sábado, 22 de março de 2014

GOLDEN GATE

Golden Gate - A esquina do mundo! A Avenida ainda tinha "americanos" nos seus longos carris, homens de palhinha e senhoras que sentadas nas cadeiras de vime olhavam a magia da fotografia.

sábado, 15 de março de 2014

CUSCUZ DA MADEIRA


Hoje vou falar de um produto regional que nos últimos anos tem vindo a sofrer uma quebra no seu consumo e na sua procura. Muitos madeirenses não conhecem ou não sabem confecionar os verdadeiros cuscuz madeirenses. Embora de origem magrebina, os cuscuz da Madeira não têm nada a ver com o mesmo produto que vemos nos supermercados e que eu chamo de "alpista".
Basta ver as fotos para concluir que a sua textura, e eu gosto bem grados e sem pó. Sendo eu um grande apreciador deste produto e tendo chegado pelo correio uma encomenda da produtora da Ponta do Sol, a D. Maria da Luz que os faz no seu estabelecimento, não resisto a colocar no meu blogue para que outras pessoas possam apreciar este produto.
A sua cozedura assemelha-se ao arroz com um pouco mais de água, acompanhado com pequenas folhas da tradicional segurelha. Basta colocar numa panela um dente de alho picado, um pouco de manteiga para alourar ou um pouquinho de azeite se preferir. Depois juntar água e um pouco de sal. Após esta se encontrar a ferver, adicione os cuscuz (a mesma quantidade que costuma usar com o arroz). Deixe cozer e quando estiver no ponto ou seja com aqueles característicos furinhos que o arroz faz, desligue o fogão tape a panela durante 5 minutos e está pronto a servir. Esta é a maneira mais simples, mas pode levar num pirex ao forno a gratinar ou adicionar outros produtos como o tomate ou caril. Acompanha com a tradicional galinha, com carnes ou peixe e é difícil encontrar nos restaurantes madeirenses onde a preferência pela espada preta dá uma imagem distorcida da culinária madeirense. Parece que existe falta de imaginação na rica cozinha da Madeira e neste caso nos seus restaurantes. 
Experimente e vai ver que se torna adepta deste produto!
Após o encerramento em Lisboa do Super Sá, a melhor opção é comprá-los directamente na Ponta do Sol ou pedir pelo telefone 291974432, A D. Maria da Luz é duma simpatia extrema e com certeza envia para qualquer canto do mundo via correios.

sábado, 1 de março de 2014

SOLITUDE by Rodrigo Leao (+lista de reprodução)

TELMA MONTEIRO EM OURO


Poucas vezes falo de desporto. É uma ironia, para quem como eu fui atleta do S.L.Benfica e vice campeão de Portugal. No entanto, hoje deu-me para homenagear a nossa Telma. Somos da mesma família desportiva e o Judo continua a entusiasmar-me ao longo de muitos anos. Hoje, em Varsóvia somou mais uma vitória de ouro ao ser campeã europeia. É só mais um titulo a juntar a outros europeus e mundiais. Por isso decidi-me a homenageá-la pelo seu carácter e força. E a "palmeirinha" que é feito dela???

O MEU CAVALO E O CAVALO DE NERUDA


O cavalo mantém-se na sala da Casa de Pablo Neruda

O MEU CAVALO POBRE E O CAVALO RICO DE NERUDA

O cavalo pobre vivia numa humilde casa! Era feito de papel maché, pintado com anilinas castanhas e pretas e, não me lembra a sua proveniência. Talvez a banca do mercado, a loja da Exposição Alemã ou a do velho Talassa que tinha porta aberta na Rua de João Tavira. O certo é que cumpria as suas funções para que tinha sido feito; alegrar crianças. Vivia o dito cavalinho preso com cola a uma tábua de madeira sobreposta de quatro pequenas rodas que lhe davam vida ou melhor locomoção. Empoleirado sobre o seu dorso, crinas reluzentes sobressaiam enquanto me apoiava para não cair. Terminava o velho amigo com uma majestosa cauda feita de sisal aparado que mais parecia uma pequena vassoura. Pouco interessava esses itens. Eu descia a caminho do velho Oeste, pelas pradarias rumo à Padaria Conceição, atravessava a Ponte Nova, os grandes declives das Montanhas Rochosas da Rua 5 de Outubro e, sempre pelo passeio de pedra calcária, parava junto ao quartel dos bombeiros. Em cima do seu dorso, olhava embasbacado os veículos bronzeados de vermelho vivo com as suas crinas douradas. Carros dos bombeiros era coisa do outro mundo que apetecia subir para o seu dorso e caminhar pelas ruas com as sirenes em fúria.
Um dia, esqueci-me do inseparável amigo no quintal. Tinha chovido toda a noite e quando dei conta, o Rocinante estava desfeito, esventrado e com o cartão desbotado à mostra. Foi uma agonia a nossa separação! Cavalinho pobre, morreu ensopado para sempre, acabou provavelmente no lixo, abandonado e só em longo martírio.


Neruda apaixonou-se desde o primeiro dia em que na montra duma loja, viu aquele imenso cavalo de madeira. Toda a vida suspirou em possuir aquela magnifica peça na sua coleção. Levar o cavalo para sua casa, coloca-lo na sala, dar-lhe vida, adotá-lo à  sua família.
- Ah que me dera ter aquele cavalinho! – dizia… tenho de comprá-lo custe o que custar!

O dono da loja era continuamente alvo de assedio por parte de Pablo Nedruda, que teimava em possuir a peça, Mas o dono ignorava o seu pedido, pois tinha com aquele cavalo a mesma paixão. Sempre se recusou apesar das investidas do poeta em se separar do equídeo. Mas um dia a loja ardeu! Poucos foram os artigos que escaparam à fúria das chamas. Para espanto de Neruda, veio a ter conhecimento que o seu adorado cavalo, embora chamuscado e sem rabo, tinha sobrevivido. Ao saber que o artigo iria ser posto à venda, procurou de imediato adquiri-lo e, conseguiu. 



Levou-o para casa como se fosse um trofeu! Colocou-o na sala, convidou os amigos e  fez uma grande festa para mostrá-lo. Perante o facto do velho cavalo cansado pelo tempo não possuir cauda, convidou os presentes a oferecerem um rabo. Dos presentes vieram então três propostas ! Como não havia consenso quanto ao que melhor se adequava ao cavalo de madeira, resolveram que o melhor seria colocar não um mas três caudas. Assim na sua Casa Museu do poeta Neruda, se mantém imóvel, feliz , adorado pelo público um cavalo “sui generis” adotado e senhor de três caudas!