sábado, 27 de abril de 2013

A MENINA PRIMAVERA


A MENINA PRIMAVERA

Quando frequentava a Primária, era usual os professores pedirem aos alunos para fazerem a sacramental redacção sobre a Primavera. Estes, usavam sempre o mesmo sistema, as mesmas frases gastas, do estilo:

- A Primavera é a mais bonita estação do ano…
- A Primavera começa a 21 de Março…
- Na Primavera as plantas crescem e as flores nascem…
- Eu gosto muito da Primavera…

Este conceito mantinha-se ano após ano, até quase à entrada no liceu. Enfadonha, monótona e sem qualquer tipo de imaginação, as redacções tornavam-se um frete carregadas de tédio e sonolentas. Depois acompanhando o nosso crescimento intectual, modificamos as frases, os discursos, os comportamentos e dá-nos uma saudade do tempo em que a Primavera era a estação das flores. Eu associava-a a uma estação de comboios…


A Primavera é a única estação feminina! Aquela que associo a uma pintura de Botticelli cheia de cabelos fartos e louros, bela q.b., com perfume a rosas e jasmins, que nos fere a vista na voluptuosidade do seu corpo encantos de sereia, de deusa do jardim do Éden. Que o diga o senhor Verão, sempre de emoções quentes, a procurar cortejá-la, seduzi-la, amá-la, no seu conceito de machão em que ele é o maior: uma espécie de rei omnipotente, entre as estações do ano. Ele lá sabe, as linhas com se coze… Na minha opinião, tem precisamente os mesmos quatro meses dos seus rivais. Tem o Outono e o Inverno no seu encalço, espreitando quando fica moribundo, agastado com os primeiros ares do vento que sopra de Norte, brisa fria, folhas caducas voando pelo chão.

A menina Primavera, não lhe sai da cabeça! Toda ela beleza; toda ela vaidosa; charmosa; dengosa; melosa, gostosa... que o faz suar as estopinhas. 

Mas que hei-de eu fazer? Pensará com os seus botões… Ah! Se a apanho, se a sinto nos meus braços, aperto-a de beijos, embaraço-a na minha teia colorida se forme num casulo e se transforme numa doce borboleta. Como sonhava alto o senhor Sol, supremo guerreiro do reino do Verão, alto dignatário de aquém e além mar, quem suspirava de amores pela sua menina. 

Já eram dois os pretendentes, a um lugar ao Sol!

A Primavera mantinha-se ausente, sonhadora, idealizando o ameno da meia estação, de chapéu de palha para não lhe nascerem sardas no rosto e ficar ainda mais trigueira. O senhor Verão sabia que era quase impossível apanhá-la, cativá-la no seu reino,  torná-la princesa leve como a brisa, bonita como as pétalas do Paraíso! 

Lá estava ela, saltitando e cantarolando num jardim de fadas e duendes armados de varinhas mágicas, poções de amor, deusas da felicidade, ninfas da vida sem saber que o Sol se aproximava sorrateiramente, secava e bronzeava os corpos, imunes e sedentos aos prazeres do amor.

Isso mesmo! O Solstício vem já a caminho, não tarda muito…   

            

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Du Maurier and Madeira - 1950 adv.


A ACÁCIA RUBRA ASSASSINADA NO FUNCHAL

Do meu antigo Professor Raimundo Quintal, recebo esta noticia triste!
Graças à sua perseverança continua a lutar contra aqueles que vão lentamente destruindo a nossa ilha.
Um grande bem-haja à sua luta por um mundo melhor!  


 Caros Amigos / Caríssimas Amigas,

Atendendo a problemas no servidor onde foi inicialmente instalado, o vídeo do assassinato da Acácia Rubra (Delonix regia) deixou de poder ser visionado através do link que vos enviei na mensagem anterior.
Ultrapassado o problema, a prova do crime já está disponível no YouTube (http://youtu.be/VEbHeNjMfKc).
No Largo do Pelourinho ainda se mantêm de pé Tis e Barbusanos, árvores da flora madeirense, que nos próximos dias terão a mesma sorte da exótica Acácia Rubra.
Se ficaram indignados com o assassinato da árvore que jamais nos oferecerá flores espetaculares como as que fotografei em Agosto de 2011, por favor, denunciem em Portugal, na Europa, no Mundo, os criminosos que estão destruindo a ilha da Madeira.
        
Saudações ecológicas,
Raimundo Quintal

sábado, 6 de abril de 2013

UM DISCO VOADOR À JANELA


Um disco voador à janela!


Estávamos em 1974! Ao final da tarde, o pôr-do-Sol descia no horizonte, por entre as copas das árvores que circundam a Quinta das Cruzes. As luzes dos candeeiros que demarcam os caminhos, vão-se iluminando como se tivessem preguiça. Aqui um, ali outro muito timidamente. Nas cozinhas preparam-se os jantares, aproveitando as últimas réstias de luz. Também no último andar situada na Calçada do Pico, depois de passar toda a tarde a preparar projectos para apresentar na semana seguinte, a minha tia preparava-se para fechar as venezianas, quando a ténue penumbra já não permitia escrever. Levantou-se empurrando a cadeira de vime, pousou os óculos como desse por encerrado todo e qualquer sinal de voltar a retomar a tarefa que estava por concluir, iria ligar a luz, mas primeiro teria de encerrar os tapa-sóis para que não atraísse mosquitos. Ao acercar-se da janela e preparando-se para agarrar nas duas partes das portadas verdes, o seu olhar ficou paralisado com a cena mesmo à frente do seu nariz. Entre o vasto xadrez das ripas de madeira finas que cobria a estufa das orquídeas, “flutuando” entre as copas do imenso verde, um objecto brilhante pairava silencioso, emitindo um brilho alaranjado. Ficou atónita, sem saber o que fazer. Não acreditava que um disco voador poderia estar junto à sua casa. Ainda pensou em chamar alguém, mas àquela hora encontrava-se só em casa. Optou por ficar à janela, imóvel, a ver todo aquele espetáculo. Após alguns momentos, o aparelho sobe e desaparece no horizonte.Ficou sem saber explicar tudo o que acabava de presenciar. No seu cérebro, só conseguia assimilar a frase:
- Eu vi! Eu vi…......... (continua)