sexta-feira, 29 de abril de 2011

S. GONÇALO

A Igreja e o Bairro de S. Gonçalo.
Foto CAM

sábado, 9 de abril de 2011

A ESCOLA DA RAINHA VICTÓRIA - parte I

Estás na mesma! O tempo não passou por ti, só os alunos ficaram mais velhos, só restias de saudade ao atravessar o velho túnel e sentir o cheiro dos lápis de cor... 
Foto CAM



A ESCOLA DA RAINHA VICTÓRIA - I

Era do outro lado da rua e dava pelo pomposo nome de Externato D. Diniz, na altura conduzido por uma antiga professora e directora D. Bernardete, o terror dos rapazes devido aos seus métodos pouco ortodoxos de “endireitar” o que torto nascia! Não era o meu caso, mas os jovens que por vezes já caminhavam para os 18 anos e ainda não tinham concluído a 4ª.classe, eram colocados pelos pais como sendo a última esperança de tirar o diploma e inserirem-se no mercado de trabalho. Os pais abriam os cordões da bolsa, tentando numa réstia de esperança que os seus pupilos saíssem da escola com o famigerado papel de conclusão do ensino primário. Depois, tinham as 1ª.e 2ª. classes em que os filhos de pais com posses, desafiavam os alunos de escolas modestas com o seu orgulho idiota de “menino da mamã”. Não estava incluído nesse rol, mas por ironia do destino, acabei por sair no final do ano, após uma violenta discussão da “grossa” com a temível D. Bernardete. São os próprios filhos que o diziam:

- A nossa mãe é como a Rainha Victória!
E realmente a dita senhora era um autêntico terror em pessoa. Bastava sermos chamados à atenção ou ir aos seus aposentos, para que muitos dos meus colegas de carteira, eu incluído, sentirmos a “ termideira” que isso nos causava! A forma como nos falava, ou nos pregava os mais variados castigos, acompanhados de valentes reguadas.

Para os meninos “anjinhos”, premiavam-se! O Senhor Gomes, detentor da mercearia da rua, tinha sempre um stock de chocolates Regina (daqueles que imitavam os Toblerone) para serem adquiridos como troféus, aos que no quadro de honra, eram exemplo a seguir. Os maus, tinham como recompensa, ficarem de braços estendidos em cima da carteira, parecendo Cristos Redentores. Escusado será de dizer que ao fim de alguns minutos, não aguentávamos aquela posição e deixávamos os braços descair lentamente. Nessa altura, a professora Lourdes, encarregava-se de dar mais uns “bolos” nas mãos dos prevadicadores que ficavam com as mãos vermelhas e a “ferver”. Ainda por cima, os ditos Cristos ficavam junto às inúmeras janelas que deitavam para a calçada, sendo alvo de chacota dos transeuntes que os apelidavam de “burros”. Deitar um pingo de tinta no papel almaço de 25 linhas onde se fazia a prova escrita; páginas sujas dos livros ou folhas dos cadernos rasgadas, eram alvo da inspeção semanal com os respectivos castigos corporais. Coube-me algumas repreensões e castigos de “braços abertos” por situações de indisciplina. Por vezes, quando tinha de comer o almoço na sala, eram inspecionadas as cestas de vime, verificando se tínhamos comido a sopa o que no meu caso, em dia que constasse nabo na sua confeção, tinha “sobremesa” pela certa! Assim, tinha por hábito perguntar de que constava a sopa e se tivesse o referido legume, atirava fora antes de chegar à escola! Nada melhor prevenir do que remediar!

ABSOLUTE BEGINNERS - ABSOLUTE BOWIE

From the "good old times"

http://youtu.be/o_cHvtPB2dY

domingo, 3 de abril de 2011

DE PARTIDA!

És tu no teu lado mais profundo - foto CAM

Eis-nos de partida! Aquela sensação de que deixamos algo para trás, que estamos a perder algo no tempo. Tudo sem rumo, sem sentido, sem futuro. Naquela tarde, passamos horas a fio a escolher fotos, trabalhos para a tua escola,  para os alunos. Talvez façam falta! - dizias. Eu sentia os minutos passarem, as horas fugirem perante a "tralha" que seriam as nossas futuras recordações. Então tudo acabou! Não tinhamos mais disposição para lidar com tanto artigo, revista ou livro. Perdemos a paciência por que não iriamos controlar o destino, perdemos a coragem de dizer aquelas palavras tristes que todos nós proferimos na hora da partida. Minuciosamente como era teu timbre, olhaste-me com o embaraço próprio da nossa juventude. Deixamos tudo e todos,  dissemos que nos tornariamos a ver qualquer dia. E aquele mês de Maio foi um amargo mês de Primavera, em que não senti o prazer de ver as plantas florirem no velho jardim! 
Pensar que anos antes na nossa infância, tinhamos-nos  despedido a bordo no navio "Infante Dom Henrique". Tu a caminho de Benguela, eu partindo no meu "Funchal" rumo a Lisboa. Mal saberiamos que uma década depois, estariamos de volta aos nossos lares e de novo partiriamos, inconstantes, á procura dos nossos sonhos. Incompreensível! Direi...