sexta-feira, 25 de abril de 2014

A CADEIRA DOS MILAGRES

A CADEIRA DOS MILAGRES
(Uma cadeira de lona foi mais importante para a história de Portugal do que mil homens. A cadeira do Forte de S. João do Estoril, teve o condão de fazer cair um regime podre, com um ditador "gagá" que assim teve um derrame e, acabou por sucumbir. Quanto à cadeira, deveria estar exposta no Palácio da Ajuda para que outros se pudessem sentar e ter o mesmo tratamento. Faziam um bem ao país. Afinal eles também nos matam, só que lentamente….)
  
  
  • Existem muitas semelhanças entra uma América Latina e uma Europa Latina. Mais do que possam parecer à primeira vista, comparar a dita PIGE-designação que os países mais “ricos” designam à Europa do Sul (Portugal/Itália/Grécia e Espanha) que não conseguem sair da mediania económica e politica e, mais ainda, da mediocridade cultural. É claro que os políticos destas regiões sabem que ao baixo índice de educação, está sempre associado uma série de fatores que controlam toda uma sociedade, aniquilando, empobrecendo e atrofiando mentes.

  • Vem a este propósito a atual condição que países saídos de ditaduras sejam elas de tipo for, mas no caso da ditadura militar grega, da fascista de Itália, da franquista ou salazarista, prevalecerem ao longo de décadas com as suas regras delineadas. A grande maioria do povo nem se apercebe da instrumentalização em que através dos órgãos de informação nomeadamente a televisão, que cada vez mais empobrece a nossa sociedade, (só dá o que lhes convém, o que é fácil, o que não faz pensar o que distrai). Nada mudou: pão e circo são desde os tempos do apogeu da civilização romana até ao presente, contudo, tão verdadeiro.

  • Vemos e ouvimos políticos que se mantém no poder colados que nem lapas durante décadas e décadas, declararem frases pomposas, agressivas e falsas, para um minuto depois contradizerem-se. Faz lembrar os tempos da polícia politica em que por vezes se diziam frases contra o antigo regime, para depois se apanharem e prenderem cidadãos cujas ideias eram contrárias; "apanhar moscas com mel"!

  • À pouco tempo dizia-se à boca cheia que tinham votado no nosso primeiro ministrozinho por que era bonitinho e charmoso. Agora apanhamos porrada destes senhores, perdão badamecos sem qualidade, cultura ou níveis de educação. Podem rirem-se à vontade, por vezes tenho a noção que o povo gosta de sofrer, de apanhar, desde que não o façam pensar. Isso dá muito trabalho. O povo quer é divertir-se, rir muito, ver telenovelas e muito futebol.
  
  • Depois o clero cuida da parte espiritual de cada um de nós. Dá-nos boas lições e encaminha-nos nas alturas mais difíceis da vida, para o único caminho futuro, a vida eterna. Existe coisa melhor? À bem pouco tempo, impingiam-nos a ideia que quanto mais sofremos na nossa vida térrea, melhor pois maior e mais feliz seriam a vida eterna. Balelas… afinal o clero que toda a vida nos lixou a vida neste país, foi também ele grande braço direito do antigo regime. Não nos podemos esquecer de um cardeal Cerejeira, braço direito do Salazar, foi comparsa e tão fascista como os que se alimentavam do regime. Depois veio a Primavera Marcelista e a queda de um regime já por si mesmo podre. As principais estruturas do país já não aguentavam mais. Os mesmos que durante anos a fio nos davam palmadinhas, material de guerra que nem para a Feira da Ladra, serviam agora, atacavam-nos que nem cães mordendo-nos a mão. Queriam as nossas ex-colónias com o recheio que nelas existiam. Quanto à capital do Império, outros iluminados passavam a vida na pedinchice, pedindo e pedindo sem fim, dinheiro ao estrangeiro dizendo que era para a nação. Mas o que eles queriam era poder  serem eles a gerir esse mesmo dinheiro, para contas corruptas.

  • Houve uma altura em que os carros todo o terreno, eram mais do que as mães. Pessoas que não trabalhavam, passavam a vida a viajar para o estrangeiro, a fazer férias em locais exóticos deste planeta. De que viviam? Desconheço… mas constava-se que da bolsa, da especulação… as viagens para o Brasil estavam mais cheias do que os autocarros para a Costa da Caparica. Os BMW e os Audis, esgotavam! Agora nem se fala...

  • Obras faraónicas proliferam anunciando-se serem sempre, a maior da Europa, a mais moderna da Europa, ou a mais comprida ponte ou auto-estrada do burgo. Vivíamos felizes, contentes e com alguns trocos no bolso e no banco. É claro que a banca espreitava. Queria sempre mais e mais. Quando já não dava mais para aguentar, a bem da economia planeavam-se mais infraestruturas. O TGV vinha a caminho! As Câmaras andavam à batatada, por que todas elas queriam uma estação. Para o Campeonato da Europa de Futebol, eram necessários 4 a 6 estádios, fizeram-se 8. De novo, todas as cidades queriam um ou mais estádios topo de gama. Agora nem para galinheiros servem e ainda nem pagos estão – Algarve, Leiria ou Aveiro, sem contar com o caso Boavista. O Rei da Batata, anos a fim envolvido em negócios profundos, vivia na agonia. Arranjavam-se esquemas para conseguir dinheiro fácil. Vendiam-se carruagens de comboios, lucravam os intervenientes. O dinheiro escorria para as contas particulares na Suiça ou para off-shores nas Ilhas Caimão. Os políticos esses, iam lucrando como convém. Contas douradas, cartões dourados, máfias …

  • São quarenta longos anos de agonia e de dependência. E enquanto uns vão-se libertando e morrendo, outros vão vivendo e cantando um longo e triste fado.
  
  • Na Madeira, AJJ mantém-se à vários anos, ameaçando vezes sem conta que vai bater com a porta. As manchetes anunciam a “bold” que o Presidente está farto… engraçado não é ele que está farto, somos nós que estamos fartos das palhaçadas, da sua má educação, das suas birrinhas, das suas bebedeiras vinícolas, dos seus ajudantes de campo que durante essas mesmas décadas são autênticos lambe botas. E são tantos… aqueles que graças às piadinhas sem graça, à senilidade do staff dos secretários & secretários limitada. Será que não existem cadeiras de lona na Madeira?


Mandem vir a cadeira do Forte de S. João!                      

25 DE ABRIL

25 DE ABRIL

O tempo voou
pelas ruas, a chama da esperança
nos gritos e palavras de ordem. 
A magia da liberdade
nos sorrisos do povo. Nos cartazes, 
nas paredes, frases poderosas, pinturas murais
com cravos. E o povo, e o povo!
De mãos dadas, cantamos até à exaustão, 
rouquidão... 
"- A canção é uma arma..."
Nas janelas sobem bandeiras
coloridas como a vida, nos teus braços
abraços esmagam a nossa felicidade. No ar,
aquela liberdade, liberdade, liberdade...  

C.A.  

domingo, 13 de abril de 2014

O PASSAGEIRO FORA DE HORAS


Navio "VENUS" da Companhia Bergen Line, no Porto do Funchal

Seria Maio? Possivelmente! Sei que os dias eram claros, solarengos, embora por vezes caíssem monumentais chuvadas. Maio era assim, incerto na mudança entre a Primavera e o Verão que se aproximava.
Na baía, o navio sueco “Vénus” era na altura, habitual frequentador em cruzeiros vindos desde a longínqua Escandinávia, para a Madeira. Traziam turistas com fome de Sol; calor, promessas de belas paisagens e de descanso. Cruzeiros do Sol, como eram chamados! Faziam escala no porto de Southampton, onde recolhiam turistas britânicos. Mas dizia eu, o “Vénus” lançou ferros logo pela manhã. Forasteiros calcorreavam as principais artérias funchalenses ou deslocavam-se em excursões de autocarro pelos principais pontos turísticos.

Pelo final da tarde, o navio estava de novo pronto a zarpar rumo às Canárias ou de volta às terras de origem dos seus passageiros. Seriam umas seis da tarde, quando vi o radar começou a dar voltas sem fim, enquanto das suas chaminés listadas, espesso fumo negro surgia rumo ao céu anil. O rebocador estava já de alerta, pronto a esticar cabos, arrancando o navio do molhe e encaminhando-o para o longo oceano. Depois, dos seus canos ouvimos vezes sem conta, o volume da sirene. No entanto continuava imóvel, como se recusasse a partir! Achava que algo se passaria, mas o reconhecer dos seus últimos três silvos prolongados e definitivos, davam razão ao seu derradeiro adeus. O rebocador deu um puxão, esticaram os cabos da popa e da proa, o navio descolou do cais e após ganhar folga, larga rumo ao horizonte. Passou frente ao cais da cidade, onde me encontrava debruçado na amurada de ferro verde escuro, e continuei a ouvir o silvo inexplicável da sua sirene. O paquete tomou balanço e iria em velocidade moderada, quando dos fundos do cais, um homem apareceu a correr e a gritar gesticulando com os braços. Era um retardatário passageiro que não se tendo apercebido da hora de partida, acabava de perder o direito a regressar a casa. Nas escadas do cais, um agente de navegação apressou-se a dar ordem à lancha “Mosquito” para que largasse amarras em perseguição do navio. A sua buzina era no entanto surda. A bordo da pequena lancha, abanavam os braços, gesticulavam  no entanto segundo após segundo, a distância era cada vez mais pronunciada ente o paquete e a minúscula “Mosquito”.  Especado, eu via a cena e, tomando partido pelo infeliz passageiro
Que não teria alternativa senão regressar a casa noutro navio ou esperar que voltasse na quinzena seguinte, o “seu” barco.
Coisas que acontecem a quem anda distraído na hora da partida ou com o relógio com as horas trocadas.