terça-feira, 26 de julho de 2011

MESTRE ANJOS TEIXEIRA - PARTE 3

Escultura do Mestre


Conheci pessoalmente o Mestre em 1976. Na altura, não me apercebi da verdadeira dimensão do seu carácter e da sua obra. A minha juventude e acima de tudo o desconhecimento deste homem fazia a diferença. Quase que diariamente aparecia para tomar o seu whisky, conversar com velhos amigos. Depois, tinha sempre aquele ar de felicidade, nunca o vi triste e por onde passasse tinha sempre a última anedota na ponta da língua. Era vê-lo passar o serão agarrado à sua inseparável boquilha onde enroscava cigarros após cigarros. Na parede do vasto salão, estavam alguns trabalhos que possivelmente oferecera aos donos da casa. Eu próprio admirava uma sereia em gesso num canto junto ao bar.

Foi uma década em que a sua presença, com excepção de alguns períodos em que se deslocava a Sintra, era a boa disposição das tertúlias e convívio de amigos que o admiravam. Era assim o Mestre, inconfundível e autor de obras sem fim. Espalhadas pelos quatro cantos do Mundo, era contudo na sua Madeira de adopção que se sentia bem. As obras nasciam,  multiplicavam-se sem fim!

Mestre Anjos Teixeira, filho de pai artista veio para a Madeira em 1959 e quase até ao final da vida, altura em que indeciso no caminho a seguir, optou por retornar à sua velha Vila de Sintra.

Eis uma boa proposta neste Verão para visitar a sua Casa-Museu mesmo à entrada daquela Vila, e ver as imensas obras disponíveis em que a temática madeirense se confundem com a sua vida.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

ALGUMAS DAS CRÓNICAS DE MESTRE ANJOS TEIXEIRA - PARTE 2

CRÓNICAS DE MESTRE ANJOS TEIXEIRA
–publicadas no Diário de Noticias do Funchal



Mestre Anjos Teixeira – foi contratado para reger a cadeira de escultura da Academia de Música da Madeira – D.N. – 7/7/1959




  • Busto de Beethoven – D.N. 22/3/1963
  • Um artista que desaparece – Pedro de Freitas Branco – D.N. - 26/3/63
  • Audições musicais no Liceu – D.N. - 7/5/1963
  • Exposição de trabalhos – D.N. - 10/5/63
  • Artigo sobre a Exposição – D.N. - 12/5/63
  • Um tema eterno – D.N. – 10/7/63
  • XXII Exposição do Grupo dos Artistas Portugueses – inauguradas em 25/8/1963 – D.N. 6/9/1963
  • Artigo no D.N. – 25/12/1963 – pág. 7
  • Dever de ser bela – Momento Feminino – Separata – D. N. 6/2/1964 – pág. 1
  • Artigo sobre o 2º. Concerto do Festival de Música Portuguesa  - D.N. - 17/2/64
  • 3º. Concerto do Festival de Música Portuguesa  - D.N. 20/2/1964 – pág. 1
  • A lição da música e dos músicos – D.N. – 29/2/1964
  • O flagelo da má-língua – D.N. 4/3/64
  • “O Palrista” – texto e ilustrações – D.N. 29/3/1964 – pág. 7
  • A consciência tranquila – D.N. – 17/4/64 – pág. 1
  • Homenagem a Paul Hindemith, na Academia de Música e de Belas Artes – D.N. 29/4/1964 – pág. 1
  • O 8º. Concerto promovido pela Câmara Municipal do Funchal – D.N. - 11/7/64
  • Problemas da Arte Sacra – D.N. - 29/7/64
  • Os grandes concursos internacionais de música – D.N. – 24/8/64
  • Frutos visíveis de uma obra meritória – Academia de Musica e de Belas Artes da Madeira – D.N. – 28/8/64
  • Anton Kuerti – O Pianista Ilustre – D.N. – 7/12/64 – pág. 1
  • Conto de Natal – “A Tia Felicidade e a Graça de Deus” – Ilustrações e texto de Anjos Teixeira – D.N. – 25/12/64 – pág. 3
  • O Ano Artístico – D.N. – 1/1/65 – pág. 5
  • Declarações do Professor Winfried Wolf  sobre o 4º. Festival de Música da Madeira – entrevista – D.N. - 26/2/1965 – pág. 1
  • O 4º. Festival de Música da Madeira – D.N. 6/3/1965 – pág. 1
  • Grandezas e misérias no mundo do desporto – D.N. – 6/3/65
  • O 4º. Festival de Música da Madeira – D.N. - 14/3/65 – pág. 3
  • O 4º. Festival de Música da Madeira – D.N. - 15/3/65 – pág. 1
  • Balanço do 4º. Festival de Música da Madeira – D.N. - 18/3/65 – pág. 1

MESTRE ANJOS TEIXEIRA - PARTE 1

Diário de Noticias de 7/7/1959
O Boletim da “Casa da Madeira” em Lisboa publicou num dos seus últimos números, uma entrevista, da autoria do Senhor Eduardo de Agrela, com o competente escultor profissional Anjos Teixeira, que ora se encontra no Funchal.

Inserimos s seguir, um excerto dessa entrevista:

“A Academia de Música e Belas Artes do Funchal, pôs à disposição dos seus alunos um inapreciável valor – um mestre que ali às raras qualidades de artista o profundo e seguro conhecimento de todas as técnicas auxiliares da escultura.

Anjos Teixeira, mestre liberal, ensina rindo – cria nas aulas a atmosfera de alegre espiritualidade que no seu atelier, em Sintra, enfeitiça os amigos e os faz voltar, dia após dia, em busca desse oxigénio que se torna indispensável.

A sua vasta obra encontra-se representada nos museus de Arte Contemporânea, da Guarda, Figueira da Foz, Tomar e Caldas da Rainha. É autor de vários monumentos espalhados pelo Continente e Ultramar: Egas Moniz, Viana da Mota, “Nu” do Parque Eduardo VII, Mulheres de Leiria, Animais Nossos Amigos, no Jardim Infantil à Memória de Afonso Lopes Vieira e muitos mais.     

A “Casa da Madeira” sempre atenta a tudo o que contribua para a valorização da sua distante “Pérola” abriu as páginas do “Boletim” ao Mestre Ilustre, a quem muito ficará a dever, a geração de artistas madeirenses que agora ensaia os primeiros passos.

Pedimos-lhe que nos contasse as impressões que colheu nesta primeira visita à Madeira. A resposta está no artigo que amavelmente nos dedicou e neste mesmo boletim publicamos. Interrogado acerca das qualidades artísticas dos alunos que lhe foram confiados, respondeu:

- Duma maneira geral interessaram-me e compreendemo-nos. São jovens bem dotados, invulgarmente correctos, amáveis e afectivos. De resto, a preparação didáctica que já tinham, facilitou imenso a minha missão. A actual assistente de escultura, D. Manuela Aranha, põe todo o interesse no trabalho; estou certo de que da nossa colaboração poderá resultar algum bem”.    

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A ESCOLA E A CESTA

Esta é a cesta onde levava o almoço para a escola. Tem resistido ao tempo e ainda se mantém em bom estado. Hoje substitui-se o vime por plástico e depois deita-se para o lixo.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

ARMÁRIOS E GUARDA FATOS - parte I

ARMÁRIOS E GUARDA FATOS – parte I


Seria porventura Ruizinho um menino bem educado, estimado pelos avós Olga e Eurico. Com eles, passava o dia entretido em desfolhar livros de cavalaria ou romances ilegíveis pois ainda não tinha o dom de ler, mas pelo facto de por sua livre vontade estar entretido a ver as ilustrações de pesados volumes e herança literária nobre e rica. Se na época, as revistas femininas exerciam forte pressão ou antes direi, inclinação para a “Crónica Feminina” outras mais fáceis de decifrar, deixavam um longo rasto de agonia nas fotonovelas,  nos corações de jovens meninas casadoiras deixavam cair “ais” sem fim.

Assim se ocupava Ruizinho mantendo as aparências de anjinho em formação ou diabinho em queda. Naquele dia infinito irá conhecer a desilusão da vida doce e cor de rosa, ao tentar ser cavaleiro em busca da sua amada, espadachim “quixoteano” ou  mosqueteiro mártir.

À muito via Mariazinha passar na rua pela manhã rumo à venda do Senhor Jerónimo ali para os lados da Rua das Dificuldades. Depois da passar o Torreão, era só entortar para o Pombal, e ei-la no esconso e sombrio estabelecimento de frutas e legumes. Papel na mão com os recados dados pela patroa D. Tereza de Vasconcelos, distinta senhora desta praça funchalense que quis o destino se tornaria minha directora duas décadas depois! Enfim, acasos da vida… mas dizia eu que Mariazinha era uma humilde criadinha, menina de recados e ajudante de cozinha que por dificuldades económicas a família mandara desde os confins da Camacha até à cidade, em busca de melhores dias. E ela franzina, ainda com corpo de boneca e alva bata, cumpria escrupulosamente as ordens vindas dos seus senhores.

Naquela manhã solarenga, Ruizinho já a tinha expiado pela porta entreaberta da casa onde morava. A azáfama dos turistas, os táxis e os carros de cestos do Monte, desaguavam na Rua do Pombal, numa indecifrável miscelânea de línguas nórdicas em que a “Madeira dos Vapores” dos anos sessenta passados era fértil. E nada mais importava! Tivesse o barrigudo policia de prevenção na esquina, ou cidadãos mais ou menos anónimos que se deliciavam com a movimentação, dos carros de bois, molengões e de cheiro pronunciado a feno e a gado. Ela subiu a Rua das Dificuldades e ao aproximar-se da porta do pestinha Ruizinho, num ápice este escancarou a placa de madeira, deu uma sapatada na mão de Mariazinha, que segurava um cartucho cheio de couve picada, a caminho de um possível milho que aguardava ao lume. Perante a surpresa do acto, ela ainda esboçou um sorriso Monalíssico. Depois, perante tamanha confusão olhou para o verde passeio e correu em direcção do policia que se encontrava de serviço e apoio aos turistas. Ruizinho bateu com a pesada porta castanha, escapuliu-se para o segundo piso em busca de protecção divina. Mas aonde teria apoio? Lembrou-se então do colossal armário de parede. Era um gigantesco móvel que tinha por finalidade arrumar as roupas das camas que não eram utilizadas no dia a dia, guarda-fato e arrumação diversa de chapéus altos e malas de viagem. Abriu umas das múltiplas portas e encafuou-se em casacos de peles com cheiro a naftalina, impregnados de perfume lavanda Ach Brito. Ali, por certo, ninguém o conseguiria descobrir! O seu corpo tremia de medo, a sua mente visualizava momentos de tortura na prisão, de sovas dadas pelos pais, e puxões de orelhas descomunais. Ele já tinha ouvido ao passar pela esquadra da Rua de S. Francisco, os gritos de presos que eram molestados pelos agentes. Agora seria a sua vez…
O metálico batente da porta não tinha sossego! O policia barrigudo e de farto bigode, queria tirar a limpo a situação. Valeram os velhos avós Olga e Eurico que prevendo a    situação mal parada, pagaram o prejuízo de cinto tostões de caldo verde e abafaram o trauma da menina Mariazinha.

Após este incidente, Ruizinho ficou em estado de letargia. Dormia mal, tinha pânico a policias quando cruzava com as autoridades na rua e nunca mais dirigiu palavra à menina com corpo de boneca e alva bata que desempenhava as suas lides domésticas junto ao Engenho do Hinton, no Torreão.

Vinte anos depois, soube que Mariazinha tinha falecido! Ruizinho mantém-se  traumatizado quando passa na Rua do Pombal. Ainda sente calafrios de arrependimento, cheiros de alfazema e naftalina ou as largas batidas na porta que um polícia enérgico e desalmado conseguiu fazer à sua mísera consciência.         

quarta-feira, 6 de julho de 2011

GUTEN TAG MADEIRA - mit Mara Felicita



Feuer Baum in Funchal Stadt


Uma nova canção de Mara Felicita dedicada à Madeira
BOM DIA MADEIRA