domingo, 23 de janeiro de 2011

BREMERHAVEN - O FIM DE UM CICLO

A cidade de Bremerhaven

Confesso que tenho tido pouco interesse em escrever nos últimos tempos. Contribuiu o facto de estar doente à quase dois meses e de ter tido a triste noticia da perda de uma amiga, Elzelina que vivia na cidade de Bremerhaven.

Em 1976, tive duas familias naturais desta Cidade do Norte da Alemanha. Foi o iniciar de uma longa amizade de décadas que mantivemos através de correspondência, de telefonemas, visitas à Madeira e a Lisboa, enfim, de momentos inesquecíveis. Através deles, outros amigos surgiam, outras ideias, passeios ou convivios iam deslumbrando a minha mente.
Conheci Birte e Elzelina. Familias uniram-se e desfizeram-se mas a cidade mantinha-se intacta como se de um ícone se tratasse.
Elzelina era pintora! Apaixonada pelos navios, veio conhecer Lisboa através de um convite meu. Queria descobrir o país de navegadores a sua Torre (de Belém) tantas vezes fotografada  pintada por ela.   
Mas a vida não pára, e o meu aniversário foi tristemente ensombrado com aquele e-mail fatal, uma simples frase: "Elzelina acaba de falecer após um ano de luta dramática". 
Um silêncio varreu a minha mente. O telefone não parava de tocar. Acabei por ser o porta-voz de uma série de outros amigos por essa Europa fora a retransmitir uma simples frase triste e fatal!

 O navio FRANCE em Bremerhaven

Uma paixão por navios

Quando contactei pela primeira vez com a pintora Elzelina Ehlers, atraiu-me o facto de ser da cidade de Bremerhaven, no Norte da Alemanha, onde anos antes tinha tido vários amigos. Depois ao ver as magnificas aguarelas sobre o navio France, senti a nostalgia da minha infância, o prazer de ver aquelas belas chaminés em forma de “sombrero mexicano” de cores negra e vermelha. A partir desse momento, nunca mais nos separamos! Ela ficou tão entusiasmada que após insistência minha, veio de propósito a Lisboa visitar-me. Durante 15 dias, falamos de tudo um pouco: literatura, desporto, politica e cultura em geral. Isto sem contar com a sua paixão pelo mar, pelos navios e por transpôr para a tela, o seu segredo pelo mar . Um dia, falamos de Hermann Hesse, Thomas Mann e Fassbinder. No dia seguinte, esperou-me perto do meu serviço e ofereceu-me um livro de Hesse, um livro de técnicas de pintura e meia dúzia de bons pincéis. Agora pinta… dizia-me!