quinta-feira, 31 de março de 2011

MADEIRA, ICH LIEBE DICH von MARA FELICITA



Da artista MARA FELICITA acabo de receber o seu último trabalho discográfico dedicado à Madeira. A ouvir, sem dúvida...

http://www.youtube.com/watch?v=L0yagLWb8GA

domingo, 27 de março de 2011

MORNING COLOURS





Coloridas flores da Madeira - 
fotos CAM  

VOORJAAR - SPRING - MORNING HAS BROKEN



Fotos de Solange - Flandres

Eis-nos de novo na Primavera! Onde tudo recomeça, a luz solar é mais intensa após longa hibernação.
Serão 4 horas da manhã! Ao Domingo, sem o incómodo ruido do trânsito, consigo ouvir o melro preto na sua longa sinfonia matinal. Anuncia a sua azáfama na construção do seu novo lar e, penso que canta à minha janela alegrando a minha disparatada insónia. E como ele canta alegrando a minha manhã!
Para terminar com Cat Stevens

quinta-feira, 24 de março de 2011

ITSUKUSHIMA

Confesso que tenho uma grande admiração pelo povo japonês. A tragédia que atingiu o País do Sol Nascente é impressionante. A sua tenacidade, força de viver e organização são um exemplo de coragem para todos nós. Irão de certeza, ultrapassar mais esta barreira difícil. Com alguns amigos que tenho em Tóquio, fico preocupado em não ter noticias mais actuais, mas compreendo que o momento não é o mais aconselhado!
Na foto, o maravilhoso Santuário de Itsukushima.

VIENNA KAFFEEHAUS

Vienna KaffeeHaus in Lissabon

Gosto de passar pelo café Viena junto ao Chiado ao fim da tarde. Sem pressas, sem aquele stress da cidade que corre “sem saber por quê”?.

Aproveito para tomar o meu Riesling levemente fresco com que me servem, ouvir a música de fundo e ler a imprensa diária. Uma pausa para nos fazer esquecer estes tempos difíceis. Por vezes dou comigo a pensar em Romy Schneider ou Stefan Zweig na familia Strauss, Freud ou von Trapp... um cantinho vienense!

quinta-feira, 17 de março de 2011

A MENINA felicidade E OUTRAS MENINAS




À muitos anos, lembro-me de descobrir a menina Primavera!
Era simpática, florida, perfumada como todas as Primaveras. Comparava-a à   velha musiquinha em que meninos soletravam ter encontrado a Primavera, ali em baixo no jardim… Então fiquei parado, ao vê-la passar pelo Jardim Municipal!

Depois, conheci a menina Felicidade!
Era bonita. Mesmo muito bonita. Passava pela rua, sempre apressada. Olhava-me de soslaio e sorria! Sorria sempre… Confesso que andava enamorado com a sua presença. Confiante, altiva, a sua imagem  inspirava confiança, aquela que tanto ansiamos ao longo da vida.
Certo dia, escrevi-lhe um poema! Daqueles poemas que todos os jovens escrevem quando estão enamorados, irreconhecíveis “enluarados”. Ela leu e disse-me que de futuro passasse a escrever o seu nome em letra minúscula!
- Escreve por favor, fe-li-ci-da-de! Mas por quê com minúsculas? – respondi-lhe!
- Carlos, dizia-me ao ouvido. A felicidade é tão pequenina, tão efémera que não temos tempo para escrevê-la em letra grande… Confesso que não percebi nada onde queria chegar com aquele palavreado. Por mim, insistia teimosamente em escrever o seu nome em maiúsculas.
-  FE-LI-CI-DA-DE…

Foi Sol de pouca dura, quando fui apresentado à menina utopia!
- Não podes confiar demasiado na menina felicidade… ela é tão volátil, tão invisível, que depressa irás aprender a sua missão. Por essa altura, o meu cérebro fazia lembrar um velho passador, cheio de buracos ocos. Como podia a menina utopia ser tão insensível, irreal e desumana? O certo é que no meu horizonte, deixei de ver a menina felicidade. Irreconhecível e desiludido, passei a dedicar-lhe poemas de amor em letra pequenina. Jamais escrevi o seu nome em maiúsculas, jamais a vi sorrir descaradamente, passar pela minha rua e olhar-me de soslaio. Confesso que fiquei de novo doente, irremediavelmente incurável! Afinal, a menina utopia tinha razão! É tudo tão volátil, efémero que nem temos tempo para nos conhecermos.

Foi quando descobri a menina saudade… Sempre lamentando o tempo que não viveu, o tempo que não amou, o tempo em que não ligou à menina Primavera, à menina felicidade, à menina utopia. Agora restava-lhe sentar-se na velha cadeira de baloiço, a mesma cadeira em que outros se apoiaram em tempos idos, deixar-se levar pelos braços da menina saudade.
E a menina saudade passava as tardes a sonhar, a sonhar…    

domingo, 6 de março de 2011

FRASES SOLTAS - ROSALÍA E HAYDN


Teria uns oito anos, aqueles em que se lê desenfreadamente livros em busca de algo mágico. Num velho livro sobre Haydn, li:

Vou partir,
vou deixar a minha terra
e tu amor, virás ...

Confesso que esta simples frase, acompanhou-me durante muitos anos. Por vezes, quando saía da Madeira, ela continuava sempre actual, sempre triste aquela sensação de um nó na garganta de um adeus. Uma simples frase que não me saía do pensamento.

Anos mais tarde, descobri por simples acaso na baía de Vigo, um pequeno barco em que ostentava no seu costado a frase: "Por camiños da minha terra"! Achei tão bonito dar este verso da grande poetisa galega Rosalía de Castro, a uma simples embarcação. E fui à procura de quem a teria escrito. Um barco que navega pelas águas, rios e mares, pelos verdadeiros caminhos da minha terra. E eu fiquei enamorado das suas gentes, costumes e poemas. Pelas suas tradições singelas, traços Celtas, ervas de namorar, queimada ou o simples olhar daquela rapaciña vitima de violência franquista que nos anos 70' de seu nome "Victoria" me acompanharia até à Catedral de Vigo, infestada de la Guardia Civil.

Uma simples frase que nos pode acompanhar a vida inteira.         

ADIOS, RIOS; ADIOS, FONTES - ROSALÍA DE CASTRO

Adios, rios; adios, fontes







Adios, ríos; adios, fontes;


adios, regatos pequenos;


adios, vista dos meus ollos:


non sei cando nos veremos.






Miña terra, miña terra,


terra donde me eu criei,


hortiña que quero tanto,


figueiriñas que prantei,






prados, ríos, arboredas,


pinares que move o vento,


paxariños piadores,


casiña do meu contento,






muíño dos castañares,


noites craras de luar,


campaniñas trimbadoras


da igrexiña do lugar,






amoriñas das silveiras


que eu lle daba ó meu amor,


camiñiños antre o millo,


¡adios, para sempre adios!






¡Adios gloria! ¡Adios contento!


¡Deixo a casa onde nacín,


deixo a aldea que conozo


por un mundo que non vin!






Deixo amigos por estraños,


deixo a veiga polo mar,


deixo, enfin, canto ben quero...


¡Quen pudera non deixar!...






Mais son probe e, ¡mal pecado!,


a miña terra n'é miña,


que hastra lle dan de prestado


a beira por que camiña


ó que naceu desdichado.






Téñovos, pois, que deixar,


hortiña que tanto amei,


fogueiriña do meu lar,


arboriños que prantei,


fontiña do cabañar.






Adios, adios, que me vou,


herbiñas do camposanto,


donde meu pai se enterrou,


herbiñas que biquei tanto,


terriña que nos criou.






Adios Virxe da Asunción,


branca como un serafín;


lévovos no corazón:


Pedídelle a Dios por min,


miña Virxe da Asunción.






Xa se oien lonxe, moi lonxe,


as campanas do Pomar;


para min, ¡ai!, coitadiño,


nunca máis han de tocar.






Xa se oien lonxe, máis lonxe


Cada balada é un dolor;


voume soio, sin arrimo...


Miña terra, ¡adios!, ¡adios!






¡Adios tamén, queridiña!...


¡Adios por sempre quizais!...


Dígoche este adios chorando


desde a beiriña do mar.






Non me olvides, queridiña,


si morro de soidás...


tantas légoas mar adentro...


¡Miña casiña!,¡meu lar!






in Cantares Gallegos (1863)


Adeus, rios; adeus, fontes



Adeus, rios; adeus, fontes;

adeus, regatos pequenos;

adeus, vista dos meus olhos;

não sei quando nos veremos.



Minha terra, minha terra,

terra onde me eu criei,

hortinha que quero tanto,

figueirinhas que plantei,



prados, rios, arvoredos,

pinhares que move o vento,

passarinhos piadores,

casinha do meu contento,



moinho dos castanhais,

noites claras de luar,

campainhas timbradoras

da igrejinha do lugar,



amorinhas das silveiras

que eu lhe dava ao meu amor,

caminhinhos entre o milho,

adeus para sempre a vós!



Adeus, glória! Adeus, contento!

Deixo a casa onde nasci,

Deixo a aldeia que conheço

Por um mundo que não vi!



Deixo amigos por estranhos,

deixo a veiga pelo mar,

deixo, enfim, quanto bem quero…

Quem pudera o não deixar!...



Mas sou pobre e, malpecado!

a minha terra n’é minha,

que até lhe dão prestado

a beira por que caminha

ao que nasceu desditado.



Tenho-vos, pois, que deixar,

hortinha que tanto amei,

fogueirinha do meu lar,

arvorinhas que plantei,

fontinha do cabanal.



Adeus, adeus, que me vou,

ervinhas do campo-santo,

onde meu pai se enterrou,

ervinhas que biquei tanto,

terrinha que nos criou.



Adeus, Virgem da Assunção,

branca como um serafim;

levo-vos no coração;

vós pedi-lhe a Deus por mim,

minha Virgem da Assunção.



Já se ouvem longe, mui longe,

as campanas do Pomar;

para mim, ai!, coitadinho,

nunca mais hão de tocar.



Já se ouvem longe, mais longe…

Cada bad’lada uma dor;

vou-me só e sem arrimo…

Minha terra, adeus me vou!



Adeus também, queridinha…

Adeus por sempre quiçá!...

Digo-che este adeus chorando

desde a beirinha do mar.



Não me olvides, queridinha,

Se morro de solidão…

Tantas léguas mar adentro…

Minha casinha!, meu lar!



in Cantares Galegos, edição de Higino Martins Esteves

quarta-feira, 2 de março de 2011

O TIO DA AMÉRICA




O TIO DA AMÉRICA
ROD DE MEDICIS – 1901-1998

Por várias vezes tinha ouvido contar histórias do tio da América. Apesar de pesquisar na net, poucas informações consegui sobre o assunto.

Tomei conhecimento de que o tio Rod tinha embarcado com destino ao Novo Mundo em 1919. Possivelmente Nova Iorque terá sido o porto de desembarque. A sua grande paixão, o cinema! Um ano após o término da Iª. Grande Guerra, largou a família, o rincão no Norte de Portugal e foi em busca de aventura. Confesso que fico fascinado com a sua determinação. No seu novo lar, participou em vários filmes com actor secundário. Da lista constam os seguintes filmes:

1941 – Minor Role
1944 – The Hairy Ape
1944 – Os Conspiradores
1945 – Cornered
1948 – Up in Central Park
1951 – The Great Caruso
1956 – Around the world in 80 days
1958 – In Love and War
Faleceu em 1998 em Los Angeles com a idade de 97 anos. A Portuguese Historial and Cultural Society e a Portugal American Foundation , são alguns dos sites em que fazem referência à sua carreira artística. Naquela época, só Cármen Miranda teria um estatuto cinéfilo de “estrela”. Era grande amigo de Gago Coutinho pelo qual tinha grande apreço.

Agora que os Serviços Culturais da autarquia onde o Tio Rod nasceu, pretendem fazer um pequeno museu com arquivo e biblioteca dedicado às Artes,  prestam-se homenagens aos que partiram em busca do “American Dream”.

terça-feira, 1 de março de 2011

BOM CONSELHO

Bom Conselho
Composição: Chico Buarque
Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa
Espere sentado
Ou você se cansa
Está provado, quem espera nunca alcança
Venha, meu amigo
Deixe esse regaço
Brinque com meu fogo
Venha se queimar
Faça como eu digo
Faça como eu faço
Aja duas vezes antes de pensar
Corro atrás do tempo
Vim de não sei onde
Devagar é que não se vai longe
Eu semeio o vento
Na minha cidade
Vou pra rua e bebo a tempestade

Sempre actual esta canção do Chico