sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O FALSO MENDIGO - VINICIUS DE MORAES

O FALSO MENDIGO


Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda
Quero fazer uma poesia.
Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado
E me trazer muito devagarinho.
Não corram, não falem, fechem todas as portas a chave
Quero fazer uma poesia.
Se me telefonarem, só estou para Maria
Se for um trote, me chama depressa
Tenho um tédio enorme da vida.
Diz a Amélia para procurar a "Patética" no radio
Se houver um grande desastre vem logo contar
Se o aneurisma de dona Ângela arrebentar, me avisa
Tenho um tédio enorme da vida.
Liga para vovó Nenem, pede a ela uma ideia bem inocente
Quero fazer uma grande poesia.
Quando meu pai chegar tragam-me logo os jornais da tarde
Se eu dormir, pelo amor de Deus, me acordem
Não quero perder nada na vida.
Fizeram bicos de rouxinol para o meu jantar?
Puseram no lugar meu cachimbo e meus poetas?
Tenho um tédio enorme da vida.
Minha mãe estou com vontade de chorar.
Estou com taquicardia, me dá um remédio
Não, antes me deixa morrer, quero morrer, a vida
Já não me diz mais nada
Tenho horror da vida, quero fazer a maior poesia do mundo
Quero morrer imediatamente.
Fala com o Presidente para fecharem todos os cinemas
Não aguento mais ser censor.
Ah, pensa uma coisa, minha mãe, para distrair teu filho
Teu falso, teu miserável, teu sórdido filho
Que estala em força, sacrifício, violência, devotamento
Que podia britar pedra alegremente
Ser negociante cantando
Fazer advocacia com o sorriso exato
Se com isso não perdesse o que por fatalidade de amor
Saber ser o melhor, o mais doce e o mais eterno da tua puríssima carícia.

2011 - SONNE IN DER NACHT - DU BIST ALLES IN MEINEM HERZEN






Peter Maffay - Schöner Song und Meine Freundin Andrea Yürgens
http://www.youtube.com/watch?v=bQ9MpKgZ8zg
http://www.youtube.com/watch?v=mgExdraVTIY

2010 - It's only a PAPER MOON


As músicas são como os anos que vão passando... Durante a minha infância, trauteava-se a LUA DE PAPEL. Ouvi-la na voz de Nat King Cole, Tatum O'Neal ou Hiro é sempre uma doce recordação.
Manhãs estivais, assobiando Paper Moon enquanto a velha Gillete deslizava na face em longos caminhos de espuma, os livros do Tio Patinhas lidos nas escadas do terraço e o som etoando no quintal, vezes sem fim. Era como um disco riscado deslizando em círculos infinitos. Tatum era uma espécie de Judy Garland e o Feiticeiro de Oz e as folhas de calendário foram sendo rasgadas uma após uma.

Dou conta que hoje o mesmo gesto se executa de novo. Ao contrário das folhas do velho calendário, Moon Paper continua! It's only a PAPER MOON...    

http://www.youtube.com/watch?v=GV0A-pQaay4
http://www.youtube.com/watch?v=C6lGBVpHdow
http://www.youtube.com/watch?v=kgNef0mgOeI

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

MERCI A SOLANGE





Dear Solange,
Thank you for the beautifulls photos from  your garden!   In the Flemish landscape covered with snow, I thank all friends who over the years continue to maintain. After Winter comes the Spring and Summer friendship remains unchanged! Thanks for everything.

Carlos

domingo, 19 de dezembro de 2010

NOVO BLOGUE DEDICADO A MAX ROMER

Adicionado um novo blogue dedicado a Max Römer com tudo o que diga respeito a este artista em

http://maxromer.blogspot.com

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A MENINA QUE SONHA COM MAX ROMER

Era uma vez uma menina, penso que se chama Ana! Não me lembro bem do verdadeiro nome. Mas que interessa o nome? Para história basta ser menina, como lhe designaria Hans Christian Andersen. Naquela época, os seus pais não tinham possibilidade de lhe comprar os móveis para o seu novo quarto. E quanto ansiava Ana por ter a sua caminha, só sua. A casa das bonecas onde guardava as suas Barbies e o Urso Teddy que lhe tinham oferecido num Natal. Então, um dia os seus pais pensaram numa alternativa. Por que não vender aquela aquarela de Max Römer que tinham herdado? E se melhor ideia nem solução não havia, resolveram vender o quadro. Nesse dia quando Ana chegou da escola, deparou-se com o seu quarto de sonho totalmente remodelado. Nessa noite já poderia sonhar e dormir agarrada às suas bonecas ao seu ursinho Teddy. Tão feliz ficou que adormeceu e a dizer "obrigado" àquele senhor de nome estranho que não conseguia decifrar. De agora em diante resolveu que o seu quarto se chamaria Max Römer, como forma de agradecimento aos móveis que tinha tido naquele dia à muito ansiado. 
Feliz esta homenagem!
Esta pequena história é baseada em factos reais

ALMANAQUE PEF-2010 COM MAX RÖMER

O Almanaque que o Posto Emissor do Funchal vem editando todos os anos, conta para o ano de 2010 com uma pintura de MaxRömer na sua capa. A comprar...

TOMBE LA NEIGE...

Como uma canção de Adamo, "TOMBE LA NEIGE", a neve caiu no jardim! A Flandres cobre-se de um vasto manto banco anunciando o Senhor Inverno. Merci a Solange pour la belle photo.  

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FAUT FAIRE AVEC - 100000 V





Et voilá Monsier Bécaud chante pour vous Solange. Faut faire avec...
http://www.youtube.com/watch?v=afvD6oQKjNg

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

ELUCIDÁRIO MADEIRENSE - por Nelson Veríssimo

Quem pretender informação rápida e concisa sobre a Madeira, ou contenta-se com o velho, e ainda útil, 'Elucidário Madeirense' ou desiste do intento.

Isto não significa falta de produção científica. Pelo contrário, muito se tem editado. Mas está tudo disperso. São fontes conhecidas dos especialistas. Os estudantes e o grande público têm dificuldades em aceder a essa informação.
Por ter já abordado esta temática nestas páginas e ser, aliás, tão evidente, dispenso argumentos para demonstrar a importância de uma obra de fácil consulta - dicionário, enciclopédia, dicionário enciclopédico... - para divulgar a Madeira e, principalmente, educar a juventude.
Nos finais das décadas de 70 e 90 do século passado, a DRAC deu ténues passos para a elaboração dessa obra. Em resposta à segunda tentativa, o CEHA prometeu um Dicionário de História da Madeira, ainda não editado.
E, mal comparando, como diz o povo, enquanto aqui dominava a inércia e despontava a "guerrinha de capelas", com bênção de quem não devia, os açorianos trataram da sua Enciclopédia e de uma 'História dos Açores'.
Ficaram os madeirenses a perder, porque, para consulta ligeira ou primeira abordagem, apenas podem contar com o amigo Elucidário, publicado em 1921 e revisto para a segunda edição (1940-1946).
A elaboração de uma obra com carácter enciclopédico é projecto urgente e útil. Como requer tempo, seria a melhor forma de comemorar o Sexto Centenário do Descobrimento da Madeira, tal como o 'Elucidário Madeirense' no Quinto.

Artigo publicado no Diário de Noticias da Madeira, em 02 de Novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A PASSAGEIRA DE BULAWAYO



A PASSAGEIRA DE BULAWAYO
Era um sábado deJulho de 1976. O telefone toca. Do outro lado da linha, os Serviços do Ministério dos Negócios Estrangeiros através da Embaixada  Portuguesa, solicitavam a nossa comparência no Aeroporto do Funchal. Teriamos de deslocar a tempo da chegada do voo Tap, vindo de Lisboa. A causa de tanto alarido era uma cidadã de origem madeirense que necessitava de apoio para o seu regresso à terra natal. Só tinhamos como referência o nome de Maria Natividade, nada mais!
A sua proveniência era um nome estranho chamado Bulawayo. Confesso que nem sabia onde ficava no mapa a cidade referida, mas consultei o atlas que apontava ser no Zimbabué.
O avião chegou à hora estipulada e após a saída de todos os passageiros, uma hospedeira entregou-nos uma mulher com a aparência de ter pouco mais de quarenta anos. Vinha pela mão da funcionária como se de uma criança se tratasse. Após identificação saimos da gare rumo ao taxi que nos esperava. A mulher mantinha um silêncio profundo, como se acabasse de chegar de outro planeta, perdida no tempo e no espaço. Após muita insistência, perguntamos se tinha familia? - Não! retorquiu. E de onde é? Onde fica a sua terra? São Jorge... Mas de que zona? - Não me lembro...
O taxista seguiu na direcção da estrada do Faial. O Sol era sufocante. Abri o vidro na esperança que a aragem conseguisse atenuar o suor de brilhava na minha face. Ao fim de mais de uma hora de viagem, chegamos a São Jorge. Natividade não reconhecia a sua terra. Problemas vários de saúde, o seu isolamento naquelas paragens africanas, o falecimento dos pais, fizeram dela uma mulher só, triste e com visiveis perturbações psíquicas.
- Então D. Natividade, consegue lembrar-se deste sitio? - Não! insistia.
- Não se lembra destes caminhos? Esta não é a minha terra... dizia!

Confesso que comecei a ficar preocupado com o rumo dos acontecimentos. Como iria resolver aquele problema se não encontrasse ninguém da familia ou que conseguisse tomar conta dela. O carro ia parando nas poucas vendas e tascas da zona na tentativa de identificar através do nome de familia, algum parente. Não!... Nada!

Rumamos ao Arco de São Jorge. Na estrada nem vivalma. Descobri um espaço escondido de uma pequena venda, escura e insocial. O vulto de um homem saiu da parte de trás do balcão, mero tampo de madeira enegrecido pelo uso e quehá muito não sabia o que era água. Soletrei os vários nomes possíveis, até referenciar-me um homem isolado no alto da encosta. Procure lá! dizia apontando com o indicador. Resolvemos subir o íngreme caminho de pedra miudinha. Eu ajudava carregando a trouxa com os míseros pertences daquela mulher que me parecia tão nova e tão estragada pelo tempo. À medida de caminhavamos, olhares indiscretos seguiam a nossa trajectória. De dentro de quintais ou pequenos terrenos agrícolas, vozes silenciavam-se à nossa passagem. Acercamo-nos de um pequeno casebre indicado. Um homem sentado olhava aquela movimentação, desconfiado. A Maria Natividade pela primeira vez, tomou a iniciativa do diálogo, como se ressuscitasse.
- Não és o primo João? O homem ficou boquiaberto! Primeiro a surpresa ao seu reconhecido por aquela alma vinda do fim do mundo. Depois, lentamente e à medida que as palavras corriam, tornava-se evidente que eram correctas a identificação dos nomes de parentes, figuras à muito desaparecidas. Reconheceu a prima vinda de África.
Senti-me aliviado, feliz com o desenrolar dos acontecimentos. Os primos ficaram abraçados a chorar, enquanto faziamos o sentido inverso rumo ao taxi que esperava na estrada.
Durante semanas andei a matutar a cena dos dois primos, das voltas e das pequenas partidas que surgem na encruzilhada de todos nós. Nunca mais soube da Maria Natividade que vinda duma terra com um nome esquisito de Bulawayo, retornou ao Arco de São Jorge, para viver o resto da vida. Talvez tenha recuperado dos maus momentos vividos no Zimbabué, tenho voltado a ser feliz. Quem sabe!...

sábado, 23 de outubro de 2010

I left my heart in San Francisco - Tony Bennett

As pedrinhas do jardim ainda lá estão à minha espera... Se quiser comprovar, basta clicar na foto e poderá vê-las, redondinhas pelo tempo, gastas por serem pisadas, mas as mesmas da minha infância. -  Foto Cam

http://www.youtube.com/watch?v=ryF9p-nqsWw

Do tempo em que não tinhamos TV, o rádio era o único meio de nos aproximarmos do resto do Mundo. O velhinho Philips, despejava músicas através das ondas hertezianas. Pelas noites mal dormidas, pelas insónias do Verão, pelas viagens de Verne ou os livros dos cinco de E. Blyton, pelos desenhos do Walt Disney sorvidos nun ápice, a Voz da América era a doce tentação das vozes de ouro. E lá estavam o Percy Faith, o irreverente e electrizante Elvis, as mágicas canções "Stand by Me"; "I can't Stop loving you"; Blue Velvet, Nat King Cole e "Mona Lisa" Johnny Mathis, o Pat Boone and The Platters "Smoke gets in your eyes" o Bobby Darin e "Dream Lover"ou Frankie e "Strangers in the Night", o Roy Orbisson e "Pretty Woman", The Birds e "Mr. Tambourinne Man" ou os Beach Boys em "Good Vibrations" ou "Light my Fire".
A magia da rádio era divina! Experimentem subir o Cabo Girão ao som de "I Left my Heart in San Francisco" e desfrutem da noite estrelada, do negrume do imenso mar e dirão UNFORGETTABLE

  http://www.youtube.com/watch?v=nitiMG81DRc

Janis é eterna - SUMMERTIME

Janis Joplin é a irreverência da minha juventude, a revolta pelos mais preconceituosos tabus da sociedade dos anos 60'. Aquele viver sem fronteiras foi demasiado para JJ, o tempo demasiado fútil, quase fulminante dos seus olhos (aqui na foto, ainda infantis) em total desprezo pela vida. E a vida fez-lhe a vontade levando-a prematuramente, mas não a sua voz nem as suas canções.  

http://www.youtube.com/watch?v=A27FF2T2z2k

LA FÊTE - by Rodrigo Leão - A Solange en Flandres

LA FÊTE - por Rodrigo Leão
Sempre da minha preferência, Rodrigo Leão tem-nos brindado pela qualidade dos seus trabalhos musicais.

Chére Amie Solange,
Écoutez ce magnifique Fête. Vive la Fête!

http://www.youtube.com/watch?v=4nTBKRGIKQQ

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

UM CAFÉ MATINAL

O CAFÉ MATINAL     (Às minhas colegas do Funchal)


Esta noite sonhei que estávamos a tomar café como de costume na nossa longa mesa comunitária. Eu sei que a Filomena, a Fátima a Clara e a Bernardete encontravam-se em animada “cavaqueira”, contando as últimas da manhã, as últimas do dia anterior ou as últimas acabadas de acontecer. Diria que aquele café da manhã ainda sabia à noite mal dormida, ao acontecimento mais anedótico nas notícias do telejornal. Por isso, quando sentávamos naquele precipício de um banco corrido à beira da copa, os nossos sentidos agrupavam-se em conversas mais ou menos barulhentas, quiçá levianas das vidas pessoais. Cada um, como cada qual tentando ouvir-se em longa chinfrineira, causas de acordos e desajustes de opiniões pessoais. Aquele café da manhã, sabia a bica retardada, a desilusão de amor, a fracasso sem sentido. Depois, a chegada da directora arrefecia os ânimos. Cada um entregava-se à sua tarefa diária. E lá vinham as eternas promessas que nos nossos pensamentos acalentavam sonhos dourados. Não fossemos nós seres humanos cheios de pródigos paraísos.

Esta noite sonhei que tomávamos café juntos, como se todo este tempo não tivesse passado, não fosse tempo do tempo e as vozes das amigas e colegas ficassem no ar, aquele tom de voz, aquele olhar mais terno, aquele sentido de vida que em cada xícara de café atormentava o nosso paladar. E não havia pacote de açúcar que aguentasse!...

Eu sei que gastam o tempo a ler as minhas palermices, mas que posso fazer, quando diariamente continuam a juntarem-se para o seu café matinal, longos anos a fio, como se o tempo se mantivesse na longa curva da juventude, na mesma mesa comunitária de tampo branco, em animada algazarra. E o café ainda terá aquele travo a madrugada mal dormida, a cigarro apagado esquecido num cinzeiro qualquer.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

AOS AMIGOS - FERNANDO PESSOA

"Um dia a maioria de nós irá separar-se.


Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,


das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,


dos tantos risos e momentos que partilhámos.






Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das


vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...


do companheirismo vivido.






Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.






Hoje já não tenho tanta certeza disso.


Em breve cada um vai para seu lado, seja


pelo destino ou por algum


desentendimento, segue a sua vida.






Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas


que trocaremos.


Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...


Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto


se tornar cada vez mais raro.






Vamo-nos perder no tempo...






Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e


perguntarão:


Quem são aquelas pessoas?


Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!






- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons


anos da minha vida!


A saudade vai apertar bem dentro do peito.


Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...






Quando o nosso grupo estiver incompleto...


reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.


E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.


Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes


daquele dia em diante.






Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a


sua vida isolada do passado.


E perder-nos-emos no tempo...






Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não


deixes que a vida


passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de


grandes tempestades...






Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem


morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem


todos os meus amigos!"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A NOVA HISTÓRIA DA CAROCHINHA

Era uma vez uma carochinha que um belo dia andava a varrer a casa e encontrou uma moeda nova. Bem, não era pro- priamente uma moeda, mas apenas um papelinho, chamado Tratado de Maastricht, que dizia que, se ela se portasse bem, um dia podia ter a moeda única. A carochinha ficou muito contente, vestiu o seu melhor vestido e pôs-se à janela a cantar:

- Quem quer casar com a carochinha, que é formosa e bonitinha?
 
Passou por ali naquela altura um leão, chamado Cavaco, que disse: "Quero eu! Quero eu!" Mas o leão rugia muito alto, e garantia que para ter uma moeda única era preciso trabalhar, ter competitividade e vencer o desafio europeu. A carochinha respondeu:
 
- Ai que voz essa? Com tanto barulho não me deixas dormir! Contigo é que não quero casar!
 
O leão foi-se embora, voltando para a sua universidade, e a carochinha tornou a cantar:
 
- Quem quer casar com a carochinha, que é formosa e bonitinha?
 
Passou então um pato chamado Guterres, que disse "Quero eu! Quero eu!" O pato Guterres tinha uma viola e cantava muito bem sobre diálogo, coração, paixão da educação e outras coisas lindas. Foi então que veio a notícia de que a carochinha tinha sido aceite na moeda nova, o euro. Ficaram os dois muito contentes e, como estavam mesmo a planear casar-se, o pato comprou um grande caldeirão.
 
Durante um tempo os dois pareciam muito felizes mas, como o caldeirão tinha um furo, o pato gastava cada vez mais dinheiro para o encher e começaram a endividar-se nas mercearias das redondezas. A dívida externa da carochinha, que era de 8% do PIB quando o pato chegou, já ia nos 50%. Então o pato fugiu. Diz-se que foi cantar para a ONU, e de vez em quando ainda se ouvem as suas músicas na televisão.

A pobre carochinha, com a moeda única e a dívida do caldeirão a subir, foi de novo pôr-se à janela à procura de marido, cantando a sua canção. Nessa altura passou por ali o coelho Barroso, muito saltitão, que disse "Quero eu! Quero eu!"
 
Quando viu a situação, o coelho Barroso achou que a carochinha estava de tanga e começou a rugir como o leão. Só que agora, como de qualquer maneira não conseguia dormir de aflição por causa da dívida, a carochinha lá se conformou com o barulho, desde que se fizesse alguma coisa para resolver o buraco no fundo do caldeirão.

O coelho até tinha bons planos, mas um belo dia passou por ali uma carochinha belga, muito bonita e muito rica. Ela e o coelho apaixonaram-se e fugiram juntos, deixando a carochinha outra vez sozinha com a moeda única e o caldeirão. E já voltou a pobre à janela e à sua canção.
 
Até que passou por ali o belo galo Santana, que cantava muito bem. Só que o pai da carochinha, que não gostava nada de galos, expulsou-o rapidamente e eles nem tiveram tempo de conversar.
 
Mais uma vez a pobre carochinha teve de regressar à sua janela e à sua canção, enquanto a dívida externa do caldeirão já ia nos 65% do PIB. Passou finalmente o José Ratão, que disse logo que resolvia tudo. Este não rugia, como o leão ou o coelho, nem cantava, como o pato ou o galo. O que ele fazia era falar. Falava, falava muito. Tinha imensas ideias excelentes. Dizia que a solução era o Simplex, as reformas da administração pública, Segurança Social e outras coisas, e até ia conseguir tirar do caldeirão grandes obras, como o TGV, aeroportos e auto-estradas, tudo em parcerias público-privadas baratíssimas.

A carochinha ficou apaixonada e decidiu casar-se depressa até porque, apesar da conversa do José, as coisas estavam cada vez pior. Não só a dívida já ia acima dos 100% do PIB, mas na aldeia falava-se de uma vizinha, a carochinha grega, também solteira e com um caldeirão ainda maior, a quem as mercearias já ameaçavam atirar ao lobo FMI. Mas o Ratão sossegou-a, garantindo que a culpa da situação era das agências de rating e que ele resolveria tudo com PEC. Só que, quando se debruçava no caldeirão para tapar o buraco com o terceiro PEC, caiu lá dentro.
 
Assim acaba a história da linda Carochinha que achou uma moeda e do seu José Ratão, que morreu cozido e assado no caldeirão.

César das Neves

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

SE NÃO HÁ ÁGUA...

Se não há água, como pode haver...cultura!
Por - Élvio Sousa, Arqueólogo e investigador

Foi com esta frase, que um agricultor gaulês, interrompeu o discurso do então secretário regional do turismo e cultura, João Carlos Abreu, numa intervenção da sessão solene do aniversário da freguesia.

Estávamos no limiar nos anos oitenta do século XX, e o problema da água de rega era a essência do dia-a-dia do agricultor, também ele fazedor de culturas.


A cultura é uma palavra complexa e tem um sentido abstracto conforme o estrato social que a consome e frui. Para o humilde agricultor, a cultura é sinónimo de sustento, é a sua vinha, as suas semilhas e o seu feijão, que tanto tarda em regar. Daí que a água é o garante da sua "cultura", é o seu "axis-mundi", enquanto houver terra e forças para tirar regos e mantas e, depois, regar.

João Carlos Abreu discursava sobre a riqueza da cultura gaulesa: terra de doutores, de adelos, de padres e de eminentes escritores. "Gaula é uma terra de Cultura", dizia.


Do meio do salão paroquial, interroga o senhor José, agricultor: "Mas, senhor ministro, se não há água, como pode haver...cultura!"

Artigo de opinião do amigo Élvio Sousa publicado no D.N. do Funchal em 13/10/2010

sábado, 2 de outubro de 2010

MIAU! O CAFÉ KIT KAT

Do lado direito da imagem, o Café KIT KAT foi dos mais luxuosos e concorridos da cidade do Funchal. Foi demolido para ser edificado o edificio da Agência Blandy em 1961, a que tive o prazer de assistir à sua inauguração.

domingo, 26 de setembro de 2010

POSTAIS DA CANADIAN CRUISE LINE





Várias companhias de navegação que frequentemente escalavam o Funchal, imprimiam postais com fotografias diferentes do que se produzia na Madeira. Eis algumas belas imagens da Canadian Cruise Line. 

MONTE ROSA - FUNCHAL

O pequeno hotel MONTE ROSA, situado na Rua João Tavira já era... infelizmente! Vitima duma zona central na cidade, de diversos problemas económicos, nem sempre o que está na baixa das cidades constitui uma vantagem. Neste caso, dificuldades de acessibilidade ou de conforto, o tráfego, a poluição sonora podem afastar os clientes maioritáriasmente de negócios que acabam por se instalarem por períodos de tempo muito curtos.

domingo, 19 de setembro de 2010

OLD HOTELS - SANTA ISABEL - FUNCHAL


Mais de um século depois da Madeira se tornar por excelência uma terra de turismo e pioneira em Portugal, muitos hoteis e residenciais transformaram-se, reconstruiram-se ou simplesmente foram demolidos. O caso deste pequeno hotel Santa Isabel, encravado entre o Savoy e uma série de pequenos restaurantes e bares como o Red Lion ou o KonTiki, numa das zonas da cidade do Funchal mais apetecidas para a construção hoteleira. O Santa Isabel era nos anos 60' um concorrente do Miramar, Atlantic ou  do Country Club. 

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

1821 - WILLIAM COMBE E A MADEIRA



Gravuras pintadass pelo artista inglês William Combe, aquando da sua visita à Madeira.
A sua visão sobre a sociedade madeirense da época e os meios de transporte. No caso presente, o transporte de rede e os músicos de rua. 

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

A CIDADE DE MAX RÖMER

Pintura de Max Römer - A baía e a cidade do Funchal - estampa col. CAM

Embora não tenha sido a cidade natal do pintor Max Römer, foi sem dúvida a que escolheu para viver até ao seu falecimento. Muitos e bons artistas pintaram divinamente a Madeira, porém nenhum foi tão popular. Talvez o facto de ter feito tantos e variados trabalhos, de ter pintado a pedido dos seus clientes e de ter divulgado pelo Mundo o colorido da Ilha através dos pequenos postais, ajudaram com certeza na projeção do seu nome. Pela minha parte, vou tornando tanto quanto possível mostrar o que vou recebendo e colecionando.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A ÚLTIMA VIAGEM DO COMANDANTE TOLENTINO ANDRADE

Foto do Comandante Tolentino Andrade - D.Noticias do Funchal

A última viagem do Comandante


Desde a infância que me lembro de ver o Comandante Tolentino Andrade no Cais da Cidade, a conversar ou a dar a sua opinião aos antigos marinheiros das lanchas ou dos pilotos do Porto. Vezes sem conta, via toda a azáfama das manhãs, tardes ou noites que o movimento portuário criava. Desde os lança-cabos, os agentes de navegação na velha “Mosquito” ou o ronronar dos  “Ponta do Garajau” ou “Cabo Girão”, davam para me manter agarrado às verdes amuradas no velho cais, durante horas a fio até o meu estômago reclamar que estava na hora do almoço. Eu ancorava  diariamente pela fresquinha das 9 horas matinais em busca de sombras no horizonte ou iates que acabados de chegar, deitavam as pequenas ancoras e procuravam abrigo. O Comandante chegava e metia conversa com velhos lobos do mar. Cheirava aquele sabor a maresia, o ar límpido, aqueles raios de Sol a ferir a vista vindos de Este. Sentia-me um pequeno marujo enferrujado à amurada. Sempre que havia navios da Insulana no porto, era certo e sabido que estaria a bordo do “Funchal” ou “Angra do Heroísmo”, que deitaria uma olhadela aos sacos de caramelos vindos das Canárias, às caixas de folha circulares com bombons da Mackintosh estampadas com as figuras de um soldado britânico e uma senhora de cor púrpura. Na parte inferior, o slogan “Quality Street”. 

Mas falava eu no velho Comandante conhecedor de meio mundo, de navegar pelos sete mares, de grande contador de histórias, daquelas que só os grandes escritores tinham coragem de colocar no papel, e acima de tudo do seu vasto espólio que durante décadas sem fim continuavam arquivados na sua memória.

Fez agora precisamente um ano que nos encontramos no Hotel Madeira. Estivemos presentes numa Conferência sobre “O Futuro do Transporte Marítimo na Madeira”. Na mesa de honra, reconheci-o de imediato. Era o mesmo Comandante da minha infância! Sereno, confiante, sonhando tempos passados, viagens pela Terra Nova, cruzando oceanos.

Faz hoje uma semana que se despediu do mundo. Partiu para a derradeira viagem, o derradeiro mar, aquele cheiro a salitre que os navios adquirem no seu interior de tanto navegarem. Quantas histórias ficaram por contar, quantos sonhos por concretizar, levados nas águas mansas da baía. O seu olhar fitando o horizonte, colocando a mão direita sob a testa, perdurará durante anos no velho cais da cidade. Na minha memória estou vê-lo descer a íngreme calçada a caminho do seu mágico mundo azul.            

quarta-feira, 28 de julho de 2010

BUDDHA GARDEN - BOMBARRAL II

Algumas fotos do BUDDHA EDEN GARDEN, junto à Vila do Bombarral - Oeste. Trata-se do maior Jardim Oriental da Europa dedicado à Paz e pertencente à Fundação Joe Berardo, o mesmo que detém o Monte Palace na Madeira. Apesar de ainda se encontrar em construção é sem dúvida um espaço a visitar este Verão.
Fotos CAM