terça-feira, 24 de dezembro de 2013

UM BOM NATAL PARA TODOS

A special work from the german artist MARA FELICITA
Thank's Mara! 

O NATAL DE 1963




Muitas vezes temos dificuldade em nos lembrarmos de uma determinada data com precisão. Quantos de nós ao relembrar um acontecimento não conseguimos identificar o dia ou o ano. Contudo, um pequeno ou grande incidente, um dia triste ou alegre, a aproximação de uma data em que nos faz relembrar que foi naquela época, naquele dia, naquela hora que tudo vem à nossa memória...

Em casa havia uma azáfama fora de comum! Aquele Natal de 1963 era um pouco atípico ao reunirem-se na Madeira, um grupo de familiares e amigos que iriam fazer todos os possíveis para juntarem-se em grande festa. Eram os amigos mais chegados que vinham de Lisboa, era o amigo Rock que vindo de Edimburgo via Londres, tinha sido convidado para passar uma temporada na nossa ilha, eram ainda as melhorias nas condições de acostagem do porto do Funchal e a previsão do aeroporto de Santa Catarina que estavam a mudar a Madeira, transformando-a num lugar com mais e melhores condições para servir os seus habitantes e os que nos visitavam. 
Pela manhã deu-se o alerta! Aos primeiros raios de Sol, a cidade do Funchal então calma, sem a confusão do trânsito, foi quebrada pelo alvoroço das sirenes dos bombeiros. Então, a noticia passava de boca em boca a uma velocidade nunca antes vista: o Lakonia estava a afundar-se! O Lakonia está em chamas!
Em casa era o caos! De repente, eu sai em pijama para o terraço de casa como se pudesse ver o sinistro. A minha mãe gritava desesperada como se fosse a casa que estivesse tomada pelo fogo, e eu fiquei sozinho em pijama, sem saber que atitude a tomar. A casa ficou como que abandonada, o presépio sem sentido a um canto, o cheiro a mel e a doces de Natal sem interesse, o rádio silencioso. Pessoas corriam nas ruas rumo ao cais da cidade. Homens do mar procuravam saber mais informações sobre o local. À porta da Radio Marconi, filas de pessoas procuravam respostas sem nexo. No cais da cidade, a minha mãe agarrada ao varandim de ferro gritava que queria seguir numa lancha em busca do Lakonia, enquanto um empregado do Blandy e os agentes da Guarda Fiscal tentavam acalmá-la. As pessoas começaram a dirigirem-se para o cais em busca de algo que pudessem ajudar naquele drama. A histeria da minha mãe era total, um agente do Estado, que a conhecia disse mais tarde que ficou com medo que ela se atirasse ao mar. Mais tarde, dizia-me que foi a única vez na vida que tinha perdido as "estribeiras", com as mãos fazendo pressão no varandim, acabou imóvel e sem força para raciocinar ou dizer o quer que fosse. Dizia-me que perdeu a noção do tempo e só pensava nos familiares e amigos que naquele amargo momento se encontravam em pleno oceano. Mais tarde, os navios que prestaram ajuda e encaminharam feridos e vitimas para o porto do Funchal, em especial o navio argentino SALTA, desembarcaram na Pontinha. A Tia Regina concedia uma entrevista ao Diário de Noticias do Funchal. Rock após se ter atirado à água, foi pescado por um salva-vidas e chegou inteirinho para as suas férias na Madeira. Em nossa casa o Natal de 1963, seria para sempre recordado com emoção. Enquanto foi vivo Mr. Rock  vindo das Highlands, divertia-se dizendo que graças às suas banhas, pois era muito "volumoso", e aos seus inseparáveis whiskies tinha aguentado o mar. Mas nós sabiamos que ele também era um excelente nadador, sem o qual não teria conseguido sobreviver.

Em memória de Rock, meio século depois!
CAM

domingo, 15 de dezembro de 2013

Masaaki Miyasako no Museu do Oriente

A exposição do artista japonês Masaaki Miyasako no Museu do Oriente está quase a chegar ao fim. Vale sempre espreitar as obras em grande dimensão com uma minúcia incrível feita em papel washi e com técnicas do antigo Japão. Está para o País do Sol Nascente, como a Europa de Cézanne. Cores suaves e traços precisos dão uma sensação de movimento, de contrastes entre sombras e tons que fazem deste pintor um grande nome das artes. É só passar pelo museu, e já agora com a crise a não servir de desculpa, a entrada às sextas-feiras das 18 às 22 horas, são grátis!

sábado, 14 de dezembro de 2013

HORA DE SESTA

A manhã acordava sob um Sol morno. Clientes não haviam e os animais decidem-se por ir ruminando sem pressa, com todo o tempo. Olham o fotógrafo com aquele olhar calmo de quem se sente cansado de puxar carros e turistas pelas ruas da cidade. Era como que uma crónica de uma morte anunciada, uma pedra no charco a decisão de se acabar com os famosos carros de bois que a cidade exibia ao mundo. Para uns , atrapalhava o trânsito, para outros criava mau cheiro os dejectos que ficavam sobre o asfalto. Havia ainda outros que argumentavam que o Funchal tinha de evoluir, modernizar-se. Na minha opinião, sempre discordei de acabarem com aquilo que era tipico, que pertencia à sua cultura, ao seu passado histórico. Uma coisa é certa, a cidade ficou a perder! Por vezes aparece um ou outro turista a fazer perguntas sobre aquele meio de transporte e fica no ar uma série de interrogações. Possivelmente muitos dos que quizeram acabar com os carros, nunca andaram num. Possivelmente... por snobismo... possivelmente...

sábado, 7 de dezembro de 2013

EDUARDO GAGEIRO

Foto blog Lidia Joge

Chamem o Gageiro
Ele leva pouco dinheiro
A tirar uma fotografia, que eu quero
guardá-la no album da memória. 
Chamem o Gageiro!
Só ele compreende o enquadramento da ocasião, 
o perfil e a beleza 
que está no teu corpo a vida 
presa.
- Vá lá!... Chamem o Gageiro!
Falem pelo telefone, diz-lhe
Venha depressa 
Para que nada se perca, nem a luz, nem a sombra
do momento.
- Chamem o Gageiro, já disse que ele é um tipo porreiro.


Ao grande foto artista Eduardo Gageiro

CAM-Dez.2013

sábado, 2 de novembro de 2013

AO DOMINGO

AO DOMINGO

Ao domingo, o ceguinho sentava-se na soleira da porta da Travessa de São Paulo. Pela manhã, esperava os clientes que saiam da missa, predominantemente crianças.  Pela tarde,  grupos de rapazes seminaristas atravessavam a cidade. Desde o edifício na Encarnação, em fila indiana e com as suas vestes negras, passavam pelo Pombal;  Largo da Cruz Vermelha; Cruzes; final da Carreira, Cabouqueira e Ilhéus a caminho do campo dos Barreiros. Era a tarde das emoções futebolísticas! Criadas em tarde de folga, saíam de mão dada com os namorados rumo a um qualquer banco da cidade. Eu passava pelo ceguinho com uma moeda de alpaca de um escudo, aguardava que enchesse um copo de vidro a servir de medida, e despejava num cartucho de papel, tremoços amarelos. Ficava perplexo com a destreza em reconhecer o valor das moedas. Depois era descer a Ribeira de São João, contornando velhos autocarros estacionados e encostados aos velhos plátanos.


Junto ao cais, vendedores ambulantes em pequenos carrinhos com rodas de bicicletas, encantavam os transeuntes. O cheiro do amendoim acabado de torrar espalhava-se abrindo o apetite dos que passavam. O homem dos sorvetes tirava cones de baunilha e sabor de banana e morango. O seu reino tinha agora a concorrência do quiosque feito em fibra e que vendia Olás e Rajás fresquinhos. Eram mais higiénicos e tinham pequenos brindes de plástico que deliciavam as crianças. Quem não colecionava figuras do Walt Disney ou do Carrocel Mágico? Mas nada melhor do que disfrutar a ensolarada de domingo, com um pacote de amendoins, junto à rotunda do velho cais. No horizonte, o imenso azul do oceano, caminho e destino de quem ansiava ver o mundo além da curva do Garajau, onde os velhos vapores sumiam deitando fumo das esguias cheminés. Tal como a negra fumaça desvanecida no ar, sonhávamos o mundo em fotografias de jornais.

A mulher vendia guloseimas! Eram guarda-chuvas de chocolate, tabletes da Regina, rebuçados com riscas coloridas, gamesses na linguagem dos pequenos. Por vezes, e antes de esgotarem, a vitrine ostentava queques de laranja, cornucópias e bolos de arroz feitos pela madrugada. Rosquilhas, bolos do caco, cavacas e até caramujos com sabor a maresia, apanhados no calhau. De uma esguia cheminé metálica, saía aquele inconfundível cheiro a amendoim convidando os domingueiros a gastar as pequenas moedas guardadas da mesada.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A PRIMEIRA EXPOSIÇÃO

A  PRIMEIRA EXPOSIÇÃO


Ele acabara de ver uma exposição de trabalhos escolares que a Escola de Artes e Ofícios tinha delineado para apresentação do final do ano escolar. De calções curtos e camisola colorida, os seus seis anos de menino, ficara hipnotizado pela imensidão das pinturas; construções em madeira ou papel, maquinetas futuristas e outros tipos de actividades que os alunos mostravam para o encerramento do ano lectivo.

Chegou a casa cheio de energia, ideias para colocar em prática no seu quarto de leitura, a sua primeira exposição. Começou por seleccionar da sua pasta de cartão, os melhores desenhos. Surripiou alguns pioneses para prendê-los à parede de estuque. Depois, as dezenas de pauzinhos dos gelados Olá e Rajá, serviriam para construir aviões, navios com linhas dinâmicas. Quando achou que estava pronta, abriu a porta e convidou os seus amigos.
- Entrem! Entrem!...
Em fraterno diálogo consigo próprio, imaginava conversas.
- Então? Está a gostar da exposição? Olhe, este é o navio que pintei! Aquele pertence à companhia do Cabo! Veja o novo avião da Air France com as cores da bandeira francesa! Do outro lado da barricada, o mesmo menino, que inventava a apresentação, colocava-se do lado do público.
- Está bonita esta aguarela… linhas elegantes… um aluno com veia de artista… etc.etc…
O menino deliciava-se com estes “diálogos” imaginário, vozes inglesadas que transformavam os sins em “yes! All right! Very nice! As mesmas que ouvia vezes sem conta da boca de ingleses que andavam em luxuosos táxis, divertiam-se a tirar fotografias aos carros de bois ou aos cestos de vimes do Monte.
Nesta miscelânea entre sonhos, diálogos e solilóquios, nem reparou que à porta estava especada a sua mãe, intrigada com os diversos tipos de sons que saíam do quarto. Perante o mistério daquela algarviada, em imitar vozes desconhecidas, ela perguntou?

- Mas o que se passa aqui? Pronto, o menino ripostou que estava a inaugurar a sua exposição de pinturas e convidou-a a visitár. Só depois reparou que tinha sido apanhado de novo a falar para personagens imaginárias. Mas elas estavam ali tão pertinho dele que não achava diferença nenhuma. Além do mais se não falasse com elas, com quem mais poderia conversar???
  

CAM


sábado, 19 de outubro de 2013

OS CEM ANOS DE VINÍCIUS

A semana que agora terminou, comemorou-se os cem anos do nascimento do "poetinha" Vinicius de Moraes. Apesar de algum alarido da comunicação social sobre o facto, o certo é que foi mais "fogo de vista", de procura pelo sensacionalismo e pouco ou nada pelo verdadeiro cerne; a sua obra poética. A RDP-Antena 1, primou por fazer quatro programas de 60 minutos, em que conta um Vinicius em visita a Portugal nos finais dos anos 60'. Quanto à sua obra, pouco muito pouco. É sina dos poetas serem esquecidos e poesia não se vende! Preocuparam-se mais em dar ênfase aos nove casamentos, "encher chouriços" como se diz na gíria jornalística.
No que diz respeito à minha pessoa, ninguém influenciou tanto, nem mesmo Drummond através da sua poesia ao longo da vida. Vinicius foi desde os tempos do liceu, adorado, idolatrado, venerado quanto baste até à exaustão. 

sábado, 12 de outubro de 2013

ODÍLIA

Odília tinha cabelos longos
Cuidadosamente penteados. Olhos 
doces que acompanhavam o seu falar
cativante. Comparava-se a Ophelia!
Possivelmente recebia cartas de amor
bilhetes doces, pensamentos, olhares.
Odília cheirava a flores
Penso que eram jasmins perfumados
Ou Eau Jeune de Paris!
Desconheço se Ophelia usava perfume
Se Fernando lhe oferecia Água de Colónia 
Mas ambos sonhavam e sonhavam sem fim 
A sua bela amada. Se era Fernando ou Pessoa, não sei!
Ou seriam os dois? E eu pensava,
copiava sonetos, desenhados em cartões couché
para lhe enviar pelo correio.

CAM

CALINAS

O meu cão Calinas
dá em rosnar quando ouve falar 
em coelhos, na televisão.

Oh Calinas morde, morde
Ferra nas canelas
Desses políticos fatelas...

O Calinas mostra os caninos,
Arreganha a dentuça e fica alerta
Pronto a atacar.

Ah grande Calinas!
Cerra a boca, morde esses traseiros,
mesmo a jeito
de levar um pontapé a preceito, 
Desses doutores politiqueiros.

Oh Calinas morde, morde
Ferra nas canelas
desses políticos de meia-tijela! 

CAM

CABEÇA NA LUA

O menino começava a andar
queria correr mundo, caminhar.
Copiando em cada passo, 
Elevando-se no espaço, imitando
Gagarine, seria nos desenhos
que ambicionava expôr, grafites, Picassos 
em papel almaço.

CAM 

LOS TRES PABLOS

Pablo Casals numa pintura de Rafael Serrano Muñoz


Picasso, Casals e Neruda
Encontram-se no infinito.
Picasso desenhava, Casals tocava e Neruda
declamava poesia. Todos eles
elaboravam arte 
no Céu em exposição.

CAM

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A FORÇA DE MALALA - "EDUCATION FIRST!"

Photo CNN

Existem pessoas assim! Com uma força impressionante capazes de mover montanhas, de transformar o mundo num local onde podemos ser felizes. A menina de 16 anos Malala Yousafzai, depois de ter sofrido um atentado que lhe danificou o cérebro, que lutou contra as armas dos Talibans, teve a coragem de dizer numa conferencia de imprensa na BBC que gostaria de ver um mundo onde as jovens pudessem ter oportunidade de estudar e de ir à escola deu uma uma lição ao dizer numa simples frase poderosa:
- Education first! Até uma menina vitima de violência e candidata ao Nobel da Paz, vê a força da educação. Por cá, os nossos governantes fazem-se de ceguinhos...
- Que Malala consiga o prémio Nobel, é o meu desejo! Que Malala dê uma bofetada de luva branca ao mundo, pois bem merece todos os prémios, todos os sorrisos, todo o nosso respeito e admiração.
- Bem haja Malala!      

domingo, 6 de outubro de 2013

CHAPÉU DE PAPEL

Chapéu de um velho jornal,
pena de galinha,
pau de vassoura, espadachim,
bibe com uma joaninha estampada no azul bebé.
Cerejas, brincos de princesa pendurados nas orelhas
Olhar de pirata mal humorado, perna de pau
coxeando qual Saci.

E eu olhando para ti...

Conquisto o galinheiro
Enloquecem patos e galinhas, 
perus danados.
E eu com o chapéu de um velho jornal
pena de galinha,
pau de vassoura, em duelos sem fim
Conquistando o mundo de aves voando alvoroçadas
fugindo, fugindo de tão louco espadachim.

Atrás de mim, marchando a preceito, cantas:

- Rataplão, rataplão, rataplão
- Toca a marchar, toca a marchar,
- O rataplão!
- À frente o galo có-ró-có-có, 
- depois a galinha cá-rá-cá-cá
- E o pintainho quí-ri-qui-qui
  

CAM - 2013


domingo, 8 de setembro de 2013

O RINQUE DE SOLANO

Não consegui identificar o autor desta foto

O RINQUE DE SOLANO


Teria os meus sete anos, quando descobri pela primeira vez o hóquei em patins. Se é certo que por vezes ouvíamos na telefonia, os relatos de Europeus e Mundiais em que participava a seleção nacional, no meu imaginário, decorriam jogadas mágicas em que o Livramento, na altura considerado o melhor jogador do mundo e o Ramalhete (guarda-redes) faziam dos adversários "miséria".

Na época, começaram a ser jogados no Rinque da Quinta Vigia, uns torneios da modalidade em que um dos grandes craques madeirenses era o jogador Solano. Aproveitando o seu convite, íamos todos em autêntica romaria ver os jogos. Por vezes, realizavam-se à noite onde uma assistência empolgante, delirava com as jogadas, os golos e a festa que se seguia após a finalização dos mesmos. Quanto ao nosso Solano Zamorano, era dentro e fora de campo, um poço de energia inesgotável. Tinha a preocupação de cativar a juventude para o desenvolvimento da modalidade na Madeira e só o seu carácter e a sua fé, poderiam ajudar os mais pequenos no desporto. Solano era a simplicidade em pessoa, sempre irrequieto como uma criança, sempre à procura de algo novo que conseguisse satisfazer a sua personalidade. Lembro-me muito bem que a sua figura esbelta, os seus penetrantes olhos azuis, derrubavam barreiras e emocionavam os seus fans.   

A Quinta Vigia era na época uma espécie de Pavilhão dos Desportos, com os campos de ténis o seu rinque multi-funções com as bancadas e uma pequena cobertura central. Desses tempos restam os heróis, do espaço não resta para mostrar às novas gerações, só algumas imagens fotográficas a fazer lembrar que ali já existiram momentos de glória no desporto madeirense. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

VARANDA


Neste país à beira-mar plantado, o meu mini jardim decidiu-se por florir em pleno Agosto. As framboesas de um lado e as bouganvíleas do outro concorrem entre si. As orquideas resolveram fazer greve...  

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A SÉ NÃO CAI

Domingo era por norma sempre o mesmo ritual. Na época, era a missa da uma hora da tarde, uma das mais concorridas na Sé. Embora não fosse a hora da minha predileção, pois queixava-me sempre do excesso de calor, de ter fome ou uma soneira tremenda, o certo é que após o ato religioso, a maioria dos fieis ficavam com o resto do dia livre para dar uma volta, visitar parentes e amigos ou preparar os trabalhos para o início de uma nova semana.A grande vantagem era quando o Cónego Damasceno de Sousa celebrava a missa! Primeiro por ser uma pessoa muito enérgica, prática e frontal,  a sua homilia era feita de rompante. Depois de rezar as orações, desenvolvia o tema em 10 ou 15 minutos, aquilo que a maioria dos sacerdotes demoravam uma eternidade, repetindo-se vezes sem conta até `a exaustão. Confesso que o admirava quando chegava à hora da comunhão, as pessoas ajoelhavam no degrau e quando dizia: - Corpo de Cristo! - ainda nós não tínhamos dito – Amém, já ele tinha colocado a hóstia na boca do mais comum dos cristãos e seguia o seu caminho. A rapidez com que terminava a missa sempre antes do relógio caminhar para as 2 horas da tarde. Batia sem dúvida o recorde das missas mais rápidas da Madeira. 

Ora certo domingo, a meio da liturgia, algumas areias começaram a cair do teto da Catedral em cima dos fieis. O alvoroço foi de tal maneira que as pessoas acotovelavam-se, empurravam-se a caminhos das diversas portas de saída em busca de refúgio. Alguém gritava que a Sé iria cair…. E tudo desapareceu num ápice. Eu tremia agarrado às saias da tia que com toda a calma do mundo, respondia-me assegurando-me que a Sé nunca cairia. As pessoas, essas iriam cair primeiro!.... O padre esse continuava imune a toda a barulheira e bagunça, olhando por cima dos óculos mantendo-se sereno e continuando o acto religioso. Por fim a missa chegou ao fim! Só me acalmei depois de ter transposto a porta principal e sentir a leve brisa na rua. 


Vezes sem conta olhava o tecto de cedro da catedral, e pensava se todas aquelas traves aguentariam durante séculos o templo mais importante da Madeira.  Certo é que as pessoas vão caindo com os anos, mas a Sé continua inamovível ano após ano recebendo todos os que a visitam. No entanto, quando transponho o átrio principal, dou comigo a olhar para o alto negro como que a desconfiar se um dia virá abaixo… é por que quero ser o primeiro a correr para a rua, e já não tenho as saias da minha tia para me agarrar e pedir a proteção divina. Quanto ao Cónego António Damasceno, esse continuava a vê-lo vezes sem conta, na sua figura imponente,  a conduzir o seu carocha branco, a lembrar D. Camillo, (alcunha como era conhecido), mas isso eram outras histórias inventadas por Giovanni Guaresci.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

AS PEDRAS

As pedras


Souvenir

Contornava o calhau da Praia Formosa quando resolveu curvar-se para apanhar aquela pedra. Inúmeras e minúsculas crateras decoravam a negrituda da pequena rocha. Estaria ali desde os primórdios do mundo, desde que a Madeira se formou e de incandescente a lava rompeu o oceano. Lembrou-se de colhê-la, de acaricia-la com se fosse um gato ou um cão. Abriu o saco e deixou-a cair junto às toalhas. Mais tarde, embrulhou-a e trouxe-a como recordação. Aquela era uma pedra viajada, muito “pra-frentex” que tinha o privilégio de andar de avião. Mais tarde, acabou no parapeito da janela da cozinha, como se estivesse aninhada a ver a paisagem, a relembrar a sua terra o seu mar. A seu lado, fazia-lhe companhia uma pequena estrela do mar de esbatido vermelho perdida no tempo. 


Uma pedra não faz o caminho, muitas fazem a estrada!


Carlos Drumond de Andrade dizia que havia uma pedra. Penso que existem muitas. Umas passam a vida a levam pontapés de um lado para o outro como se fossem bolas. Outras acabam em jardins decorados, em canteiros contornando verdes relvados. Existem as que são aduladas, as preciosas que acabam em primorosas jóias. Depois existem as melhores amigas das mulheres: os diamantes são eternos!... Outras acabam por ser polidas, gastas por máquinas que cortam, modelam, brilham em tampos de mesas em qualquer lar. Por vezes são manhosas, inconvenientes! Esta semana soube que uma ministra andava com uma pedra no sapato. Não é que seja raro, mas andar tanto tempo a moer-lhe o calcanhar, deixa marcas… e uma pequena pedra num sapato de uma governante causa dor na consciência. Mesmo que admita que não está a mentir, interiormente a sua consciência dita o contrário! E nem o facto de ter que fazer uma ginástica para manter as aparências do que está “politicamente correcto”, aquela dorzinha marota, faz-se notar quando procura manter o seu movimento indelével, mantendo a compostura no andar.
Ah, se não fossem os paparazzi, os jornalistas sempre em busca de notícias sensacionalistas, os telejornais sempre em busca de espaço para “encher chouriços”, dava-lhe tanto jeito descalçar e sacudir o sapato, para que aquela pedrinha deixasse de magoá-la. Mas isso era intolerável numa reunião com os outros ministros, na tomada de posse em frente ao senhor presidente. O que haveriam de dizer nas suas costas? Os comentários, as anedotas, etc… não ficava bem! Já bastava o caso anos antes em que o senhor presidente que se enganou ao comprar uns sapatos com um número abaixo do que estava estipulado pelo orçamento de estado e, inflamou o dedo grande do pé. Coitadinho, andou a coxear durante uma temporada até conseguir mandar ao sapateiro para colocar numa forma de ferro feita precisamente para alargar sapatos presidenciais.
  

Intifada Made in Portugal


Davam jeito as pedras da calçada portuguesa arremessadas como se fossem chuva de meteoritos. Era a “intifada” made in Portugal. Como se fossem pequenos Davides contra Golias e no fim da história os Davides liliputianos vencem sempre os Golias ou não teria graça nenhuma.   


Nome de mulher


Quando ela nasceu, gerou-se uma grande discussão. Qual seria o nome a dar à sua filha caçula? Mãe e pai degladiavam-se tentando arranjar motivos mais que válidos para os nomes que serviriam de tão importante escolha. Por fim, ela resignada, esgotada por tantas propostas inválidas, tantos insucessos e interrogações, gritou-lhe:
- És mesmo calhau… teimoso que nem uma pedra!
Então fez-se luz! Eureka! Iria chamar-se Petra Stone… e ambos concordaram!


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A IMAGEM DE SANTA CATARINA


A IMAGEM DE SANTA CATARINA

No início dos anos 60’ do século passado, a Capela de Santa Catarina, sofreu obras de restauro. A passagem da capela da família Blandy para as mãos do Patriarcado, o estado de abandono a que se viu votada, o imenso mato que proliferava, metia dó! O encerramento do Cemitério das Angustias, a falta de acessos, e o prometido parque da cidade que o Município do Funchal prometera, dava ao local mal frequentado por vagabundagem e alvo fácil de assaltos e proxenetismo. Depois da Câmara Municipal do Funchal decidir criar o Parque de Santa Catarina, optou-se por ter vigilantes permanentes, 2 guardas, um sistema de iluminação adequado ao espaço, de modo a tornar o local acolhedor e seguro aos seus visitantes. Depois, rasgaram-se passeios, plantaram-se novas espécies de flores e árvores, colocou-se gradeamentos e pequenos lagos artificiais. Abriu-se espaços panorâmicos e escadarias envolventes. A capela possuía apenas alguns santos e abria ao público uma vez por ano para a celebração do dia da Santa. Nessa ocasião, muita gente acorria à missa mais por curiosidade de visitar o seu interior.
Era precisamente nessa ocasião, que sobressaía o seu altar de talha dourada, a imagem de uma pequena criança espreitando debaixo da saia de Catarina.
Confesso que apesar da tenra idade, passava o tempo do acto religioso, embasbacado com o por quê de tão singular imagem? Jamais vi ou ouvi argumento válido que pudesse desvendar o mistério da Santa Catarina de Alexandria. A imagem, essa actualmente deverá estar no Museu de Arte Sacra do Funchal… pelo menos deduzo, de um Monumento Nacional espera-se isso…


segunda-feira, 1 de julho de 2013

A FELICIDADE

Para fazermos uma criança feliz, basta dar um lápis e uma folha de papel. Depois, ela retribuirá os seus sonhos desenhados no papel, oferecendo-nos feliz! 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

UM BRASIL, MUITOS BRASIS




UM BRASIL, MUITOS BRASIS

Confesso que não fico nada surpreendido com a recente vaga brasileira de manifestações e de reivindicações por parte deste povo irmão.

No meu caso, as afinidades com o Brasil são grandes! Avós e tios viveram ou ainda vivem neste país. Fui por isso fortemente influenciado pela sua cultura, hábitos e costumes, mas sempre achei que havia não um, mas muitos brasis! Nem é necessário ler Gilberto Freyre e a sua “Casa Grande e Senzala”, Machado de Assis, Veríssimo ou Jorge Amado, para se assistir a um país unidos por muitas culturas, dividido por muitas classes sociais. Quando olhamos para a sua jovem história, este Brasil está cheio de contrastes, aquilo a que eu chamo de um Portugal em ponto grande. Enquanto a nação lusa velha de mais de 800 anos, prefere lamentar a situação em que nos encontramos social e financeiramente, o Brasil jovem avança para uma maior e melhor justiça. Se o conseguirá, não sei… mas pelo menos tenta!
Se olharmos para o panorama nacional, na nossa pequenez temos a tendência para sermos um pouco megalómanos. Fizemos o maior centro comercial da Europa, quando nos pedem 5 ou 6 estádios de futebol, fizemos 9. Quando pensamos no trem de alta velocidade (TGV), pensamos logo em inúmeras linhas, como se tratasse de um brinquedo. Quando nos pedem uma ponte, pensamos logo em várias com tráfego diversificado. Não somos de modas! O que interessa é manter os cidadãos aparentemente felizes, o futebol é por si só, o circo do povo, tudo o resto é paisagem.
O Brasil está na berra! Jogos Olímpicos e Copa do Mundo são cenários que dão prestígio, progresso mas não ordem. Não basta o Pele pedir para acabarem as manifestações. O senhor Edson Arantes do Nascimento deveria ter vergonha… veio da pobreza, conquistou o mundo, conquistou milhões e agora esquece-se da sua origem, do seu povo, daquele que luta diariamente para sobreviver. O senhor Edson, pode esbanjar milhões em tretas, em Xuxas, em luxúria, mas quer que o seu povo brasileiro se mantenha sossegado a bem das instituições que ele protege. Não admira que defenda a FIFA, a Coca-Cola e as suas Fundações. Dali vem os seus dólares, o resto é samba!
Em Portugal, os dinheiros dos contribuintes ainda estão a pagar as maluqueiras de governantes sem sentido. Alimentamos corruptos sem fim, damos gorjetas aos pobrezinhos, e fazemos felizes muitos portugueses cuja capacidade intelectual só vive para os pontapés no cauchu. Depois à segunda-feira vive amargurado com a falta de salário, o desemprego e as condições de vida a deteriorar-se. Agora paguem os estádios abandonados ou deitem abaixo e façam torres, ou aviários ou plantem couves nos seus relvados, a bem da nação!

Para finalizar, faço votos para que este povo brasileiro não vá em cantigas dos que corruptamente têm roubado o cidadão. Basta olhar para o seu passado recente em que tantos governantes se aproveitaram para encher os bolsos. As crises económicas pós 2ª. Guerra Mundial, Jânio, Goulart, Collor ou da Junta Militar, deixaram marcas. Os nossos dois países estão cheios de situações idênticas ao longo dos tempos de ditadura e de corruptos para quem o seu povo pouco ou nada vale, quando está em questão o bem de uma classe económica de novos ricos sem escrúpulos. Cabe aos brasileiros não irem em “futebois”, por que isso irá ser pago em sangue suor e lágrimas pelos que lutam por uma vida digna e melhor. Venha das Terras de Vera Cruz, um novo grito do Ipiranga, um novo Quilombo dos Palmares desse Brasil uno e maravilhoso. 

http://youtu.be/jRZRa4H8674

domingo, 23 de junho de 2013

ANGOLA, CONGO, BENGUELA - EU QUERO VER QUANDO ZUMBI CHEGAR!!!!


Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Um princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Jorge Ben

http://youtu.be/lRjsZfmuC5w

O navio "Infante D. Henrique" na sua viagem inaugural em 1961 à Baía do Funchal

Seria 1966 quando Guidi estaria de partida de novo! Os pais eram professores do Liceu em Benguela, e aproveitavam as férias grandes para se deslocarem à Metrópole, neste caso como tinham familia na Madeira, vinham mostrar os seus "rebentos" aos pais e avós. Guidi trazia com ela vocábulos estranhos, nomes de África, histórias de Angola e da sua Benguela, cidade onde moravam lá no fundo do mapa que nós viamos nas paredes das salas de aula. E todos nós queriamos aprender aquelas cantigas da menina que tinha uma palmeirinha na cabeça feita com o um tufo de cabelo amarrado com um elástico. 
Agora, as férias de Verão tinham chegado ao fim! Era hora de partir! Subi com ela as longas escadas da 1ª. classe do navio, enquanto faziamos uma visita ao navio. Naquele dia, o "Infante" estava embandeirado, encostado ao cais, sentiamos um nó na garganta. Seria a derradeira viagem,   a despedida da avó que faleceria pouco depois. Ela só regressaria definitivamente à Madeira pós 25 de Abril. 
Andamos sempre em viagens cruzadas, Eu regressei pouco depois em 1976 e encontrei-a já professora. Depois, presenciei a sua partida de novo, agora para Lisboa. Estive a ajudá-la a embalar malas, objectos, recordações, mal sabendo que seria eu o próximo a ser escolhido. Jamais esquecerei as gordas lágrimas escorrendo na nossa meninice a bordo daquele navio. Todos nós sabiamos que era provisória, a escala de Benguela quando Zumbi chegasse! E Zumbi um dia chegou!       
Lx-23-06-2013 - CAM




terça-feira, 18 de junho de 2013

A BELA MONJA MARIA CLEMENTINA


Ao ler um artigo no Diário de Noticias da Madeira de 7/10/1967, pag.2 e 5, sobre uma formosa monja Clarissa de nome Maria Clementina, confesso que fiquei curioso de saber um pouco mais. Após consultar uma obra sobre o Convento de Santa Clara, da Congregação Clarissa, do seu historial desde a sua fundação até ao presente, elucidei-me um pouco mais sobre tão interessante tema.

Quando Henry Nelson (1)resolveu fazer uma viagem marítima pelas então chamadas de Indias Ocidentais, procurou aproveitar a travessia, para pesquisar e tomar anotações sobre os locais por onde faria escala. Envolvendo-se sobre as características dos povos e seus costumes,  deixou-nos alguns relatos interessantes para a compreensão da História da Madeira, no caso, e uma fonte de estudo preciosa para futuros trabalhos. No meu caso, irei apenas referir o que tanto me chamou a atenção para tanto “alarido” a envolver uma jovem monja que tantas vezes era referida nas cartas e documentos da época. Também eu, tive uma pontinha de curiosidade!
Segundo Henry Nelson, descreve os seus habitantes como pobres, os comerciantes da cidade de mal vestidos e descuidados. Na época, era costume os turistas visitarem entre vários sítios, o Convento de Santa Clara, o modo como viviam, as monjas na sua clausura, mas que em certos casos, serviam de guias na visita pelo referido Convento, fazendo parte de um certo cerimonial aos convidados, onde incluía por exemplo, tomarem chá, ou elucidarem sobre a Congregação. Henry, também subiu a Calçada de Santa Clara, e embrenhou-se nos seus claustros, viu com os seus próprios olhos, como viviam, como rezavam e meditavam as religiosas, noviças e internas. Aí foi apresentada a uma monja jovem e esbelta, que sobressaia com a sua cultura e o seu saber, ao que Henry foi como que petrificado perante tanta beleza. Elogiou-a ao ponto de chamar a mais bela mulher que conheceu até então, um rosto de beleza ímpar, os seus cabelos louros e os olhos de um profundo azul. Maria Clementina acabava por chamar a atenção aos viajantes pelo deslumbramento pouco comum numa jovem educada e dedicada de alma e coração à sua causa, à sua religião. O jovem inglês jamais se esqueceria daquela jovem no seu relato escrito e publicado em livro. Seu contemporâneo, Emily Shore, também faz referência em 1839 a Maria Clementina que cantava acompanhada de guitarra e iluminava os caminhos do Céu.    


Referências:
(1)– Six Mouths in West Indias – Henry Nelson Caleridge
A Madeira vista por estrangeiros 1450-1700
      As Clarissas na Madeira - Uma presença de 500 anos de Otilia Rodrigues Fontoura - CEHA - Funchal 2000


domingo, 26 de maio de 2013

UM DISCO-VOADOR À JANELA (2ª. PARTE)


Um disco-voador à Janela (2ª. Parte) 

O telefone tocou! Do outro lado do fio, a voz da tia Conceição dava-me a notícia. Tinha acabado de chegar a Lisboa, e queria que a fosse buscar ao aeroporto. Saí apressado ao seu encontro no local previamente combinado.
Depois dos abraços e beijos, de lágrimas disfarçadas, emoções fortes e olhares silenciosos, encostou a sua face ao meu ouvido e sussurrou-me:
- Eu vi! Podes crer que eu vi… E descrevia-me minuciosamente cada etapa do acontecimento. Imagens relembradas daquele estranho objecto que ora brilhava intensamente, ora parecia mudar os tons da luminosidade e tudo sem o menor ruído.

Durante muitos anos em Portugal, a literatura publicada sobre objectos estranhos era praticamente proibida, de repente após o 25 de Abril, o tema desperta a atenção das editoras, dos meios de comunicação. Quando terminava o seu dia de trabalho, aproveitava para descontrair e mirar atentamente as montras da Livraria Figueira, Condessa ou do Colégio, sempre em busca das últimas novidades. Quando avistava algo de novo, era certo e sabido que comprava. Era uma noite de insónia a devorar o conteúdo até à última página. Só depois de consumada a maratona da leitura, pousava o livro na mesa de cabeceira e dizia-me: - Agora, já o podes ler!…. Era a minha vez de folha após folha, deleitar-me com as noticias mais mirabolantes, as teorias mais desconcertantes e plausíveis sobre a Ufologia, assim designado e derivado do inglês UFO (Unidentified Flying Object). As prateleiras dos armários onde depositava cada um dos exemplares, estavam cheios de temas relacionados com a exploração espacial desde os seus inícios com o Sputnik, Gemini, até à era Saturn, os últimos da Missão Apollo. Por vezes dava comigo a pensar como na época, poderia uma mulher ter tanta afeição e gosto por estes temas tão masculinos. Escondido, tinha aquele livro já meio desbotado, amarelecido pelo tempo de George Adamsky. Era uma velha edição da Europa-America, onde o escritor contava as suas peripécias e o seu contacto com extra-terrestres, marcianos ou coisa que o valha, acompanhado com fotografias de naves “vulgo disco-voadores ou charutos naves-mãe” polémicas e ridicularizadas por uns, veneradas por outros mesmo na América profunda e fresquinha de acontecimentos que iriam mudar a face da Terra, em Junho de 1969, com a chegada do Homem à Lua. Armstrong acabou por desmistificar e lançar de novo a polémica de que poderíamos não estarmos sós no Cosmos. Aliás já Sagan tinha dito e colocado muitas interrogações sobre este mesmíssima questão. Em Portugal só o Professor Eurico da Fonseca, tinha bagagem para falar abertamente sobre o assunto.

Uma noite, subíamos quase ombro com ombro, como se fossemos um casal, o velho e inclinado Caminho da Torrinha. A iluminação vinda dos candeeiros da estrada era fraca quase impercetível à escuridão das pedras. Após avanços e recuos, comentava-me:
- Como podem ser as minhas irmãs tão ingénuas ao acreditarem piamente em tudo o que digo, em tudo o que imagino ao descrever as cartas do Tarot… Acreditam obcecadas que se algo de mal ou de bom, está nas cartas, irá passar-se em breve nas suas vidas. E ria-se de si mesma, pela façanha de “conquistar” os outros pelo lado mais volátil a sua incompreensão para pensarem um bocadinho. 

Anos a fio, mantinha uma certa confusão! Será que me quis ludibriar? Será que foi mesmo verdade? Ando à procura de uma resposta concisa na imprensa regional, décadas depois...  

quinta-feira, 23 de maio de 2013

L' AMI DE PORTUGAL



O amigo de Portugal partiu hoje! Moustaki deixou-nos e para mim foi tão importante as suas letras e músicas. Foi marcante ouvir as suas mensagens, as suas lutas que desde o Maio de 68 até ao nosso 25A, levaram aos quatro cantos do mundo.
Na hora da despedida, a Chanson pour elle...

  http://youtu.be/ojRSG8vw2kY



sexta-feira, 17 de maio de 2013

OS SONHOS DE ANA E DE CAROLINA


Nos últimos tempos a nível profissional, tenho assistido a situações muito tristes da população portuguesa. Diariamente recebo pessoas com dificuldades familiares, dignas de um estudo mais profundo sobre a matéria. São casos de cidadãos que nem têm dinheiro para renovar uma simples documentação, isto para não falar nos mais básicos bens, como água cortada, eletricidade ou não poder cozinhar por não ter gás na sua habitação. 
Os políticos da nossa praça, vão “assobiando para o ar” ora fazendo novas promessas ora empurrando de serviço em serviço, até ao desatino completo dos cidadãos. Jovens com fome, idosos sem medicamentos, rendas ou acções de despejo de pensionistas completamente desorientados. Será que nos resta, voltar aos tempos das barracas? Às novas Brandoas dos anos 60’, às malas de cartão passadas pelas fronteiras deste país?

Nada mudou, por que não se mudam as mentalidades dos políticos, dos seus vícios e acima de tudo dos seus privilégios. Ainda esta semana a Comunidade Europeia, doou 520 milhões para o Mali, para a sua reconstrução. Possivelmente os seus governantes irão investir em jeeps de gama alta ou Mercedes, ou armamento... Existem cheques chorudos para outros países fora da Comunidade, mas, e para os de cá? Nem pensar… Enquanto o Presidente Cavaco vai lamentando-se que ganha pouco, em especial depois que perdeu muitas das suas economias no BPN,  resolveu dedicar-se a ir a Fátima rezar. Faz muito bem!!! Que reze, pode ser que o Divino lhe abra a mente, pois os ares de Belém andam demasiado poluídos. Ou então que se dedique às hortas por detrás do palácio, onde pode passar horas a fazer plantações. Sempre vai desanuviando a mente, e até podia ajudar alguns políticos pobrezinhos…
Os políticos nas campanhas eleitorais privilegiam sempre os pobrezinhos, os velhinhos ou as criancinhas. Dão-lhes votos! Dão-lhes status, ficam bem praticando caridadezinha e, sempre serão uns pontinhos nos seus currículos rumo ao Reino dos Céus. Agora conhecerer a realidade dos cidadãos, isso é mais complicado! Verem in loco como vivem e passam dificuldades, ascultarem a alma dos portugueses… nem pensar! Dá trabalho…

Ontem, assisti a mais uma situação triste! Passava por mim Ana e Carolina. Jovens irmãs que desistiram dos seus cursos superiores por falta de dinheiro. Ana, invisual, era a que mais lutava contra a indiferença, as dificuldades económicas da mãe, sem pão para lhes dar, sem dinheiro para as propinas ou para o passe. A universidade não aceitou o seu pedido de bolsa, por ter chegado fora de prazo. Ana resistia e explicava-me que já não tinha internet, já não tinha eletricidade e nada lhe restava. A irmã Carolina, sentia o peso da ocasião, calada a maior parte do tempo, não conseguia falar incomodada por se exporem à minha frente, envergonhadas da sua pobreza e eu sentia-me incomodado, revoltado, ao ponto de desviar o olhar para não verem nos meus olhos sinais de nevoeiro, gotículas de lágrimas contidas.  

Entretanto vamos vegetando neste quintal à beira-Atlântico, até à banca rota final, enquanto os seus cidadãos vão morrendo por dentro, pelo seu lado mais profundo que é a sua alma, a alma de um povo vergado pela corrupção e por vigaristas que teimam em controlar-nos.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

OS NÚMEROS DA RAQUEL GONÇALVES


Os números


 Eu, que sempre gostei de palavras, que me baralho nas contas, que troco as datas, senti, esta semana, que os números podem ter o peso de algo mais concreto e duro do que a sua soma e a sua certeza. Senti que há números que são difíceis de esquecer.
Retenho, por uma questão de proximidade e de coração, os 28 profissionais que deixam o DIÁRIO, nos quais me incluo. Retenho o número de camaradas de redacção, os que foram e os que ficam, e espero que a matemática vença as incertezas e multiplique por muito mais anos este centenário matutino independente, sem o qual a imprensa, a liberdade e a democracia serão rudemente abaladas neste lado do mar.
Mas, e porque as notícias exigem uma memória mais profunda do que aquela que vive debaixo da nossa pele, retenho ainda que na Madeira o desemprego atinge uma em cada cinco pessoas e que apenas 100 mil madeirenses têm emprego.
Alargando o horizonte, há outros números que me assaltam e, no calafrio, retenho que 4,8 milhões de portugueses dependem da Segurança Social, num momento em que apenas 4,5 milhões contribuem para esse mesmo regime com os descontos do seu trabalho.
Podia continuar a soma que nos deixa perdedores, derrotados, tristes. Mas, neste caso, os números têm sempre a mesma solução em sentido negativo. Por isso, prefiro, se calhar, voltar às palavras, mesmo quando estas se mostram insuficientes para contar o que já não nos devolve a esperança.
E as palavras levam-me à denúncia dos que continuam a preferir a ilusão de outros números, os resultados de glórias passadas, ou o número de ilusionismo que mais não pretende do que mascarar a realidade. Neste número cai quem quer, quem gosta ou quem prefere ignorar números e palavras, mesmo quando estes   gritam alto a nossa matemática de desvantagem.
D.N. de 12 de Maio de 2013
PS- Esta é a dura realidade! 28 jornalistas despedidos sem apelo nem agravo do Diário de Noticias da Madeira. Seremos nós apenas números? O D.N. também tem a sua parte de responsabilidade, pois deveria competir à entidade patronal, saber gerir o seu património humano procurando ser um exemplo, uma referência na sociedade madeirense. Um momento bem triste de ultrapassar... e todos nós somos pessoas com família que merece respeito.

sábado, 27 de abril de 2013

A MENINA PRIMAVERA


A MENINA PRIMAVERA

Quando frequentava a Primária, era usual os professores pedirem aos alunos para fazerem a sacramental redacção sobre a Primavera. Estes, usavam sempre o mesmo sistema, as mesmas frases gastas, do estilo:

- A Primavera é a mais bonita estação do ano…
- A Primavera começa a 21 de Março…
- Na Primavera as plantas crescem e as flores nascem…
- Eu gosto muito da Primavera…

Este conceito mantinha-se ano após ano, até quase à entrada no liceu. Enfadonha, monótona e sem qualquer tipo de imaginação, as redacções tornavam-se um frete carregadas de tédio e sonolentas. Depois acompanhando o nosso crescimento intectual, modificamos as frases, os discursos, os comportamentos e dá-nos uma saudade do tempo em que a Primavera era a estação das flores. Eu associava-a a uma estação de comboios…


A Primavera é a única estação feminina! Aquela que associo a uma pintura de Botticelli cheia de cabelos fartos e louros, bela q.b., com perfume a rosas e jasmins, que nos fere a vista na voluptuosidade do seu corpo encantos de sereia, de deusa do jardim do Éden. Que o diga o senhor Verão, sempre de emoções quentes, a procurar cortejá-la, seduzi-la, amá-la, no seu conceito de machão em que ele é o maior: uma espécie de rei omnipotente, entre as estações do ano. Ele lá sabe, as linhas com se coze… Na minha opinião, tem precisamente os mesmos quatro meses dos seus rivais. Tem o Outono e o Inverno no seu encalço, espreitando quando fica moribundo, agastado com os primeiros ares do vento que sopra de Norte, brisa fria, folhas caducas voando pelo chão.

A menina Primavera, não lhe sai da cabeça! Toda ela beleza; toda ela vaidosa; charmosa; dengosa; melosa, gostosa... que o faz suar as estopinhas. 

Mas que hei-de eu fazer? Pensará com os seus botões… Ah! Se a apanho, se a sinto nos meus braços, aperto-a de beijos, embaraço-a na minha teia colorida se forme num casulo e se transforme numa doce borboleta. Como sonhava alto o senhor Sol, supremo guerreiro do reino do Verão, alto dignatário de aquém e além mar, quem suspirava de amores pela sua menina. 

Já eram dois os pretendentes, a um lugar ao Sol!

A Primavera mantinha-se ausente, sonhadora, idealizando o ameno da meia estação, de chapéu de palha para não lhe nascerem sardas no rosto e ficar ainda mais trigueira. O senhor Verão sabia que era quase impossível apanhá-la, cativá-la no seu reino,  torná-la princesa leve como a brisa, bonita como as pétalas do Paraíso! 

Lá estava ela, saltitando e cantarolando num jardim de fadas e duendes armados de varinhas mágicas, poções de amor, deusas da felicidade, ninfas da vida sem saber que o Sol se aproximava sorrateiramente, secava e bronzeava os corpos, imunes e sedentos aos prazeres do amor.

Isso mesmo! O Solstício vem já a caminho, não tarda muito…   

            

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Du Maurier and Madeira - 1950 adv.


A ACÁCIA RUBRA ASSASSINADA NO FUNCHAL

Do meu antigo Professor Raimundo Quintal, recebo esta noticia triste!
Graças à sua perseverança continua a lutar contra aqueles que vão lentamente destruindo a nossa ilha.
Um grande bem-haja à sua luta por um mundo melhor!  


 Caros Amigos / Caríssimas Amigas,

Atendendo a problemas no servidor onde foi inicialmente instalado, o vídeo do assassinato da Acácia Rubra (Delonix regia) deixou de poder ser visionado através do link que vos enviei na mensagem anterior.
Ultrapassado o problema, a prova do crime já está disponível no YouTube (http://youtu.be/VEbHeNjMfKc).
No Largo do Pelourinho ainda se mantêm de pé Tis e Barbusanos, árvores da flora madeirense, que nos próximos dias terão a mesma sorte da exótica Acácia Rubra.
Se ficaram indignados com o assassinato da árvore que jamais nos oferecerá flores espetaculares como as que fotografei em Agosto de 2011, por favor, denunciem em Portugal, na Europa, no Mundo, os criminosos que estão destruindo a ilha da Madeira.
        
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal

sábado, 6 de abril de 2013

UM DISCO VOADOR À JANELA


Um disco voador à janela!


Estávamos em 1974! Ao final da tarde, o pôr-do-Sol descia no horizonte, por entre as copas das árvores que circundam a Quinta das Cruzes. As luzes dos candeeiros que demarcam os caminhos, vão-se iluminando como se tivessem preguiça. Aqui um, ali outro muito timidamente. Nas cozinhas preparam-se os jantares, aproveitando as últimas réstias de luz. Também no último andar situada na Calçada do Pico, depois de passar toda a tarde a preparar projectos para apresentar na semana seguinte, a minha tia preparava-se para fechar as venezianas, quando a ténue penumbra já não permitia escrever. Levantou-se empurrando a cadeira de vime, pousou os óculos como desse por encerrado todo e qualquer sinal de voltar a retomar a tarefa que estava por concluir, iria ligar a luz, mas primeiro teria de encerrar os tapa-sóis para que não atraísse mosquitos. Ao acercar-se da janela e preparando-se para agarrar nas duas partes das portadas verdes, o seu olhar ficou paralisado com a cena mesmo à frente do seu nariz. Entre o vasto xadrez das ripas de madeira finas que cobria a estufa das orquídeas, “flutuando” entre as copas do imenso verde, um objecto brilhante pairava silencioso, emitindo um brilho alaranjado. Ficou atónita, sem saber o que fazer. Não acreditava que um disco voador poderia estar junto à sua casa. Ainda pensou em chamar alguém, mas àquela hora encontrava-se só em casa. Optou por ficar à janela, imóvel, a ver todo aquele espetáculo. Após alguns momentos, o aparelho sobe e desaparece no horizonte.Ficou sem saber explicar tudo o que acabava de presenciar. No seu cérebro, só conseguia assimilar a frase:
- Eu vi! Eu vi…......... (continua)

domingo, 31 de março de 2013

domingo, 17 de março de 2013

BOM DIA, SENHOR INFANTE!




A avó vai até ao parque da cidade, acompanhando os netos.
- Vamos embora! Cuidado com os carros... caminhem sempre no passeio... não atravessem sem eu chegar à passadeira… 
À entrada do jardim, num imenso pedestral, está a estátua de bronze do Infante D. Henrique. Os três irmãos param à sua frente sempre que visitam o parque. Sabem que faz parte do protocolo cumprimentarem-no! Todos tiram os seus chapéus azuis.
- Bom dia Senhor Infante!.... repetem três vozes… 
Olham a figura esverdeada, mas das alturas não vem resposta. Depois fazem a continência como se fossem pequenos marinheiros de algum barco aportado.
- Avó, quem é aquele senhor?
- Então meninos não sabem, quem é o Senhor Infante? E lá explicava de novo...

sábado, 16 de março de 2013

INAUGURADA A EXPOSIÇÃO DE MAX RÖMER

Finalmente ontem na Casa das Mudas - Calheta, foi aberta oficialmente a exposição dedicada ao artista Max Römer. Uma oportunidade para visitá-la! 

sexta-feira, 1 de março de 2013

EDUARD HILDEBRANDT - II PARTE




Do grande pintor alemão Eduard Hildebrandt (1818-1869), não existe consenso sobre os anos em que passou pela Madeira. O seu vasto espólio artístico, constam datas de 1849, 50, 56, 1944 e 1948. Possivelmente viajou mais de uma vez para a Madeira! O que se sabe é que foi sem dúvida alguma um grande artista, tendo viajado pelos quatro cantos do Mundo. 
Assim, e após uma pequena consulta, podemos ver trabalhos seus em:
- Libano, Macau; Holanda; Estados Unidos; Brasil; China; Espanha; Portugal (Lisboa/Sagres/Funchal); Suez; Veneza; Hong Kong; Bangkok; Siam; Sri Lanka; Austria; S. Francisco e Boston; Capri; Alexandria; Nova York; Carpátia; Jerusalém; Ceilão; Shangai; Atenas; Sicilia; Rio de Janeiro, Burma e outros destinos.
No que diz respeito à Madeira, são vários os óleos e aguarelas que irei colocar on-line, entre aqueles que tenho conhecimento.  
  

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

EDUARD HILDEBRANDT - I


À muito que procuro dados mais concretos sobre a estadia do pintor e ilustrador alemão Eduard Hildebrandt. A net nem sempre tem dados corretos, datas e informações. Depois, por sistema milhares de pessoas acabam por copiar e nunca mais acabam as incorreções. Sobre Hildebrandt sei muito pouco relativo à sua passagem pelo Arquipélago da Madeira. Penso mesmo que passou mais de uma vez. O óleo reproduzido foi pintado em 1850. Tem 44,4 x 35,9 cm e, tem como título Castelo do Pico. Irei aprofundar mais sobre o assunto e colocá-los aqui neste blogue muito em breve.  

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CALÇADA DA CABOUQUEIRA

Pela Calçada da Cabouqueira, seguiam crianças com as cestas com almoços, lancheiras para a escola. Pela Cabouqueira, esperava-se o velho Negus a caminho do Lido. Espraiando entra os Ilhéus ou o Jasmineiro, da janela aberta admiravamos os relvados, as buganvíleas e os canteiros alinhados das quintas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

CENTRO DE ARTES E AS NOVAS EXPOSIÇÔES


Centro das Artes apresenta visão clássica e moderna da ilha



As exposições “Max Römer” e “A2V – A Duas Velocidades” abrem, a 15 de Março, o novo ciclo expositivo “Paisagem da Madeira”, integrado no projecto “Centro das Artes Global”, no Centro das Artes – Casa das Mudas.
Apesar de inicialmente anunciadas, ao JORNAL da MADEIRA, para 30 de Novembro de 2012, a recalendarização destas apresentações deveu-se a atrasos na desmontagem da “Art Déco - Coleção Berardo, What a Wonderful World!”, conforme explicou ao JM Sílvia Escórcio, uma das curadoras de “A Duas Velocidades”. «São obras muito delicadas e é um património incalculável, daí que a desmontagem teve alguns imprevistos e sofreu atrasos», afirmou.
A «importância das obras», aliada à «necessidade de assegurar um transporte especializado» e «operacionalizar uma série de meios logísticos» foram outros motivos apontados pelo presidente do conselho de administração das Sociedades de Desenvolvimento, para o atraso verificado.
Paulo Atouguia realçou ainda que, se por um lado, a mostra “Max Römer” já está planeada no Centro das Artes Global desde 2011, por outro, o “A2V” é «um projecto que nos foi apresentado no início de 2012 por Duarte Santo e Sílvia Escórcio, e que desde o início nos pareceu muito válido e muito interessante, não só por ser promovido por dois madeirenses, mas também por ter um nível de qualidade dos artistas propostos muito interessante».
As duas exposições acabam por ter a paisagem como elemento comum, sendo perfeitamente «conciliável» aliar a «visão clássica da paisagem da Madeira» (em “Max Römer”) a «um conceito da Madeira visto a partir das vias rápidas e das novas infra-estruturas», a perspectiva da “A2V”.
Dessa forma, Paulo Atouguia considera estarem reunidas todas as condições para as pessoas «gostarem daquilo que vai ser apresentado», mesmo porque o projecto “Max Römer” passa «pela cedência de uma série de obras que são de colecções públicas e particulares. Cerca de 400 obras, 80% das quais nunca foram exibidas em exposições», realçou. «A “A2V”, pelo contrário, é uma exposição que congrega nove artistas plásticos (Bernardo Mendonça & Tiago Miranda, Hugo Olim, Lucília Monteiro, Luísa Cunha, Miguel Palma, Ricardo Barbeito, Rigo e Yonamine), com as suas obras a terem sido feitas especificamente para este projecto e para o espaço da Casa das Mudas», mencionou.
Este novo ciclo expositivo poderá ser visitado entre 15 de Março e 30 de Novembro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

PESSOANDO

PESSOANDO

Fim de tarde em Lisboa
Imaginando
Miradouro de Santa Luzia
Casais de namorados
Ignoram a vista
Namorando
O Sol descendo no horizonte
Brilhando
Vejo Fernando e Ophélia à janela
Pessoando, Pessoando...