009