quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A GELATINA ROYAL E A EXPLORAÇÃO DO ESPAÇO

Todos os sábados, depois do almoço era sempre a mesma azáfama! Primeiro começavam por bater a massa para os bolos. Umas vezes uma torta recheada com fruta. Outras, bolo Madeira, bolo de laranja ou um pudim confecionado com frutas da época. No final e para acabar em beleza, vinham as folhas brancas e as vermelhas com sabor a morango para a geleia. Adicionando às ditas folhas transparentes que se compravam na Mercearia Caju, esquina da Rua do Surdo com a Carreira, adicionavam-se dois pacotes de gelatina Royal, que poderiam ser de cor vermelho vivo, sabor a morango ou verde com sabor tutti-frutti. Então a minha atenção virava-se para as caixas de cartão, iguais às que ainda hoje se mantém da marca Royal. Dentro de cada pacote vinham dois cromos com a História da Exploração do Espaço. Através dos cromos com fotos coloridas, aprendi os segredos de Gagarine, as missões Gemini os foguetões Saturno ou os projectos de Von Braun. Lembro-me como ficava deliciado mais com os pequenos rectângulos do que propriamente com o sabor da gelatina.  Tempos em que sonhávamos com a conquista da Lua como se fosse um momento de magia.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

FONTANÁRIO DAS CRUZES

Fontanário das Cruzes - situado no início da Rua das Cruzes.
Aguarela CAM 

sábado, 19 de fevereiro de 2011

BLACKIE




Sempre gostei de cães, mas Blackie foi diferente dos outros pelo facto de levá-lo ainda bem pequeno para casa. Os pastores-alemães são excelentes amigos, sempre alerta e excelentes guardas.
Naquele fim de semana e após pequenas obras de remodelação, tinham sobrado alguns bocados de carpete. Decidi-me a passar o sábado pregando pequenas "fatias" na casota do Blackie. Munido de pequenas tachas, martelo e x-acto, ficou um espanto... Blackie "rondava" a intromissão no seu lar. Após concluída a obra, era vê-lo entrar e sair da casota como se não fosse do seu agrado a camada fofa. Domingo, estranhei não vir acordar-me com o seu latido pronto e enérgico. Pé ante pé, fui espreitar para ver o que se passava. Alcatifa? Nem vê-la... achou mais divertido arrancá-la por completo!


SARA - HELLO AND GOODBEY

Confesso que tinha dado pela sua presença no grande salão. Os seus cabelos louros atraiam à sua passagem os turistas que naquela tarde bebericavam vinho Madeira ou uma cerveja gelada para descontrair e apreciar a paisagem. Quando chegou a minha vez, ignorei-a! Disse que não tomava nada, que simplesmente ia ler o jornal. Com toda a certeza tinha-me já visto no jardim repleto de laranjeiras ou na piscina. Perguntou-me o que fazia por ali. Disse-lhe que estava a viver no anexo dos fundos do edificio antigo. Perguntei-lhe o nome. Sorriu-me, e em tom melado saiu dos seus lábios S-A-R-A.... Convidei-a a dar uma volta, espairecer daquela monotonia própria de um fim de tarde quente de Agosto. Lembrei-me de a levar a dar uma volta pelo parque, de debruçar-me no velho varandim de Santa Catarina, ver o fervilhar do porto. Depois descemos as longas escadarias, passamos pela Gruta para tomar uma bebida.
Planos, projectos para breve! Cursos por concluir?! Por que não? Demoramos até os candeeiros tomarem vida e o horizonte escurecer. Passamos pelo Joe's Bar para beber um cocktail e fomos ouvir umas músicas ao ON THE ROCKS! Nada de especial, quando toquei na sua mão, indelével, macia e branca como uma jovem nórdica. A sua cabeça abanava questionando sonhos, fazia-me um verdadeiro inquérito familiar. Respondi-lhe em ligeiros monólogos até achar a actual sociedade monocórdia e sem sentido. Discutimos a politica da actualidade, mostrei o meu desagrado por tudo caminhar como se fosse um calvário inconcebível, incompreensível e incómodo. A conversa azedou. A música de fundo, deu lugar ao silêncio. Bebericamos o sumo de maracujá e saimos. Junto ao Sheraton, entramos num taxi. Primeiro levei-a a casa, depois rumei à minha. Confesso que nem dei conta de chegar à rua onde morava.
Na minha cabeça um turbilhão de incógnitas, de perguntas e respostas tão distantes, sem ponta por onde se pegue. Arrastei-me até à cama. Coloquei os ascultadores e fiquei a ouvir música até de madrugada. Sara não fazia sentido. Lembrei a velha frase tão em voga na nossa juventude, quando diziamos secamente "olá ou adeus". 
Encontrei-a à pouco tempo. Descia a Avenida Zarco! O seu cabelo impecávelmente penteado e louro, sobressaia. Olhou-me e tentou dar nas vistas. O costume... Eu? Procurei ignorá-la! Mas Sara queria ter a certeza que a tinha visualizado. Levantou o tom de voz e disse o tal "olá". Seco como o sabor de um velho vinho gasto pelo tempo. Como sempre... apeteceu-me responder-lhe na mesma moeda. Afinal só acenei levemente e sorri sem vontade. Apeteceu-me cantarolar um HELLO AND GOODBEY dos Beatles. Pelo menos o som seria bem melhor...

Ou os Fleetwood Mac - Sara
http://www.youtube.com/watch?v=ttOBnmXFDtQ


     

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

THE SHADOW

A SOMBRA




Tal como Lourdes Castro, sempre tive o fascínio da sombra. Quando era criança, contornava os desenhos feitos em bazalto, ao descer a Avenida do Infante ou ao passear pela Avenida Arriaga. Ficava fascinado como a sombra refletida no chão. Ora ficava grande ora diminuía à medida que os candeeiros da rua imanavam luz. Tentava apanhar a sombra! Depois, ao compreender a origem da minha própria sombra, resolvi ignorá-la! Nada melhor do que ignorar... deixarmos de olhar o chão que pisamos, esquecer a nossa pequenez.

Algumas décadas passadas, dou comigo envolto na tenebrosa missão de redescobrir a minha sombra. O que faz crescer ou diminuir de intensidade, a luminosidade da manhã ou o ocaso. A penumbra da madrugada ou o Sol esplendecente. Confesso prestar maior atenção a cada passo, do contraste preto e branco entre as pedrinhas de calcário e negras do bazalto. Saberão que as piso? Que as contorno, como nos tempos de menino dando os primeiros passos? Terão as pedras “alma”? E o que dizer então de quem as molda? Que quem as acaricia e as transforma em arte? Seremos nós escultores de sombras?


Dedicado à artista madeirense Lourdes Castro e às suas “Sombras”



sábado, 5 de fevereiro de 2011

O MONTE E OS SEUS JARDINS


Percorrendo os caminhos que circundam a zona do Monte, descobrimos a sua luxuriante vegetação e o seu microclima que fazem a diferença na paisagem madeirense.
Fotos CAM

FLORES DA MADEIRA - IV - IBISCUS vulgo cardeal


Fotos CAM

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

PORTUGAL É UM PAÍS MUITO RICO - O caso das propinas universitárias

Já nada consegue surpreender-me neste país. A sua visão de futuro chega a incomodar o mais distraído cidadão. 
Vem isto a propósito das recentes alterações relacionadas com as bolsas universitárias. Segundo dados que vieram a público nesta última semana, só a Universidade de Coimbra teve mais de 500 abandonos de alunos que não cumpriam os não puderam pagar as propinas. Por outro lado, já em Janeiro de 2010 haviam saido no D.R. alterações à candidatura das referidas bolsas. Uma vez mais, vemos que quem tem profissões liberais, foge sempre ao IRS apresentando valores que por vezes são escandalosos. Outro menos afortunados, sofrem com a recusa em atribuir apoios sociais. Ora para alunos que sejam de outras zonas que não o domicilio dos pais, isso torna completamente impossível viver sem a referida bolsa. Veja-se o caso das regiões insulares, em que os gastos em habitação, material didático e alimentação é incomportável à carteira dos pais. Mas em vez de um estado já por si doente, sem soluções viáveis para a sua juventude, em que parece ter muitos estudantes universitários, se dá ao luxo de ter alunos que abandonam a sua carreira por falta de meios. E andam os governantes a fazer um regabofe com as "Novas Oportunidades" a gastar rios de dinheiro a dar ensaboadelas ao cérebro da população de que agora sim, vale a pena estudar!!!
A meu ver se o Estado quer poupar,  deveria ser obrigatório aos alunos saber escrever e ler. Assim frequentariamos todos o pré-escolar ou do Básico e com certeza muito dinheiro cairia nos cofres de uma maneira fácil e sem transpirarem muito.
Fernando Pessoa ao afirmar que: "A Minha Pátria é a Lingua Portuguesa" estaria tão desactualizado nos dias de hoje e tão humilhado como cidadão que a Ela, Pátria tudo doou!   

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

THE CANDY MAN CAN - Willy Wonka and Sammy Davis/A song to Teresinha

A SONG TO TERESINHA

Bill: Who can take a sunrise



Sprinkle it in dew


Cover it in chocolate


and a miracle or two?



The candyman


The candyman can


The candyman can cause he mixes it with love and makes the world taste good



Who can take a rainbow


Wrap it is a sigh


Soak it in the sun


and make a strawberry lemon pie?



Children: The candyman?




Bill: The candyman


The candyman can


The candyman can cause he mixes it with love and makes the world taste good



Willy Wonka makes


Everything he bakes


Satisfying and delicious


Talk about your childhood wishes


You can even eat the dishes



Who can take tomorrow


Dip it in a deam


Seperate the sorrow


And collect up all the cream?



The candyman



Children:Willy Wonka can




Bill: The candyman can cause he mixes it with love


And makes the world taste good


And the world tastes good cause the candyman thinks it should



http://www.youtube.com/watch?v=rgbdVihagWg

http://www.youtube.com/watch?v=zRf1Ad_Txsg

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O CIRCO E O POVO

       
Two little circus girls - Renoir

O PEQUENO CIRCO
O circo tinha chegado neste final do ano um pouco atrasado. Como era de costume, o pequeno lugarejo impacientava-se com a sua presença. A criançada respirava de alivio, significava a aproximação do Natal. Mas esta vinda era estranhamente menos acolhedora. O dono do espaço onde montavam a pequena tenda, não queria ceder o mesmo sem o pagamento de um valor ao qual a equipa circense não estava disposta por falta de meios. A conversa azedou e perante o inconformismo de uns e a persistência de outros, resolveram que o melhor seria escolher outro destino, outra terra mais simpática em que não tivessem que pagar vassalagem. No dia seguinte, as crianças vieram para a rua despedir-se dos palhaços, das pequenas bailarinas e dos saltimbancos. A tristeza imperava nos rostos tímidos daqueles que tinham aguardado tanto a sua vinda. Perante tamanha desilusão, resolveram presentear o pequeno circo ambulante com alguns produtos agrícolas que tinha cultivado nas suas terras. Era digno de ser ver, a humildade dum povo, a sua generosidade quando as carroças e velhas roulotes atravessaram a única rua digna desse nome no povoado. À frente, dois pequenos rapazes abriam o cortejo com o rufar dos tambores, atrás dois elementos do circo recolhiam sacos com batatas, legumes frescos e frutas para distribuírem pelos demais, como sinal de gratidão e carinho. Os palhaços divertiam os petizes, fazendo pantominas e distribuindo balões e ninguém arredava pé a tão insólito cortejo. Era o povo aliado aos que mais precisavam na sua faceta mais solidária