sábado, 20 de outubro de 2012

XENTE - 3

LOIBA

Loiba é uma pequena vila virada para o Cantábrico, no Norte da Galiza - Rias Altas. Confesso o meu encantamento por esta zona em estado quase puro, onde de um lado temos o azul do imenso Atlântico, as Rias, Um imenso parque natural com uma vegetação de fazer inveja à Madeira e um clima ameno devido à presença do Atlântico, húmido e chuvoso durante o Inverno que torna tudo verde. Os pinheiros descem até às ondas do mar, os fetos ondulam pelos campos agricolas abandonados. Raposas, aguias ou baleias, aparecem com frequência. Eu já vi algumas na praia ou na floresta. Mas o que me atrai em Loiba, é o seu silêncio, o sorriso da sua gente, que ainda vive do mesmo modo que os portugueses no anos 50 ou 60. Todos são unidos e amigos de ajudar. Confesso que me afeiçoei a esta gente à muito muito tempo. Elas contam-me histórias de pescadores, de tempestades vindas dos Açores, de homens que pescaram pelas Canárias e descobriram a Madeira. Confesso que fiquei surpreendido por gostarem tanto da música de José Afonso e dos poetas portugueses. E esta terra também é de poetas! 
As suas longas e ingremes costas maritimas fazem lembrar a Madeira, as suas ilhotas dão-nos lembranças a toda a hora a todo o instante de onde nascemos, do nosso rincão. Por isso, muitas vezes digo que aqui me sinto bem, aqui passei a visitar ano após ano, os amigos, os conhecidos, as suas gentes como se fosse a minha segunda casa.

XENTE - 2

O ARMÁRIO CUBANO

Manuela mostrava a sua casa, todas as dependências, todos os recantos como se em todos eles estivessem cheios de histórias de seu longiquo passado de menina. Manuela, quando a conheci teria perto de oitenta anos.
- Uña flor! Como lhe dizia... Manuela conservava um misto de vóvó, de senhora com ar distinto, de carinhosa, enfim um encanto de senhora.
Era a primeira vez que via aquela casa, pois tinha três propriedades herdadas de familia e dos seus cinco irmãos. 
- Vem ver um armário que tenho em casa! A madeira tem um aroma maravilhoso, vê se sabes de que madeira se trata? Confesso que já tinha ouvido falar do armário cubano, mas Manuela quando falava da sua preciosidade, falava do seu pai, falava do seu passado de menina, dos seus sonhos de conhecer o mundo. Os galegos emigravam para a Venezuela, para Argentina e para Cuba nos anos 30' do século passado. Gente que ansiava por uma vida melhor, tal como os portugueses saiam em catadulpa. O pai de D. Manuela pensou ir para Havana... e um dia partiu! Embarcou o porto de A Corunha num vapor para as ilhas "calientes" do Caribe. Mas as saudades da mulher e dos filhos, fê-lo regressar pouco tempo depois. Na hora do regresso, enaorou-se por aquele armário e trouxe-o para a sua Santa Marta de Ortigueira. Ali ficou anos a fio, décadas, meio século, mais...
Agora, D. Manuela pedia-me para entrar dentro do enorme armário como se fosse uma daquelas histórias de fadas e duendes...
- Mira! Qué preciosidad... Sente-se o aroma daquela madeira (que continuo a desconhecer o nome) e, enquanto contava histórias do seu pai, dos tempos de fome e da Guerra Civil, da Espanha Franquista e bolorenta,  os seus olhos brilhavam de felicidade. Então, parava um pouco emocionada e dizia-me:
- Carlos, vamos tomar café, por que nos somos locos por café...

XENTE - GALIZA GALICIA

 Olla a rúa de atrás, (Mira la calle de atrás), olla o chan oe o mar, (Mira el suelo y mira el mar), olla os que xa non están, (Mira los que ya no están), oe o bardo cantar, (escucha el bardo cantar), Oe o son do andar, (Escucha el sonido del andar), son os que veñen sen pan, (son los que vienen sin pan), saen do seu despertar, (salen de su despertar), collidos da túa man, (cogidos de tu mano), Ollame óllate, (Mírame mírate), olla os ollos dos que ven, (mira los ojos de los que vienen), ven de ti ven de min, (vienen de ti vienen de mi). óllame óllate, (mírame mírate). xente que vai soa, (Gente que va sola), xente que vai embora, (gente "emigrante"), xente que namora a xente, (gente que enamora a la gente), xente diferente, (gente diferente), xente intermitente, (gente intermitente), xente intelixente, (gente inteligente), xente, (gente) , xente divertida, (gente divertida), xente distendida, (gente distendida), xente a túa medida, (gente a tu medida), xente, (gente), xente que sorprende, (gente que sorprende), xente que comprende, (gente que comprende), xente que non se vende, (gente que no se vende), xente, (gente).


http://www.youtube.com/watch?v=A1Gz7KqkIsE&feature=colike

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ERA UMA VEZ UM POETA - HERMAN DE CONINCK



No chão da Rua Sá da Bandeira, uma lápide perpetua o preciso lugar onde o poeta flamengo faleceu.
Abaixo, principais dados biográficos extraidos de um site dedicado à sua obra.



On 22 May 1997, when Herman De Coninck died in Lisbon of a cardiac arrest during a literary congress, Flanders lost one her most widely-read poets. The poet and essayist who taught his people how to read poetry was no more, but even after his death, his poetry debut, De lenige liefde (Limber Love, 1969), a collection of playful love poems, remains one of the best-sold volumes of Dutch-language poetry.


De Coninck’s poems, described as “strange, original, and absolutely fabulous” by the renowned Serbian-American poet Charles Simic, owe their popularity to the clear parlando style, the balanced tone and the familiarity of themes like love, mortality and loss. For De Coninck, poetry was, sometimes literally, an exercise in loss. His second volume, for instance, Zolang er sneeuw ligt (As Long As Snow Remains, 1975), was inspired by the loss of his first wife. In later, more romantic volumes – from Met een klank van hobo (Sounding like an Oboe, 1980) and De hectaren van het geheugen (The Acres of Memory, 1985) to the posthumously published Vingerafdrukken (Fingerprints, 1997) – the wordplay makes way for a sparser melancholy.

A constant in his poems is the urge to bring poetry closer to everyday reality without adopting the pose of a distant observer. Influenced by Pop Art, the poets associated with the Dutch literary magazine Tirade, amongst them Rutger Kopland, and his work as a journalist for the Belgian weekly HUMO, De Coninck was committed to making his poetry accessible. He accused experimental poets like the Netherlands’ Lucebert of being deliberately difficult and considered the poetry of Rainer Maria Rilke too divorced from real life. In his poems, De Coninck often takes a familiar situation as the point of departure, things like an autumn walk or a birthday party. He was a poet of understatement, who countered sentimentality with ironic humour, while also admiring the grandeur in the work of poets like the American bohemian Edna St.Vincent Millay, whose poems he translated (1981).

But it was not just as a poet that he left his mark on the literary world. As a poetry critic in daily and weekly newspapers and as the editor of the Nieuw Wereldtijdschrift, which emulated the American magazine Vanity Fair by aiming for a cross-fertilisation between literature and journalism, he developed into one of the Low Countries’ most prominent guides to poetry. In essay collections like Over de troost van pessimisme (On the Comfort of Pessimism, 1983) and Intimiteit onder de melkweg (Intimacy under the Milky Way, 1994) he expressed his abhorrence for what he called “the formaldehyde reek of the academy” and demonstrated his aversion to jargon. Although he felt somewhat slighted as a poet after being passed over repeatedly for the Flemish Culture Prize, he won it posthumously for his essays. Contagious enthusiasm and a great love for language were the gentle weapons with which the poet and essayist strove to make poetry comprehensible.

© Cathérine De Kock (Translated by David Colmer)


Selective Bibliography

Poetry

De lenige liefde (Lithe Love), Orion – Desclée De Brouwer, Bruges, 1969

Zolang er sneeuw ligt (As Long As Snow Remains), Orion – Desclée De Brouwer, Bruges, 1975

Met een klank van hobo (Sounding like an Oboe), Van Oorschot, Amsterdam, 1980

De hectaren van het geheugen (The Acres of Memory), Manteau, Antwerp, 1985

Enkelvoud (Singular), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1991

Schoolslag (Breaststroke), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1994

Vingerafdrukken (Fingerprints), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1997

De Gedichten (Collected Poems), De Arbeiderspers, Amsterdam, 2000

Essay

Over de troost van pessimisme (On the Comfort of Pessimism), Manteau, Antwerpen, 1983

De flaptekstlezer, De Arbeiderspers, Amsterdam, 1992

Intimiteit onder de melkweg (Intimacy under the Milky Way) De Arbeiderspers, Amsterdam, 1994

De vliegende keeper, De Arbeiderspers, Amsterdam, 1995

Het Proza (Collected Prose), De Arbeiderspers, Amsterdam, 1995

Translations

Liefde, miskien (Afrikaans), Queillerie, Kaapstad, 1996

[Selected Poems] (Bulgarian), Narodna Kultura, Sofia, 1987

The plural of happiness (English), Oberlin College Press, Ohio, 2006

Die Mehrzahl von Glück (German), Heiderhoff, Eisingen, 1991

Hotel Eden (Polish), Witryn Artystów, Klodzko, 1989

Os hectares da memória (Portuguese), Quetzal, Lisboa, 1996

[Selected Poems] (Russian), Paritet Graph, Moscow, 2000

Dan kao nijedan drugi (Serbo-Croatian), Prometej, Novi Sad, 1995

Prizes

Yang Prize (1969)

Prize of the Province of Antwerp (1971)

Dirk Martens Prize of (1976)

Prize of the Flemish Provinces (1978)

Koopal prize (1981)

Prize of De Vlaamse Gids (1982)

Jan Campert Prize (1986)

Flemish Culture Prize for Essays (1997)


Links

A website dedicated to the life and works of Herman De Coninck (in Dutch)
The works of Herman De Coninck are published by De Arbeiderspers (in Dutch)
Herman De Coninck’s publisher in the United States (in English)

sábado, 13 de outubro de 2012

KEPA JUNKERA - BOK ESPOK

The Music of Basque

http://www.youtube.com/watch?v=oIXioc0l29A&feature=colike

MAITIA NUN ZIRA - KEPA JUNKERA & DULCE PONTES

A poesia e o som basca com Kepa Junkera e Dulce Pontes. Uma bela combinação sem fronteiras  


http://www.youtube.com/watch?v=8sxWxM-BUgw&feature=colike

MADREDEUS IN BREMEN

GLOCKE Spezial: Madredeus

Portugiesische Kult-Formation erstmals nach sechs Jahren wieder auf Tour

Eine der berühmtesten Bands Portugals ist wieder da: Madredeus. Mit ihrem1987 erschienen

Debüt-Album „Os Dias Da MadreDeus“ hatte die Formation ihren Durchbruch und begeistert

seitdem mit ihrer Verbindung von Fado, Folk und Klassik. Für ihr 25-jähriges Jubiläum kehrt die

portugiesische Kult-Formation nun nach sechsjähriger Abstinenz in veränderter Besetzung rund

um Gitarrist Pedro Ayres Magalhães und Keyboarder Carlos Maria Trindade zurück auf die internationalen

Bühnen. Am Sonntag, 14. Oktober, stellt sich Madredeus um 20 Uhr in der Glocke

mit seinem Programm „Essência“ vor, das neben neuen Songs auch eine unvergängliche Auswahl

ihrer magischen und einzigartigen Klassiker aus über zwei Jahrzehnten beinhaltet.

Der Sound von Madredeus ist einzigartig: Die traditionelle portugiesische Musik und Themen der

nationalen Lyrik und Mythologie bilden die Grundlage, der Klang der Lieder ist jedoch dank vielfältiger

Anleihen aus der Popmusik modern – verbunden mit einem Hauch von Fado und dem

dafür so typischen allgegenwärtigen Funken Melancholie. Die schwerelosen und mystischen

Gesänge verschmelzen mit der instrumentalen Begleitung zu ganz eigenen Klangwelten, die

auch den berühmten deutschen Regisseur Wim Wenders so faszinierten, dass er Madredeus

1995 den Soundtrack zu seinem Film „Lisbon Story“ anvertraute. Von nun an war der internationale

Siegeszug des Ensembles nicht mehr aufzuhalten und immer wieder griffen die Künstler

souverän musikalische Eindrücke auf, die sie auf ihren Tourneen durch die ganze Welt gesammelt

hatten. Nachdem Sängerin Teresa Salgueiro die Gruppe für ihre Solo-Karriere verlassen

hatte, wurde es einige Jahre ruhiger um Madredeus. Die verbliebenen Originalmitglieder Pedro

Ayres Magalhães und Carlos Maria Trindade haben nun anlässlich des 25-jährigen Jubiläums

rund um die in Jazz und klassischem Gesang ausgebildete Sängerin Beatriz Nunes eine neue

Formation gebildet. Für ihr Programm „Essência“ knüpfen sie an den bewährten akustischen

Sound von Gitarre, Violinen, Cello und Synthesizer aus den Anfangsjahren an – ganz dem Titel

entsprechend quasi die Essenz ihres unveränderlichen musikalischen Kerns.

Kurzinfo:

Veranstaltungsreihe: GLOCKE Spezial 2012/13

Veranstaltung: Madredeus – „Essência“-Tour 2012

Ort: Glocke, Großer Saal

Termin / Uhrzeit: Sonntag, 14. Oktober 2012, 20 Uhr

Eintrittspreise: 39 € I 32 € I 25 € I 18 €

(20% Ermäßigung für Schüler und Studenten bis 30 Jahre)

Veranstalter: Glocke Veranstaltungs-GmbH

Info / Karten: Ticket-Service in der Glocke (Tel. 0421 / 33 66 99)

und unter www.glocke.de

Weitere Informationen für die Redaktionen:

GLOCKE VERANSTALTUNGS-GMBH, Carsten Preisler und Inge Claassen,

Tel. 0421 / 33 66-660 und -661, Fax 0421 / 33 66 880, e-Mail: preisler@glocke.de

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Christian Mølsted - A great artist



Fragata Jylland junto à costa da Madeira
 
Christian Mølsted, nasceu em Dragor - Dinamarca em 1862 e faleceu na sua terra natal em 1930. Filho de um artesão de pequenos barcos de pesca e também ele pescador, herdou o gosto pelo mar desde criança. Entrou na Technical School of Art em 1879 e seis anos depois, conclui o seu curso.
 
Viajou para a Madeira em 1880 após uma viagem à Rússia, onde pintou marinhas e paisagens com navios. Foi um excelente artista sobre esta temática e possui na cidade que o viu nascer, um pequeno museu em sua homenagem. Ao longo da sua carreira foi galardoado com vários prémios, entre os quais o galardão da Copenhagen Royal Academy Award