segunda-feira, 24 de junho de 2013

UM BRASIL, MUITOS BRASIS




UM BRASIL, MUITOS BRASIS

Confesso que não fico nada surpreendido com a recente vaga brasileira de manifestações e de reivindicações por parte deste povo irmão.

No meu caso, as afinidades com o Brasil são grandes! Avós e tios viveram ou ainda vivem neste país. Fui por isso fortemente influenciado pela sua cultura, hábitos e costumes, mas sempre achei que havia não um, mas muitos brasis! Nem é necessário ler Gilberto Freyre e a sua “Casa Grande e Senzala”, Machado de Assis, Veríssimo ou Jorge Amado, para se assistir a um país unidos por muitas culturas, dividido por muitas classes sociais. Quando olhamos para a sua jovem história, este Brasil está cheio de contrastes, aquilo a que eu chamo de um Portugal em ponto grande. Enquanto a nação lusa velha de mais de 800 anos, prefere lamentar a situação em que nos encontramos social e financeiramente, o Brasil jovem avança para uma maior e melhor justiça. Se o conseguirá, não sei… mas pelo menos tenta!
Se olharmos para o panorama nacional, na nossa pequenez temos a tendência para sermos um pouco megalómanos. Fizemos o maior centro comercial da Europa, quando nos pedem 5 ou 6 estádios de futebol, fizemos 9. Quando pensamos no trem de alta velocidade (TGV), pensamos logo em inúmeras linhas, como se tratasse de um brinquedo. Quando nos pedem uma ponte, pensamos logo em várias com tráfego diversificado. Não somos de modas! O que interessa é manter os cidadãos aparentemente felizes, o futebol é por si só, o circo do povo, tudo o resto é paisagem.
O Brasil está na berra! Jogos Olímpicos e Copa do Mundo são cenários que dão prestígio, progresso mas não ordem. Não basta o Pele pedir para acabarem as manifestações. O senhor Edson Arantes do Nascimento deveria ter vergonha… veio da pobreza, conquistou o mundo, conquistou milhões e agora esquece-se da sua origem, do seu povo, daquele que luta diariamente para sobreviver. O senhor Edson, pode esbanjar milhões em tretas, em Xuxas, em luxúria, mas quer que o seu povo brasileiro se mantenha sossegado a bem das instituições que ele protege. Não admira que defenda a FIFA, a Coca-Cola e as suas Fundações. Dali vem os seus dólares, o resto é samba!
Em Portugal, os dinheiros dos contribuintes ainda estão a pagar as maluqueiras de governantes sem sentido. Alimentamos corruptos sem fim, damos gorjetas aos pobrezinhos, e fazemos felizes muitos portugueses cuja capacidade intelectual só vive para os pontapés no cauchu. Depois à segunda-feira vive amargurado com a falta de salário, o desemprego e as condições de vida a deteriorar-se. Agora paguem os estádios abandonados ou deitem abaixo e façam torres, ou aviários ou plantem couves nos seus relvados, a bem da nação!

Para finalizar, faço votos para que este povo brasileiro não vá em cantigas dos que corruptamente têm roubado o cidadão. Basta olhar para o seu passado recente em que tantos governantes se aproveitaram para encher os bolsos. As crises económicas pós 2ª. Guerra Mundial, Jânio, Goulart, Collor ou da Junta Militar, deixaram marcas. Os nossos dois países estão cheios de situações idênticas ao longo dos tempos de ditadura e de corruptos para quem o seu povo pouco ou nada vale, quando está em questão o bem de uma classe económica de novos ricos sem escrúpulos. Cabe aos brasileiros não irem em “futebois”, por que isso irá ser pago em sangue suor e lágrimas pelos que lutam por uma vida digna e melhor. Venha das Terras de Vera Cruz, um novo grito do Ipiranga, um novo Quilombo dos Palmares desse Brasil uno e maravilhoso. 

http://youtu.be/jRZRa4H8674

domingo, 23 de junho de 2013

ANGOLA, CONGO, BENGUELA - EU QUERO VER QUANDO ZUMBI CHEGAR!!!!


Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Há um grande leilão
Dizem que nele há
Um princesa à venda
Que veio junto com seus súditos
Acorrentados num carro de boi
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo
Aqui onde estão os homens
Dum lado cana de açúcar
Do outro lado o cafezal
Ao centro senhores sentados
Vendo a colheita do algodão tão branco
Sendo colhidos por mãos negras
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Quando Zumbi chegar
O que vai acontecer
Zumbi é senhor das guerras
È senhor das demandas
Quando Zumbi chega e Zumbi
É quem manda
Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver
Jorge Ben

http://youtu.be/lRjsZfmuC5w

O navio "Infante D. Henrique" na sua viagem inaugural em 1961 à Baía do Funchal

Seria 1966 quando Guidi estaria de partida de novo! Os pais eram professores do Liceu em Benguela, e aproveitavam as férias grandes para se deslocarem à Metrópole, neste caso como tinham familia na Madeira, vinham mostrar os seus "rebentos" aos pais e avós. Guidi trazia com ela vocábulos estranhos, nomes de África, histórias de Angola e da sua Benguela, cidade onde moravam lá no fundo do mapa que nós viamos nas paredes das salas de aula. E todos nós queriamos aprender aquelas cantigas da menina que tinha uma palmeirinha na cabeça feita com o um tufo de cabelo amarrado com um elástico. 
Agora, as férias de Verão tinham chegado ao fim! Era hora de partir! Subi com ela as longas escadas da 1ª. classe do navio, enquanto faziamos uma visita ao navio. Naquele dia, o "Infante" estava embandeirado, encostado ao cais, sentiamos um nó na garganta. Seria a derradeira viagem,   a despedida da avó que faleceria pouco depois. Ela só regressaria definitivamente à Madeira pós 25 de Abril. 
Andamos sempre em viagens cruzadas, Eu regressei pouco depois em 1976 e encontrei-a já professora. Depois, presenciei a sua partida de novo, agora para Lisboa. Estive a ajudá-la a embalar malas, objectos, recordações, mal sabendo que seria eu o próximo a ser escolhido. Jamais esquecerei as gordas lágrimas escorrendo na nossa meninice a bordo daquele navio. Todos nós sabiamos que era provisória, a escala de Benguela quando Zumbi chegasse! E Zumbi um dia chegou!       
Lx-23-06-2013 - CAM




terça-feira, 18 de junho de 2013

A BELA MONJA MARIA CLEMENTINA


Ao ler um artigo no Diário de Noticias da Madeira de 7/10/1967, pag.2 e 5, sobre uma formosa monja Clarissa de nome Maria Clementina, confesso que fiquei curioso de saber um pouco mais. Após consultar uma obra sobre o Convento de Santa Clara, da Congregação Clarissa, do seu historial desde a sua fundação até ao presente, elucidei-me um pouco mais sobre tão interessante tema.

Quando Henry Nelson (1)resolveu fazer uma viagem marítima pelas então chamadas de Indias Ocidentais, procurou aproveitar a travessia, para pesquisar e tomar anotações sobre os locais por onde faria escala. Envolvendo-se sobre as características dos povos e seus costumes,  deixou-nos alguns relatos interessantes para a compreensão da História da Madeira, no caso, e uma fonte de estudo preciosa para futuros trabalhos. No meu caso, irei apenas referir o que tanto me chamou a atenção para tanto “alarido” a envolver uma jovem monja que tantas vezes era referida nas cartas e documentos da época. Também eu, tive uma pontinha de curiosidade!
Segundo Henry Nelson, descreve os seus habitantes como pobres, os comerciantes da cidade de mal vestidos e descuidados. Na época, era costume os turistas visitarem entre vários sítios, o Convento de Santa Clara, o modo como viviam, as monjas na sua clausura, mas que em certos casos, serviam de guias na visita pelo referido Convento, fazendo parte de um certo cerimonial aos convidados, onde incluía por exemplo, tomarem chá, ou elucidarem sobre a Congregação. Henry, também subiu a Calçada de Santa Clara, e embrenhou-se nos seus claustros, viu com os seus próprios olhos, como viviam, como rezavam e meditavam as religiosas, noviças e internas. Aí foi apresentada a uma monja jovem e esbelta, que sobressaia com a sua cultura e o seu saber, ao que Henry foi como que petrificado perante tanta beleza. Elogiou-a ao ponto de chamar a mais bela mulher que conheceu até então, um rosto de beleza ímpar, os seus cabelos louros e os olhos de um profundo azul. Maria Clementina acabava por chamar a atenção aos viajantes pelo deslumbramento pouco comum numa jovem educada e dedicada de alma e coração à sua causa, à sua religião. O jovem inglês jamais se esqueceria daquela jovem no seu relato escrito e publicado em livro. Seu contemporâneo, Emily Shore, também faz referência em 1839 a Maria Clementina que cantava acompanhada de guitarra e iluminava os caminhos do Céu.    


Referências:
(1)– Six Mouths in West Indias – Henry Nelson Caleridge
A Madeira vista por estrangeiros 1450-1700
      As Clarissas na Madeira - Uma presença de 500 anos de Otilia Rodrigues Fontoura - CEHA - Funchal 2000