sábado, 22 de dezembro de 2012

MARY DI BIANCHI


Quando Francesco estava perto de comemorar o seu octogésimo ano de vida, os desafios de seu envelhecimento eram por demais evidentes. Problemas associados com a locomoção, incapaz de tomar decisões nos negócios de vinhos, tornava-se um pesado fardo e optara-se por solucionar a questão sem ferir muito a suscetibilidade dos filhos e familiares mais chegados. Agora, o terceiro piso da casa na Rua do Pombal era o seu mundo, os seus aposentos, o seu trono. Como nos seus tempos de casado, conservava parte do seu vasto espólio, que então estava espalhado por outras quintas da Madeira. Cómodas cheia de imensos objetos em prata, cama com dossel, alta quanto baste para que se pudesse articular entre o leito e o soalho corrido, de madeira escovada e encerada periodicamente. O seu isolamento acentuava-se a ponto de não conseguir descer as longas escadarias que vinham ter ao grande salão das refeições e, onde uma bifurcação de degraus polidos e corrimões da casa colonial, onde as criadas suavam as estopinhas para mantê-las imaculadas. Os seus filhos preocupados com a situação, optaram então, por arranjar uma vigilante que pudesse minorar o efeito da sua dependência e solidão. Os anos não perdoam, e oitenta não é para qualquer um! Depois de uma vida de labuta, de ainda muito cedo ter enviuvado e gerido todo o seu pequeno império na cidade. Na época, após anúncios num jornal da região, a escolha incidiu em Maria, como a preferida, havendo um consenso de que a jovem senhora esbelta, com reconhecidos méritos fosse a escolhida,, tanto pela sua simpatia, cartas de recomendação e fino trato bem como e, levada cultura que demonstrara ao falar fluentemente diversas línguas. Defeitos eram irrelevantes para a altura! Haveria que optar-se rapidamente por um final que agradasse a Gregos e Troianos, aliviando assim a carga familiar em particular, pois não era fácil mantê-lo sob vigilância as vinte e quatro horas do dia. Após a resolução e da distribuição das tarefas que Maria teria de desempenhar, começaram a surgir no horizonte, nuvens de uma borrasca.

Primeiro foi a questão do seu nome! Exigia ser tratada por Mary, pois o seu anterior patrão, importante negociante britânico assim a obsequiara na sua estada na Cidade do Cabo. Claro que Francesco, embora fosse descendência de linhagem italiana, que vindos de Génova, um dia aportara à Ilha da Madeira. Não queria descer na sua posição, e muito menos dar o braço a torcer contra todos os que lhe fariam frente ou invejassem o seu posto de trabalho.

Após se familiarizar com a restante equipa que vivia na mesma casa, as conversas sobre o Cabo, o Apartheid ou Mandela, eram de todo evitadas! Na altura, aos britânicos, exigia-se lealdade e correção, aprumo e obediência, fatores primordiais para se ser elogiada e considerada uma miss qualquer coisa! Já tinha bastado o caso Gandhi, agora de novo explorado pelo fato de a India se encontrar em conflito com a República Portuguesa, devidos aos nossos antigos territórios, enclaves que nós acabávamos de perder, e mais; eramos corridos, escorraçados e abandonados pelo governo de então. Era demasiada humilhação!

Mas dizia eu, Maria ou se preferirem Mary, tinha nariz empinado, manias de mandona, como se a comparassem ao próprio rochedo de Gibraltar e dura de roer! Claro que não caiu no goto das outras empregadas, meras marias sem títulos nem brazão, fossem eles de nobreza duvidosa ou cartas de recomendações. Dizia-se na época que Mary era irrascível, difícil e presunçosa q.b.! Cagança como se designava este tipo de personalidade, convenhamos que não lhe faltava! Quem quisesse conspirar, também não. Até se descobrir, após ser apanhada a desviar as economias de Francesco, as joias da coroa del signore, que a tinha auxiliado e dado guarida. Ela não passava de uma caçadora de tesouros, e relíquias decadentes que a pudesse em momentos difíceis, se manter a salvo com o seu pé de meia. Quando passava por mim, tinha sempre aquele olhar de repreensão, tentando dar-me lições de ”very british mania”, com ares de nani, o que eu odiava! Tratava o seu amo e senhor, uma espécie de papá e amante, ansiava ainda em tornar-se uma futura Signora Mary di Bianchi. Mas o seu empinado nariz, não iria durar mais do que dois anos, até ao falecimento de Francesco. Sem a sua presença, os Di Bianchi prescindiram da sua colaboração e restou-lhe a porta principal para sair airosamente da situação. Teria de novo, de descobrir novos tesouros, novas oportunidades para demonstrar os seus dotes de pirataria.

Estava eu de viagem do Funchal para Lisboa, a bordo dum paquete, quando a reconheci debruçada na amurada, fazendo passar-se por uma “true lady” conquistadora de corações, de fortunas de velhinhos ou novos ricos que a sustentasse e lhe desse status perante os outros. Mary não passara de um embuste, uma farsa italiana, ignorada pelas ruas da amargura!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A MULHER QUE IDOLATRAVA COUSTEAU

 A MULHER QUE IDOLATRAVA COUSTEAU

Para 2013, será este o titulo do meu novo trabalho baseado em factos reais, de uma mulher apaixonada pela vida no mar e pelo Comandante Jacques Cousteau e do convite feito para visitar a Madeira em 1965.

ARTISTA CARLOS LUZ EM ENTREVISTA AO D.N.

ENTREVISTA DO ARTISTA PLÁSTICO MADEIRENSE CARLOS LUZ AO DIÁRIO DE NORTICIAS DO FUNCHAL EM 11 DE DEZEMBRO DE 2012 - 5 Sentidos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

RAVI SHANKAR




Pandit Ravi Shankar, the revolutionary musician whose virtuosity took him into the firmament and inspired cultures across the globe, has died. He was 92. The man who so influenced the Beatles and George Harrison.


http://youtu.be/N4PM5X0shYc
  http://youtu.be/EV8PuW9pmBE


100000805903586@facebook.com






PARA VIVER UM GRANDE AMOR - VINICIUS DE MORAES

Ôba!
PARA VIVER UM GRANDE AMOR... MEU CARO VINICIUS VOCÊ DEU TANTO, TANTO VERSO, TANTO SONETINHO EM PAPEL ALMAÇO, DEIXOU AQUELE VAZIO NO NOSSO CORAÇÃO. QUANDO VOCÊ PARTIU, FIQUEI DOENTE DE POESIA. E AO MEU PENSAMENTO VEIO AS PALAVRAS, AS QUADRAS DE AMOR, OS LIVROS QUE NA PRATELEIRA REPOUSAM, OS SAMBAS DE RODA, TOM E VINICIUS, CHICO E TOQUINHO. QUE VONTADE DE VOLTAR A TER NOS MEUS, OS TEUS BRAÇOS, MEU DEUS SEM VOCÊ NEM SEI VIVER, O SEU SORRISO, SEM VOCÊ MEU AMOR EU NÃO SOU NINGUÉM...   


http://www.youtube.com/watch?v=fXNG2SVSIUE&feature=share&list=AL94UKMTqg-9CXa3O4P0Egab3xgY26HVnZ

http://www.youtube.com/watch?v=TaLnz0SUxe8&feature=share&list=AL94UKMTqg-9CXa3O4P0Egab3xgY26HVnZ

http://www.youtube.com/watch?v=lsAxxQS-TJ8&feature=share&list=AL94UKMTqg-9CXa3O4P0Egab3xgY26HVnZ

http://www.youtube.com/watch?v=Tl6xT48MyXw&feature=share&list=AL94UKMTqg-9CXa3O4P0Egab3xgY26HVnZ

Eu sei que que vou te amar, por toda a minha vida...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O PAI NATAL E A BRANCA DE NEVE

O PAI NATAL E A BRANCA DE NEVE





Era um dia especial no infantário. No palco, as crianças dançavam canções de Natal. Na imensa poltrona, o Pai Natal controlava os pedidos entre sorrisos, semi- palavras, garatujas nas faces de meninos cheios de pressa em crescer. Elena estava meticulosamente vestida de Branca de Neve. Na sua cabecinha saiam cabelos brilhantes e uma coroa de rosinhas brancas, como as bonecas que espreitando dentro das montras, esperavam que as comprassem e as levassem para os braços de nenas. Elena não desarmava! Era a rainha da festa! De uma das mãos envergava a varinha mágica cintilante com uma estrela na ponta. E ela queria fazer magia naquela noite!


O Pai Natal procurava serenar os ânimos mais alvoroçados da sala. A um canto a educadora, Olga dava instruções. Agora para este lado, dancem para o Pai Natal… Elena, não perdia pitada. Estava obcecada, hipnotizada pela figura de grandes barbas que levantando-a, sentou-a ao colo. Elena de vez em quando, lembrava-se de que precisava ir à casa de banho, mas era impossível perder aquele momento mágico, e ademais queria pedir aquela boneca da loja da vila. Por fim, já não aguentava mais! Ainda pensou que era um pequeno xi-xi sem importância. Só quando ouviu o Pai Natal queixar-se que estava todo molhado, tomou consciência de que tinha alagado tudo em seu redor, perante a risada de miúdos e graúdos, ela usou da sua varinha mágica e iluminou a sala como uma verdadeira princesa.

domingo, 16 de dezembro de 2012

OS SAPATOS NOVOS

OS SAPATOS NOVOS


CONTO DE NATAL

O vento uivava por entre as frestas da porta da cozinha. A noite à muito tinha descido sobre a montanha, sobre os caminhos da aldeia, as casas desoladas e velhas e tristes. Só o fumo que saia das chaminés indicava presença humana. Na rua, nem vivalma. Ninguém se atrevia a calcorrear as pedras de basalto.. Também na pequena casinha, humilde sem comparação, da casa da avó Matilde, acocorada à lareira, via o crepitar das poucas brasas incandescentes que iluminavam as paredes frias, e projetavam como se fossem marionetas ou sombras chinesas num palco. Ali existia gente! Avó e neto, olhar fixo no borralho alaranjado que emergia mansinho no chão. O silêncio era comovente. Ninguém ousava abrir a boca fosse para o que fosse. Matilde e Pedro sentiam a chuva cantar nas telhas, tamborilar na soleira da porta, salpicando compassadamente como fossem notas musicais. As brasas, essas iam desmaiando e transformando em pó cinzento e branco, tão leve como o vento que assobiava lá fora. Por fim, a avó interrompeu o tempo e comentou como se falasse para si mesma:

- Mas que noite longa!

Sabia que em outras casas das redondezas, a noite iria ser aconchegada e quente. Doces e carne de vinha de alhos, presenteariam os que se agrupavam à roda das mesas fartas, que das cozinhas aprontavam a canja para depois da missa do galo.

Pedro brincava com um graveto, tentando juntar bocadinhos de carvão ainda por queimar, fazendo os possíveis por avivar as chamas na lareira. Também ele sabia que aquela noite de consoada, iria ser longa. O sapato com que usava diariamente para ir à escola, equivalia à invernia da noite, ao vento que teimava em passar entre os buracos das madeiras do casebre, ou deixava entrar a chuva pela sola, esburacada pelo uso, a pedir misericordioso conserto do tio Manuel sapateiro da aldeia, e que nas horas vagas, se dedicava à arte de prolongar o calçado.

Pedro ouvira histórias de outros meninos na escola onde andava. Sabia que e o Pai Natal andava de casa em casa naquela noite, numa azáfama sem par. Pela manhã, os amigos exibiam como troféus, roupas finas, brinquedos e guloseimas cobiçadas pela criançada. Só ele ficava mudo, imobilizado, sem conseguir articular palavras ou dar resposta à sacramental e dolorosa pergunta dos amigos:

- Então Pedro? O que é que o Pai Natal te deixou no sapatinho?

Aquela frase feria-o de morte! Viver com a avó era o seu único recurso possível. Sentia que nada podia pedir, nada podia comentar ou sonhar. Não queria vê-la de lágrimas nos olhos.

Decidiu por ir deitar-se! Deu as boas-noites e rumou à sua caminha, ao aconchego do colchão de palha, do quentinho das mantas e cobertores. Pelo menos ali, tinha liberdade para desabafar em sonhos, que pelas noites se acercavam do seu leito. Debaixo das roupas, podia dialogar com o Pai Natal, fazer-lhe promessas, pedir-lhe conselhos próprios de menino que só têm sonhos e bolsos vazios. Podia rezar ao Menino Jesus que via no presépio da capela… adormeceu!

Era dia de Natal!

Acordou com o barulho que da cozinha lhe chegava aos ouvidos. Avó Matilde por certo, madrugara! O cheiro a café, despertara-lhe o apetite e levantou-se! A fogueira já crepitava forte e flamejante. Na mesa, douradas brilhavam num prato, à sua espera e polvilhadas de açucar e canela. Pedro nem dera conta que era manhã de Natal. Beijou a avó, que se queixava de ter dormido mal com o barulho da tempestuosa noite e dizia ter ouvido ruídos na cozinha. Só então associou tudo ao revirar os olhos para o seu sapato velho. Lado a lado estava um par de sapatos novos e brilhantes, bem como um embrulhinho com rebuçados, daqueles iguais aos que o Senhor Martins tinha na venda. Ficou petrificado, sem conseguir dizer palavra para explicar o fenómeno. Avó Matilde, dizia que os calçasse para ver como lhe ficavam. Depois, olhando-a disse:

- Avó! Como é que o Pai Natal sabia que os sapatos me iriam ficar tão bem?

Carlos Alberto Monteiro

Lx-13-12-2012

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

POLÉMICA COM QUADRO COMPRADO À CHRISTIE'S

..Quadro emprestado a museu britânico foi comprado em leilão pelo governo madeirense


.Um quadro comprado em leilão pelo governo madeirense é reclamado pelo filho do proprietário, alegando que este estava apenas emprestado à instituição que o vendeu, revelou um programa transmitido pela BBC na segunda-feira.
O quadro, datado de 1830 e da autoria do pintor Thomas Buttersworth (1768-1842), mostra o barco Dunira, da companhia das Índias Orientais, a passar ao largo da baía do Funchal.
Foi arrematado num leilão da Christie's a 29 de outubro de 2008, em Londres, por 61.250 libras (76 mil euros), ligeiramente acima da estimativa base mais alta de 60 mil libras.
Porém, Piers Inskip, visconde de Caldecote e membro da câmara dos Lordes britânica, alega que a venda foi ilegal porque o quadro, propriedade do pai, Robert Inskip, foi apenas emprestado ao Museu do Império e da Commonwealth Britânico para integrar uma exposição sobre a herança colonial britânica.
Foi após a morte do pai, em 1999, que a família se apercebeu que o quadro tinha sido cedido temporariamente ao encontrar um documento de prova do empréstimo.
"Eu contactei o museu e perguntei se podia tê-lo de volta, mas infelizmente eles disseram que não, que o quadro tinha sido dado ao museu. Descobrimos posteriormente que tinha sido vendido pela Christie's em nome do museu", contou ao programa Inside Out.
As autoridades madeirenses disseram na reportagem que não sabiam que o quadro tinha pertencido a um museu ou à família Coldecote e a leiloeira Christie's prometeu que o assunto seria discutido entre as partes para encontrar uma solução.
Além do valor de mercado e artístico, a obra tem uma importância simbólica para Piers Inskip, pois o trisavô comandou aquele barco de transporte de mercadorias do século XIX.
O museu abriu em 2002, em Bristol, no sudoeste de Inglaterra, para expor espólio sobre o passado colonialista britânico. Era o primeiro do género e incluía fotografias, esculturas, filmes, mas fechou em 2008.
Segundo a reportagem, 144 objetos estão desaparecidos e alguns terão sido vendidos em circunstâncias controversas. O então diretor, apesar de ter sido questionado pela polícia, não foi processado judicialmente.
O lorde britânico atribui as responsabilidade do problema ao museu britânico, alegando que este "não tinha os processos adequados de verificação do espólio".
Noticia do D. N. de 11-12-2012

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

BOA NOVA - IVAN LINS

Boa Nova



Vi a chuva da Amazônia, vi todo Jequitinhonha verdejar

São João com boi na Ilha, vi quadrilha com forró no Ceará

Vi pinhão no pinheiro do Paraná

coco verde no coqueiro em Paquetá

vi manga-rosa nas mangueiras do Pará

quando vi você chegar

Vi o Galo em Olinda, vi cabinda, caboclinho e siriá

Vi vovô dançar ciranda, a varanda encher de melro e sabiá

Vi a arara-azul no galho do araçá

jacutinga no topo do jatobá

uirapuru cantando no jequitibá

quando vi você chegar

Rio das Flores florescer

Rio Bonito toda se enfeitar

pra esperar você

Porto Alegre festejar

Porto Velho rejuvenescer

por você chegar

Vi trevo de quatro folhas, vi a rolha do champanhe saltitar

Vi na carta dos ciganos, nos arcanos o tarô me confirmar, confirmar

Vi brotar fruta madura no pomar

no jardim nascer jasmim e manacá

e num xaxim crescer pé de tamba-tajá

quando vi você chegar

Rio das Flores florescer

Rio Bonito toda se enfeitar

pra esperar você

Porto Alegre festejar

Porto Velho rejuvenescer

por você chegar

Vi a chuva da Amazônia, vi todo Jequitinhonha verdejar, verdejar

São João com boi na Ilha, vi quadrilha com forró no Ceará

Vi trevo de quatro folhas, vi a rolha do champanhe saltitar, saltitar

Vi na carta dos ciganos, nos arcanos o tarô me confirmar

http://youtu.be/QvvFGVy4jxY


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O ARQUITETO DE DEUS

Deus lembrou-se hoje de Oscar! Telefonou-lhe e disse:
- Meu caro, no meu Reino tem trabalho para você fazer... Por favor, venha ajudar-me!
Oscar já cansado de tanta injustiça, desmotivado deste mundo cruel, despediu-se e partiu rumo a novos projetos. No fundo, dizia ele, "O que eu quero é riscar, desenhar, projetar, sentir que o valor da vida é um minuto, um relâmpago de fogo. E partiu!....

sábado, 1 de dezembro de 2012

AS FLORES DA MADEIRA NAS LÁGRIMAS DE POSEIDON

Poseidon deus dos mares, enamorou-se da sua bela Hália. Foi ele que numa longa tempestade, se acercou de terra para descansar. Apercebe-se de que o seu amor foi ela própria, vitima da fúria desencadeada pela fúria dos mares. Poseidon chora de arrependimento e promete que em cada uma das suas lágrimas derramadas, se transformarão em flores em memória da sua Hália. Desde então, surgem todos os anos por toda a Ilha, milhares e milhares de flores, como homenagem ao seu destroçado amor. Assim é a Madeira uma ilha de flores simbolo do amor entre o deus do mar e a bela Hália.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

HOTEL REID'S - LEO GOHL

Já fiz referência, num anterior artigo sobre este pintor ~que segundo parece esteve pelo menos duas vezes na Madeira e, onde pintou a Ilha em diferentes perpectivas. Dele, pouco se sabe (infelizmente)! Apesar de uma busca exaustiva no Google, necessita-se mais informação para que se possa realizar um trabalho profundo da sua obra e dos momentos em que retratou na tela, imagens únicas madeirenses.

KOMM MIT NACH MADEIRA - Foxtrot von E. Künneke

sábado, 24 de novembro de 2012

O AROMA DAS PITANGAS

A melhor maneira de ter pitangas todo o ano, é transformá-las em doce ou licor. Assim, poderemos ter o o seu mágico perfume sempre que nos venha à memória a magia da nossa infância...

sábado, 17 de novembro de 2012

GLAASJE MADEIRA

Muitas músicas, muitos discos e muitos artistas se deliciaram e tocaram a Madeira. Eis um em língua holandesa ou belga (?) a brindar com um copo de Madeira Wine.  

domingo, 11 de novembro de 2012

KIT KAT CAFÉ




Situado no espaço privilegiado da Avenida do Mar, o Café KIT KAT foi sinónimo de qualidade, diversão na cidade do Funchal. Na publicidade, constava como slogan: O MAIS APRAZÍVEL CAFÉ DO FUNCHAL".
Para além do seu esmerado serviço de bar, café e casa de chá , os seus clientes podiam usufrir todos os dias entre as 5 e as 7 horas de chás-concerto com uma orquestra a acompanhar, famoso pelos seus "fox-trot".  

sábado, 3 de novembro de 2012

FLORES QUE VIAJAM

Um simples retangulo de cartão e algumas imagens estampadas são suficientes para viajarem pelo mundo. Um gesto simples de enviar pelo correio, a surpresa de quem o recebe, eis o postal ilustrado percorrendo milhares de kilometros, dando a conhecer um cantinho da Terra.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

AVENIDA SÃO JOÃO, com Caetano VE-LO-SOOOO...


MULHERES DE ATENAS - CHICO BUARQUE




http://www.youtube.com/watch?v=MabbVn0Rlv4&feature=colike




PHONOPOESIA - 1973 A NOSSA TROPICÁLIA


Em 1973, um grupo de jovens estudantes portugueses e brasileiros resolveram promover o Tropicalismo. Inventamos, tocámos e dissemos poesia para quem nos quizesse escutar. Para muitos, era o total desconhecimento da nova MPB. A poesia de Vinicius de Moraes, a música de Tom Jobim, Chico e Caetano tocava-se na praia. Phonopoesia  foi uma invenção minha, numa época em que o rock descobria-se em força pelos jovens (eu incluído) num país ainda à luz da vela. E tudo começou com T RO PI CÁ LIA ...................    

http://www.youtube.com/watch?v=1QDewD54yMA&feature=colike

sábado, 20 de outubro de 2012

XENTE - 3

LOIBA

Loiba é uma pequena vila virada para o Cantábrico, no Norte da Galiza - Rias Altas. Confesso o meu encantamento por esta zona em estado quase puro, onde de um lado temos o azul do imenso Atlântico, as Rias, Um imenso parque natural com uma vegetação de fazer inveja à Madeira e um clima ameno devido à presença do Atlântico, húmido e chuvoso durante o Inverno que torna tudo verde. Os pinheiros descem até às ondas do mar, os fetos ondulam pelos campos agricolas abandonados. Raposas, aguias ou baleias, aparecem com frequência. Eu já vi algumas na praia ou na floresta. Mas o que me atrai em Loiba, é o seu silêncio, o sorriso da sua gente, que ainda vive do mesmo modo que os portugueses no anos 50 ou 60. Todos são unidos e amigos de ajudar. Confesso que me afeiçoei a esta gente à muito muito tempo. Elas contam-me histórias de pescadores, de tempestades vindas dos Açores, de homens que pescaram pelas Canárias e descobriram a Madeira. Confesso que fiquei surpreendido por gostarem tanto da música de José Afonso e dos poetas portugueses. E esta terra também é de poetas! 
As suas longas e ingremes costas maritimas fazem lembrar a Madeira, as suas ilhotas dão-nos lembranças a toda a hora a todo o instante de onde nascemos, do nosso rincão. Por isso, muitas vezes digo que aqui me sinto bem, aqui passei a visitar ano após ano, os amigos, os conhecidos, as suas gentes como se fosse a minha segunda casa.

XENTE - 2

O ARMÁRIO CUBANO

Manuela mostrava a sua casa, todas as dependências, todos os recantos como se em todos eles estivessem cheios de histórias de seu longiquo passado de menina. Manuela, quando a conheci teria perto de oitenta anos.
- Uña flor! Como lhe dizia... Manuela conservava um misto de vóvó, de senhora com ar distinto, de carinhosa, enfim um encanto de senhora.
Era a primeira vez que via aquela casa, pois tinha três propriedades herdadas de familia e dos seus cinco irmãos. 
- Vem ver um armário que tenho em casa! A madeira tem um aroma maravilhoso, vê se sabes de que madeira se trata? Confesso que já tinha ouvido falar do armário cubano, mas Manuela quando falava da sua preciosidade, falava do seu pai, falava do seu passado de menina, dos seus sonhos de conhecer o mundo. Os galegos emigravam para a Venezuela, para Argentina e para Cuba nos anos 30' do século passado. Gente que ansiava por uma vida melhor, tal como os portugueses saiam em catadulpa. O pai de D. Manuela pensou ir para Havana... e um dia partiu! Embarcou o porto de A Corunha num vapor para as ilhas "calientes" do Caribe. Mas as saudades da mulher e dos filhos, fê-lo regressar pouco tempo depois. Na hora do regresso, enaorou-se por aquele armário e trouxe-o para a sua Santa Marta de Ortigueira. Ali ficou anos a fio, décadas, meio século, mais...
Agora, D. Manuela pedia-me para entrar dentro do enorme armário como se fosse uma daquelas histórias de fadas e duendes...
- Mira! Qué preciosidad... Sente-se o aroma daquela madeira (que continuo a desconhecer o nome) e, enquanto contava histórias do seu pai, dos tempos de fome e da Guerra Civil, da Espanha Franquista e bolorenta,  os seus olhos brilhavam de felicidade. Então, parava um pouco emocionada e dizia-me:
- Carlos, vamos tomar café, por que nos somos locos por café...

XENTE - GALIZA GALICIA

 Olla a rúa de atrás, (Mira la calle de atrás), olla o chan oe o mar, (Mira el suelo y mira el mar), olla os que xa non están, (Mira los que ya no están), oe o bardo cantar, (escucha el bardo cantar), Oe o son do andar, (Escucha el sonido del andar), son os que veñen sen pan, (son los que vienen sin pan), saen do seu despertar, (salen de su despertar), collidos da túa man, (cogidos de tu mano), Ollame óllate, (Mírame mírate), olla os ollos dos que ven, (mira los ojos de los que vienen), ven de ti ven de min, (vienen de ti vienen de mi). óllame óllate, (mírame mírate). xente que vai soa, (Gente que va sola), xente que vai embora, (gente "emigrante"), xente que namora a xente, (gente que enamora a la gente), xente diferente, (gente diferente), xente intermitente, (gente intermitente), xente intelixente, (gente inteligente), xente, (gente) , xente divertida, (gente divertida), xente distendida, (gente distendida), xente a túa medida, (gente a tu medida), xente, (gente), xente que sorprende, (gente que sorprende), xente que comprende, (gente que comprende), xente que non se vende, (gente que no se vende), xente, (gente).


http://www.youtube.com/watch?v=A1Gz7KqkIsE&feature=colike

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ERA UMA VEZ UM POETA - HERMAN DE CONINCK



No chão da Rua Sá da Bandeira, uma lápide perpetua o preciso lugar onde o poeta flamengo faleceu.
Abaixo, principais dados biográficos extraidos de um site dedicado à sua obra.



On 22 May 1997, when Herman De Coninck died in Lisbon of a cardiac arrest during a literary congress, Flanders lost one her most widely-read poets. The poet and essayist who taught his people how to read poetry was no more, but even after his death, his poetry debut, De lenige liefde (Limber Love, 1969), a collection of playful love poems, remains one of the best-sold volumes of Dutch-language poetry.


De Coninck’s poems, described as “strange, original, and absolutely fabulous” by the renowned Serbian-American poet Charles Simic, owe their popularity to the clear parlando style, the balanced tone and the familiarity of themes like love, mortality and loss. For De Coninck, poetry was, sometimes literally, an exercise in loss. His second volume, for instance, Zolang er sneeuw ligt (As Long As Snow Remains, 1975), was inspired by the loss of his first wife. In later, more romantic volumes – from Met een klank van hobo (Sounding like an Oboe, 1980) and De hectaren van het geheugen (The Acres of Memory, 1985) to the posthumously published Vingerafdrukken (Fingerprints, 1997) – the wordplay makes way for a sparser melancholy.

A constant in his poems is the urge to bring poetry closer to everyday reality without adopting the pose of a distant observer. Influenced by Pop Art, the poets associated with the Dutch literary magazine Tirade, amongst them Rutger Kopland, and his work as a journalist for the Belgian weekly HUMO, De Coninck was committed to making his poetry accessible. He accused experimental poets like the Netherlands’ Lucebert of being deliberately difficult and considered the poetry of Rainer Maria Rilke too divorced from real life. In his poems, De Coninck often takes a familiar situation as the point of departure, things like an autumn walk or a birthday party. He was a poet of understatement, who countered sentimentality with ironic humour, while also admiring the grandeur in the work of poets like the American bohemian Edna St.Vincent Millay, whose poems he translated (1981).

But it was not just as a poet that he left his mark on the literary world. As a poetry critic in daily and weekly newspapers and as the editor of the Nieuw Wereldtijdschrift, which emulated the American magazine Vanity Fair by aiming for a cross-fertilisation between literature and journalism, he developed into one of the Low Countries’ most prominent guides to poetry. In essay collections like Over de troost van pessimisme (On the Comfort of Pessimism, 1983) and Intimiteit onder de melkweg (Intimacy under the Milky Way, 1994) he expressed his abhorrence for what he called “the formaldehyde reek of the academy” and demonstrated his aversion to jargon. Although he felt somewhat slighted as a poet after being passed over repeatedly for the Flemish Culture Prize, he won it posthumously for his essays. Contagious enthusiasm and a great love for language were the gentle weapons with which the poet and essayist strove to make poetry comprehensible.

© Cathérine De Kock (Translated by David Colmer)


Selective Bibliography

Poetry

De lenige liefde (Lithe Love), Orion – Desclée De Brouwer, Bruges, 1969

Zolang er sneeuw ligt (As Long As Snow Remains), Orion – Desclée De Brouwer, Bruges, 1975

Met een klank van hobo (Sounding like an Oboe), Van Oorschot, Amsterdam, 1980

De hectaren van het geheugen (The Acres of Memory), Manteau, Antwerp, 1985

Enkelvoud (Singular), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1991

Schoolslag (Breaststroke), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1994

Vingerafdrukken (Fingerprints), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1997

De Gedichten (Collected Poems), De Arbeiderspers, Amsterdam, 2000

Essay

Over de troost van pessimisme (On the Comfort of Pessimism), Manteau, Antwerpen, 1983

De flaptekstlezer, De Arbeiderspers, Amsterdam, 1992

Intimiteit onder de melkweg (Intimacy under the Milky Way) De Arbeiderspers, Amsterdam, 1994

De vliegende keeper, De Arbeiderspers, Amsterdam, 1995

Het Proza (Collected Prose), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1995

Translations

Liefde, miskien (Afrikaans), Queillerie, Kaapstad, 1996

[Selected Poems] (Bulgarian), Narodna Kultura, Sofia, 1987

The plural of happiness (English), Oberlin College Press, Ohio, 2006

Die Mehrzahl von Glück (German), Heiderhoff, Eisingen, 1991

Hotel Eden (Polish), Witryn Artystów, Klodzko, 1989

Os hectares da memória (Portuguese), Quetzal, Lisboa, 1996

[Selected Poems] (Russian), Paritet Graph, Moscow, 2000

Dan kao nijedan drugi (Serbo-Croatian), Prometej, Novi Sad, 1995

Prizes

Yang Prize (1969)

Prize of the Province of Antwerp (1971)

Dirk Martens Prize of (1976)

Prize of the Flemish Provinces (1978)

Koopal prize (1981)

Prize of De Vlaamse Gids (1982)

Jan Campert Prize (1986)

Flemish Culture Prize for Essays (1997)


Links

A website dedicated to the life and works of Herman De Coninck (in Dutch)
The works of Herman De Coninck are published by De Arbeiderspers (in Dutch)
Herman De Coninck’s publisher in the United States (in English)

sábado, 13 de outubro de 2012

KEPA JUNKERA - BOK ESPOK

The Music of Basque

http://www.youtube.com/watch?v=oIXioc0l29A&feature=colike

MAITIA NUN ZIRA - KEPA JUNKERA & DULCE PONTES

A poesia e o som basca com Kepa Junkera e Dulce Pontes. Uma bela combinação sem fronteiras  


http://www.youtube.com/watch?v=8sxWxM-BUgw&feature=colike

MADREDEUS IN BREMEN

GLOCKE Spezial: Madredeus

Portugiesische Kult-Formation erstmals nach sechs Jahren wieder auf Tour

Eine der berühmtesten Bands Portugals ist wieder da: Madredeus. Mit ihrem1987 erschienen

Debüt-Album „Os Dias Da MadreDeus“ hatte die Formation ihren Durchbruch und begeistert

seitdem mit ihrer Verbindung von Fado, Folk und Klassik. Für ihr 25-jähriges Jubiläum kehrt die

portugiesische Kult-Formation nun nach sechsjähriger Abstinenz in veränderter Besetzung rund

um Gitarrist Pedro Ayres Magalhães und Keyboarder Carlos Maria Trindade zurück auf die internationalen

Bühnen. Am Sonntag, 14. Oktober, stellt sich Madredeus um 20 Uhr in der Glocke

mit seinem Programm „Essência“ vor, das neben neuen Songs auch eine unvergängliche Auswahl

ihrer magischen und einzigartigen Klassiker aus über zwei Jahrzehnten beinhaltet.

Der Sound von Madredeus ist einzigartig: Die traditionelle portugiesische Musik und Themen der

nationalen Lyrik und Mythologie bilden die Grundlage, der Klang der Lieder ist jedoch dank vielfältiger

Anleihen aus der Popmusik modern – verbunden mit einem Hauch von Fado und dem

dafür so typischen allgegenwärtigen Funken Melancholie. Die schwerelosen und mystischen

Gesänge verschmelzen mit der instrumentalen Begleitung zu ganz eigenen Klangwelten, die

auch den berühmten deutschen Regisseur Wim Wenders so faszinierten, dass er Madredeus

1995 den Soundtrack zu seinem Film „Lisbon Story“ anvertraute. Von nun an war der internationale

Siegeszug des Ensembles nicht mehr aufzuhalten und immer wieder griffen die Künstler

souverän musikalische Eindrücke auf, die sie auf ihren Tourneen durch die ganze Welt gesammelt

hatten. Nachdem Sängerin Teresa Salgueiro die Gruppe für ihre Solo-Karriere verlassen

hatte, wurde es einige Jahre ruhiger um Madredeus. Die verbliebenen Originalmitglieder Pedro

Ayres Magalhães und Carlos Maria Trindade haben nun anlässlich des 25-jährigen Jubiläums

rund um die in Jazz und klassischem Gesang ausgebildete Sängerin Beatriz Nunes eine neue

Formation gebildet. Für ihr Programm „Essência“ knüpfen sie an den bewährten akustischen

Sound von Gitarre, Violinen, Cello und Synthesizer aus den Anfangsjahren an – ganz dem Titel

entsprechend quasi die Essenz ihres unveränderlichen musikalischen Kerns.

Kurzinfo:

Veranstaltungsreihe: GLOCKE Spezial 2012/13

Veranstaltung: Madredeus – „Essência“-Tour 2012

Ort: Glocke, Großer Saal

Termin / Uhrzeit: Sonntag, 14. Oktober 2012, 20 Uhr

Eintrittspreise: 39 € I 32 € I 25 € I 18 €

(20% Ermäßigung für Schüler und Studenten bis 30 Jahre)

Veranstalter: Glocke Veranstaltungs-GmbH

Info / Karten: Ticket-Service in der Glocke (Tel. 0421 / 33 66 99)

und unter www.glocke.de

Weitere Informationen für die Redaktionen:

GLOCKE VERANSTALTUNGS-GMBH, Carsten Preisler und Inge Claassen,

Tel. 0421 / 33 66-660 und -661, Fax 0421 / 33 66 880, e-Mail: preisler@glocke.de

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Christian Mølsted - A great artist



Fragata Jylland junto à costa da Madeira
 
Christian Mølsted, nasceu em Dragor - Dinamarca em 1862 e faleceu na sua terra natal em 1930. Filho de um artesão de pequenos barcos de pesca e também ele pescador, herdou o gosto pelo mar desde criança. Entrou na Technical School of Art em 1879 e seis anos depois, conclui o seu curso.
 
Viajou para a Madeira em 1880 após uma viagem à Rússia, onde pintou marinhas e paisagens com navios. Foi um excelente artista sobre esta temática e possui na cidade que o viu nascer, um pequeno museu em sua homenagem. Ao longo da sua carreira foi galardoado com vários prémios, entre os quais o galardão da Copenhagen Royal Academy Award 

domingo, 16 de setembro de 2012

MERCEDES SOSA - CAMBIA TODO CAMBIA

A voz india da Argentina canta "CAMBIA TODO CAMBIA" (Change all change).

http://youtu.be/yN17DIdGLH8

Por que temos necessidade de cambiar para melhor,
por que todos somos humanos e merecemos respeito,
por que os nossos idosos e as crianças devem ser felizes
e não viverem com a fome no horizonte.
Merecemos um mundo melhor, à custa do nosso esforço
Mas não nos roubem, não nos tirem a esperança,
Precisamos de cambiar.

sábado, 15 de setembro de 2012

SERRAT - CAMPESINA

Uma das minhas canções preferidas desde bem jovem. Jamais esqueci "CAMPESINA" e contudo, sempre tão actual nestes momentos de revolta. Joan Manuel Serrat, esteve várias vezes em Portugal em espetáculos e deixou-nos um perfume inconfundível nas notas das suas musicas. A rever...
http://youtu.be/gUlnqtwaaW0

domingo, 9 de setembro de 2012

LO ZELANTE PADRINO


O PADRINHO ZELOSO



"O padrinho" foi a alcunha que mais se adequava à sua forma peculiar, ao seu penteado escovado e cheio de gel na pequena popa, moda dos anos 40 e 50’, bem como ao singular pequeno caderno de apontamentos de capa negra que zelosamente guardava no casaco. Chico, o empregado mais velho do estabelecimento, figura esguia e simpática admirava aquela figura de homem cujo tamanho não aparentava ter mais de um metro e meio. Todos os dias, o padrinho chegava ao estabelecimento, dava um salto e empoleirava-se na cadeira. Depois, pedia sempre pela mesma por ordem, um café, um bagaço e uma coca-cola. Bebia um após outro, seguindo metodicamente e compassadamente movimentos quase que robóticos. De seguida, levava a mão ao bolso do casaco, tirava o seu diário e apontava meticulosamente as bebidas ingeridas e o respectivo preço. Olhava em volta o movimento do café, meditava um pouco a vida, pagava e saía. Era essa precisão mecânica, que nos fazia sorrir. Chico, entretia-se com aquela singular figura, com a destreza do salto para se equilibrar no balcão e as bizarras misturas de bebidas do zeloso padrinho. Ora certo dia, o padrinho chegou e pediu precisamente com os habituais gestos, um café, um bagaço e uma coca-cola. Chico serviu-lhe uma dose “reforçada” de bagaço. Após beber num ápice, o padrinho anotou tudo no seu memorando, pagou e quando vai para saltar para o solo do café, mediu mal a distância entre o varão metálico e o chão e, estatelou-se. Chico, virou a cara para o lado e comentou-me :


- O padrinho hoje fez mal os cálculos!...









terça-feira, 4 de setembro de 2012

CATAVENTOS

Torre da Igreja de Santa Clara - Fotografia pessoal de Carlos Alberto Monteiro



Entre árvores esconde-se a torre!
Espreitas-me e brincas às escondidas
contudo, sei que estás ali entre gritos de crianças que felizes 
saltam à corda efusivas. Sinos dão horas certas, cestas esperam lanches e bolachas 
e chocolates e sabores doces como beijos na lembrança... 
Estou ali imóvel! Passam imagens distantes, tempos errantes e tanto sabor e tantos, tantos
que não contenho lágrimas secas, duras, densas, invisíveis 
tanto sabor a sal num simples sonho de criança.       

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O ADEUS A JOSÉ HERMANO SARAIVA


Ao longo de várias décadas, a sua figura ímpar cativava-nos ao écran da televisão. Exímio contador de histórias e da História, o professor partiu hoje para a última viagem.
Tive o grato praze de o conhecer pessoalmente, de vê-lo muitas vezes no supermercado com a sua esposa e de estar presente numa palestra na biblioteca municipal. O professor estava felicíssimo com a sala "à cunha" ouvindo-o falar de acontecimentos do seu país. No final, autografou um livro que conservarei saudosamente.


Até sempre!   

INSULAE FORTUNATAE

INSULAE FORTUNATAE é um o titulo de um novo blogue dedicado aos esquecidos que vivem ou viveram nesta terra de carácter. Procurarei incluir imagens de um passado recente para que uns possam relembrar e outros mais novos descobrir, como se faz um povo. E nestes momentos de aflição, em que mais necessitamos de sermos humildes e generosos, nada melhor que ajudarmos anonimamente aqueles que precisam. Lá diz o ditado que "é nos maus momentos que sabemos quem é nosso amigo". Nem mais...


http://insulaefortunatae.blogspot.com

domingo, 8 de julho de 2012

LA ABUELITA DE KUNDERA - JOAN MANUEL SERRAT

La abuelita de Kundera y también la mía


conocían cada yerba y sus aplicaciones

sabían lo que tenían dentro los colchones,

sabían leer el cielo y cocer el pan.



La abuelita de Kundera en su pueblo checo

y la mía en su Belchite y las dos sabían

que el cura era el confidente de la policía.

Nada tenía secretos a su alrededor.



El vecino de Kundera se parece al mío.

Si algo tiene destacable nadie lo diría.

Es un tipo muy correcto que se pasa al día

ocho horas tecleando un ordenador.



Mi vecino vuelve a casa y enciende la tele

y brinda con la familia con sidra "El Gaitero"

cuando el locutor afirma que en el mundo entero

no hay un lugar más seguro que nuestra ciudad.



Mi vecino nunca supo que esa misma noche

violaron en su calle a una adolescente,

que asaltaron a dos viejas y que un indigente

apareció degollado en el callejón.



Mi vecino, aquella noche, se metió en la cama

convencido de tener el mundo controlado

seguro de ser un hombre muy bien informado

respecto a lo que ocurría a su alrededor
http://youtu.be/NQp9wyMLbvA

sábado, 7 de julho de 2012

CAFÉ KLEIN

Fotografia do Café Klein e do Forte do Pico. O café funcionou na Travessa do Quebra-Costas e posteriormente reaberto na Rua das Cruzes numa moradia, conforme a imagem. Durante os anos anteriores à IIª. Grande Guerra, foi visitado por milhares de turistas.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O TERMINUS DO TERREIRO DA LUCTA

Slide com o terminus da Estação do Terreiro da Lucta, onde o comboio terminava a sua marcha e retornava à Estação Central do Pombal.

terça-feira, 26 de junho de 2012

ZÉLIA E CLARISSE (2)


Zélia e Clarisse (2)



Tinha acabado de comprar o Jornal das Letras e decidi que seria melhor sentar-me na esplanada do teatro. Pedi um café e estendi o periódico, absorvendo as “gordas”. Sou sempre assim, primeiro escolho os temas que mais me interessam, ficando o refugo para o final para o caso de ainda ter disposição de as ler. Foi quando senti um vulto perto de mim, e reconheci aquele tom de voz a interromper-me a leitura. Levanto os olhos por cima do jornal e vejo as manas Zélia e Clarisse. Primeiro passam a ronda pelas mesas do café, possivelmente tentando reconhecer alguém com quem possam desenferrujar a língua. Acabei por estar no seu ângulo de visão… Aquele olá!? Saiu-me um pouco entre espanto e o falso. Talvez seja paranóia minha… talvez!

- Há muito tempo que não te vejo! – Diz-me Zélia. A mana, mais introvertida deita o rabo dos olhos pela minha pessoa. Por breves segundos, bloqueio. Opino que tenho estado fora e só de quando em vez passo pelo Funchal. Saudades…. Que posso eu fazer!

- Podemos sentar na tua mesa? Claro, riposto. Depois faz sinal ao empregado com os dedos em V, em sinal que seriam duas bicas.



Sabia que estavam sós! Os pais já tinham falecido a algum tempo, deixando-as no apartamento em que sempre viveram na Rua dos Aranhas, fronteira com o antigo cinema, um vazio que só a forte ligação daquelas duas irmãs conseguiam manter. Eu tinha habitado o andar superior durante poucos meses, e desde então continuamos a manter algum diálogo de proximidade. Conversa de cortesia, ou apenas “visita de médico”. È certo que os nossos grandes intervalos no tempo nada influenciaram na nossa relação de amizade, embora por vezes de uma maneira um pouco tímida, insípida e fria. Outras, simples olhares que não passavam disso mesmo: miradas.



Ao fim de um pequeno diálogo a três, comecei a sentir-me impaciente, com vontade de arejar!

- Bom... Retorqui! Tenho de ir embora… Confesso que tinha esgotado todo o vocabulário possível. Zélia, tentava ser amável como fecho da nossa conversa. Por que não passas pela nossa casa um dia destes? Jantavas connosco… com certeza não esqueceste onde moramos! Acenei a cabeça em sinal afirmativo ao que acabava de exclamar.

- Claro, que sei onde moram! O problema é que estou cá pouco tempo. Na próxima semana, volto para Lisboa e ainda preciso de visitar uns familiares. Depois de deambular todo o dia, não me sentia com vontade de ir a jantares de cortesia.



Clarisse, olhava-me de soslaio. Possivelmente estava a fazer o seu diagnóstico visual aos meus cabelos brancos, comparando os tempos de crianças, com a actual fisionomia. Não sei! Passamos muitas transformações físicas e psíquicas. Os nossos momentos de glória desapareceram tão repentinamente que nem tivemos tempo de amadurecer ideias. Elas surgiam, intemporais, por vezes sem agirmos, sem nada contribuirmos para o desenrolar para o resultado final. Mas somos assim! Deixei-as de novo a sós nos seus pensamentos na solidão da mesa do café. Confesso que me sentia um pouco responsável por contribuir para aquele afastamento, uma certa frieza sem querer magoar. Preferia recordá-las sempre com aquele sorriso de meninas, aquele sabor a infância como quando sentimos ao chegar a casa, vindos de muito longe e nos socorremos em olhares doces que nos acalantam. Mas vivemos sempre de chegadas e de partidas, de viagens e solidão, de desejos e sonhos, incompreensíveis, difíceis e indecifráveis.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

ESTUDO SOBRE REGIONALISMOS MADEIRENSES

Foi um autentico "sufoco" adquirir esta obra!
As grandes superficies não estão mínimamente interessadas em vender obras que à partida não lhes dê o lucro imediato. A FNAC é uma delas! Comprar nesta loja, ou é livros sem qualquer interesse mas vendável ou edição que se encontre à venda ao quilo. Já nos bastava os Correios a venderem toda a espécie de foleirice literária, ou os Paulos Coelho do costume, livros a granel que na minha opinião é uma autentica pimbalhada das letras. Valha-nos Santo Ambrósio... 
Ana Cristina Figueiredo, jovem Santacruzense, professora do ensino básico, apresenta um estudo sobre os regionalismos madeirenses que serviu de tese à sua licenciatura. Com prefácio do Professor Doutor João Malaca Casteleiro, é uma obra que relança o gosto por este tipo de pesquisa, um pouco esquecida mas que merece um carinho especial. A melhor maneira de adquirir um exemplar, é pedir diretamente à editora Fonte da Palavra, mais barato e com entrega no domicilio, sem termos de ouvir a frase do costume:
-Desculpe, mas não temos... 

THE SMELL OF ROSES

Thank you for your smile!   
Photo Solange De Ruyck - Flandres

AS CURVAS DA MADALENA DO MAR

sábado, 9 de junho de 2012

RASGAR ESTRADAS

Nem todos saberão o esforço hercúleo que foi rasgar os caminhos na Madeira. Para muitos, nem terão a mínima ideia de estarem amarrados com cordas ou alças de picareta em punho ou maços, na ingreme escarpa ao Sol e ao frio, para abrir novas estradas, levadas veredas ou caminhos. Talvez a Senhora Merckel desse mais valor aos dinheiros gastos em obras que por toda a ilha se concluiram, talvez a Senhora avaliasse que os valores não se medem ao quilometro, mas no esforço de contornar dificuldades.

domingo, 3 de junho de 2012

HITLER NA BIBLIOTECA

Residencial Santa Clara - Funchal


Nos finais dos anos 70 do século passado, por imperativos na minha vida acabei por optar residir durante aproximadamente uma década na Residência Santa Clara. Este estabelecimento turístico da cidade do Funchal, tinha a curiosidade de obedecer a um estilo arquitectónico “sui-generis” art-noveau com vários pisos e situada na zona da Calçada do Pico quase defronte do Museu das Cruzes. Esta pequena unidade hoteleira pertencente na época ao Padre Francisco Reis Macedo e a uma sua familiar, a professora Emanuela Reis.
Eram às sextas e sábados que tradicionalmente chegavam os turistas preferencialmente do Norte da Europa, em busca de em média duas semanas de descanso e muito Sol. Transportados pelas Companhias LTU, Condor, Transavia ou Germanair, enquanto uns chegavam outros partiam nos mesmos aviões de regresso aos seus países. Surgiam, nessas ocasiões situações de turistas cada um com as suas características, preferências ou curiosidades que mantinham um constante movimento de entradas e saídas, pedindo opiniões sobre as características da Madeira, informações locais de carácter geral, como um simples horário de um autocarro, uma farmácia de serviço etc.. Ora nessa altura surgiu um individuo de nacionalidade alemã Herr Franz, com características fisionómicas pouco germânicas em relação ao que tradicionalmente os portugueses designavam aos alemães, mais ao estilo de Helmut Kohl, bastante alto em relação á média portuguesa e por vezes com peso invulgarmente grande. Herr Franz ao inverso, era pequeno, magro mas mortífero nas suas decisões.
Por necessidade da limpeza diária do seu quarto, por vezes as empregadas comentavam que não conseguiam aceder ao de Herr Franz, por que recusava a entrada das empregadas ou de qualquer funcionário. Por vezes, aproveitavam a sua ida às compras onde frequentemente se deslocava ao mercado para comprar fruta ou legumes. Depois refugiava-se ora no quarto, ora na biblioteca que a residência tinha instalada no 1º. andar. Quando se instalava neste canto da habitação, fechava-se não permitindo a entrada a qualquer intruso no seu espaço. Gritava que não saía a quem o tentasse dissuadir a abandonar a instalação. Depois colocava um aparelho sonoro e era o bom e o bonito. Pelos quatro cantos da Residência entoavam vozes em altos berros, discursos inflamados acompanhados de vivas e palmas. Através das verdes venezianas, ouviam-se no exterior do jardim que rodeava o citado edifício. Quando tal acontecia, já sabíamos que Herr Franz estava de mau humor e que não permitia ser incomodado.

- Não saio! – dizia em voz inflamada. Raus!

Ora certo dia, um amigo meu e grande conhecedor da língua de Goethe elucidava-me que afinal toda aquela gritaria na biblioteca era provocada pelos discursos histéricos do ditador Hitler, dirigindo-se aos nacionalistas da sua amada Germânia. A partir daquele momento, ficamos elucidados que Herr Franz teria tido qualquer simpatia com o regime ou um possível saudosismo da sua juventude que embora passados mais de três décadas continuava a pesar no seu subconsciente. Nesse dias inflamados, era como se Hitler estivesse ali mesmo ao lado, na sala da biblioteca e imaginávamos os seus longos discursos na tribuna da cidade de Nuremberga distante!

sábado, 12 de maio de 2012

A MINHA PELIKAN VERDE


A azáfama dos primeiros dias de escola, levava os pais a caminho da Papelaria do Colégio, da Condessa ou do Bazar do Povo. A criançada arregalava os olhos para os lápis dos expositores que cercavam o balcão das lojas. Eu queria ter um apara-lápis em forma de televisão feito de plástico, onde bonecos pareciam movimentar-se conforme a posição preterida. Era as primeiras novidades "made in Japan" que estava na mesma linha dos dias de hoje onde o made in China é sinal de má qualidade. Tudo o que era bom vinha do Reino Unido, da Europa Central ou dos E.U. da América.
Mas fiquei completamente apaixonado quando vi aquela caneta verde da Pelikan. Era uma beleza de caneta de tinta permanente, como se dizia na época. E não descansei enquanto ela não fosse minha. Até que por fim, após tanta resistência passou a fazer parte do meu estojo. Pouco interessava se os lápis de cor em caixas de folha coloridas, tinham 24 ou 36. Pouco me interessava se o livro continha histórias de sonhar, eu só sonhava o dia em que podia escrever com a minha "verdinha". Na sala, a professora Sara dizia que só depois do Natal, deixariamos de escrever com o lápis e passariamos à caneta de tinta. Como eramos inexperientes por vezes um borrão caia na folha do caderno, a bata ficava cheio de nódoas azuis, os dedos passavam a ter manchas de tinta que alastravam quanto mais tentavamos limpar. Ao chegar a casa mostravamos com entusiasmo os troféus manchados, orgulhosos das façanhas que aquele objecto com uma pena metálica de iridium conquistava rabiscos de futuras frases, letras desenhadas entre duas linhas como se de carris de comboios se tratassem e viajassem nas nossas pastas. Foi amor à primeira vista, direi...

UMA AULA DAS IRMÃS CLARISSAS

Era assim uma aula dada pelas Irmãs Clarissas no Convento de Santa Clara. Um quadro de xisto e meninos a copiar nas suas ardósias.
Durante muitos anos, esta Congregação ajudou milhares de crianças a aprender a ler  escrever gratuitamente aqueles que com menores recursos não podiam ter os seus filhos em colégios. Dava gosto ver os "bandos" de meninos que todas as manhãs seguiam a caminho de Santa Clara. A velha sineta tocava pela manhã à hora da entrada e no final das aulas. Da minha casa, podia saber as horas sem consultar o relógio da sala. Depois era o retorno a casa com os irrequietos meninos que com as suas bolsas de pano e a cesta de vime brincavam e sorriam ao longo do trajecto. Outros tempos!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A SALSICHARIA DE HERR BACH

Herr Bach



O Senhor Bach (1) possuía, nos anos 50 / 60 do séc. XX, na cidade do Funchal, uma salsicharia alemã, na vizinhança da Botica Inglesa, ao Largo da Igrejinha. Como era um local central e de grande movimento citadino com os seus diversos serviços públicos da Junta Geral, do comércio em geral e da estação central dos Correios, no meu caso servia diariamente de passagem para a casa, onde habitava.

Ao final da tarde e após esperar a minha mãe que, na altura, trabalhava na Casa Americana, junto ao Jardim Municipal, de regresso a casa, percorria a Rua da Carreira e defronte aos Vicentes Photographos, aproveitávamos para comprar produtos do seu estabelecimento muito sui generis e da nossa predilecção. Herr Bach encontrava-se por detrás do longo balcão de mármore. Vestia a sua imaculada bata branca, sobressaindo pelo seu imponente porte, pelo seu sotaque algo estranho e amável tom de voz. Depois, sobressaía toda uma gama de artigos fora do comum: longos cordões de salsichas frescas, chouriços, carnes diversas, fiambres, patés e manteigas. Era nessa ocasião que então aproveitava, meio envergonhado, para puxar a saia materna e apontar com o indicador determinado produto da minha preferência. Era meio caminho andado para me banquetear, com as suas famosas salsichas. Herr Bach embrulhava em papel manteiga os produtos escolhidos e, com a sua saudação cordial de despedida, rumávamos a casa.
 
Certo dia, mandaram-me ir ao Senhor Bach comprar um prego! Um prego? Incrédulo e com medo de que fosse gozado, aproximei-me do longo balcão e pedi a medo: um prego! Herr Bach prontificou-se a executar o pedido, colocá-lo num papo-seco e a embrulhá-lo! Paguei e segui pelo passeio da Rua Câmara Pestana, rumo ao serviço da minha tia. Sentia-me feliz por ter desempenhado o meu recado na perfeição. Seria na minha memória a última vez que presenciei e contactei com o senhor alemão, famoso na cidade do Funchal pelo seu ofício de mestre salsicheiro. Poucos anos depois, o edifício foi vendido, renovado e transformado. Então, Herr Bach, sempre com o seu sentido empreendedor e inovador, abriu o primeiro supermercado da Madeira. Situado no início da Rua das Pretas, era, na altura, um luxo de estabelecimento, com talho; charcuteria; congelados, produtos frescos e… gelados. Quando sabia que a minha mãe pretendia fazer compras, procurava sempre aquele gelado que constava no expositor junto às caixas registadoras. Fui um cliente assíduo dos seus produtos, grande parte importados da sua terra natal até quase ao seu epílogo, mas conservo com saudade o seu pioneiro estabelecimento de charcuteria.
 
Por vezes, dou comigo a pensar nos possíveis diálogos entre Herr Bach e Herr Max Römer. Terá com certeza havido contactos entre estes dois germânicos. Cada um na sua especialidade, cada um mestre na sua arte, fossem enchidos ou pinturas madeirenses. Idealizei, então, uma troca de mercadorias, ficando cada qual com a sua feliz e dedicada preferência. O pintor hanseático Max Römer oferecendo uma das muitas aguarelas e recebendo em troca um volume considerável de enchidos da sua germânica pátria. Seria interessante saber qual deles ficaria mais feliz com tamanho intercâmbio!

(1) Nunca encontrei uma fotografia do senhor Bach. Se por acaso alguns dos leitores tiver alguma fotografia do estabelecimento e quiser partilhar, agradeço a sua colaboração.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O HOMEM DOS CESTOS

Já lai vai o tempo em que ninguém podia ir ao mercado sem levar ou trazer as compras num destes cestos misto de canas e vimes. Por vezes magoavam e cortavam quando batiam nas pernas, mas faziam parte da vida madeirense. Depois veio a era do plástico que modificou e encheu os nossos lares de lixo urbano. Estaria para chegar outra ameaça, a que definitivamente daria a machadada final, a dos vimes vindos do Oriente, nomeadamente da China e Filipinas que arrasou com a pequena economia madeirense.
Veja-se na foto, que os dois homens descem a modificada Avenida do Infante já com a rotunda ao fundo concluida e o risco da Avenida Arriaga até quase à Sé. Isto nos anos 50' do século passado.

domingo, 1 de abril de 2012

TODAS AS MANHÃS


Flowers and Gardens of Madeira - Florence and Ella du Cane   


Todas as manhãs era o mesmo! A mesma rotina, os mesmos gestos, os mesmos sabores.

Pelas sete e pouco, começava por fazer uma grande cafeteira de café. Depois de preparar em finas fatias o pão de cruz, para as torradas. Descia à porta da entrada que dava para a rua, curvava-se e apanhava o jornal que tinham introduzido pelo raiar da aurora, o jornaleiro. Subia a escadaria e sentava-se a saborear o café, as torradas e as noticias frescas. Procurava os títulos “gordos” no matutino, como se tivesse preguiça para ler o que considrava desnecessário. Depois, se eu chegava, murmurava pequenos decibéis, em geito de comentário:

- Lá está o homem do lenço! Referindo-se a Arafat ou “Arafatinho” como carinhosamente o mencionava.

- Passam a vida a atirar pedras e a matarem-se uns aos outros. Estes árabes são completamente loucos...

Enquanto em silêncio se concentrava nas letras negras da página, mordiscava a torrada cheia de manteiga. Por vezes, o barulho ao remoer o pão torrado, assemelhava-se a ratos. Outras, faziam-me lembrar uma serra a cortar madeira. Por fim, abria o jornal em busca das páginas interiores.

- Deixa-me ver quem morreu! Retorquia.

Eu acabava por deixar fugir um “francamente”…

- Acho isso tão mórbido! Ripostava.

- Gosto de saber, se conheço alguém!

Eu via na sua atitude, um pouco de ironia, de humor amarelo como se fosse divertido saber quem tinha falecido na véspera.

- Uf! Logo pela manhã com boas ideias. Eu desabafava sem conseguir demovê-la. Era impensável, fazê-la desistir da sua obcecação.

A xícara do café negro assentava no pires, de tempos em tempos, descansando da viagem em que longos goles de arábica, desapareciam na sua boca.

O início da manhã estava completo, quando por fim, o jornal era atirado para cima duma pequena mesa onde se encontravam pencas de bananas e outras frutas. O arrastar da cadeira com as entrelaçadas filas de palhinha amarela e gasta, escondia-se estacionada por baixo da mesa da cozinha. Agora, o Sol atravessava o transparente vidro da janela. As flores dos jasmins agradeciam os raios quentes e brilhantes. Estava na hora de iniciar mais um dia de trabalho e tudo o resto que estaria para acontecer.

sábado, 24 de março de 2012

SISSI E A MADEIRA


Muito se tem escrito sobre a Imperatriz Sissi  e a sua estadia na Madeira. Talvez não se tenha aproveitado "turisticamente", a oportunidade de uma melhor divulgação. Falta-nos sempre qualquer coisa na preparação, documentação e posterior divulgação aos imensos turistas que nos visitam. Falhamos nos detalhes, falhamos por somos os eternos "desenrascas", os eternos desorganizados. Não temos aquele feeling, para explorar no bom sentido, é claro! No entanto sabemos que existe há muitos anos um turismo austriaco que vem à Madeira de propósito, para visitar os seus entes nacionais. A própria TV - ORF fez vários documentários sobre os Habsbusrgos. Falta-nos um roteiro bem documentado, para que seja mais acessível visitar os locais.   

quarta-feira, 21 de março de 2012

DE MÃOS NAS MÃOS - Hands in hands

De mãos nas mãos


Agarramos o mundo na leveza

Do teu olhar. O tempo pára o trânsito,

A rua, a nossa estrada. O rubro da

Tua face, nosso silêncio quebrado

Caminhamos e andamos sem sentido.



De mãos nas mãos

Apertamos a vida que nos une

O bater da tua pulsação, contagia-me. Se os anjos

Soubessem os longos caminhos no Céu,

Se os nossos corações sentisses como brilham de emoção,

Então a tua silhueta sairia na penumbra da noite.

 
Da luz sorririas, darias a tua mão, e eu a minha

Para todo o sempre!

sexta-feira, 16 de março de 2012

UMA TRISTE SEMANA PARA A BÉLGICA


O fatal acidente com um autocarro com crianças belgas na Suiça, foi destaque nesta semana em todo o mundo. A Bélgica de luto parou e parou um minuto em memória das 28 vitimas do acidente. Palavras não encontramos neste momentos tristes!
Remerci les photos de Solange - Flandres

quinta-feira, 15 de março de 2012

O HORIZONTE DE CHARLOTTE

A Princesa Charlotte de Habsburg  no mirante da Quinta Vigia - 1922 - Funchal


O HORIZONTE DE CHARLOTTE




Charlotte olha o horizonte


Segue o destino de algum vapor


Que chega ou parte, e o seu destino


Distante


Trás invisíveis sonhos.


Charlotte, debruça-se


No mirante como se do céu,


A terra olhasse.


- Que pensa? Que diz? Ignoramos!


No cimo da cadeira,


Na Quinta Vigia, só


as suas bonecas conhecem


segredos, naquele dia que ela própria


ditará!