segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O ESPÓLIO DE ANTÓNIO ARAGÃO

Na última semana, veio à baila na imprensa regional, a noticia de que o espólio do artista madeirense, iria a leilão. Desconheço quais as razões para que os seus familiares, quisessem "desfazer-se" de tão vasto e importante material. O que soube, foi a indiferença das principais instituições da Madeira em adquirir algumas obras do referido artista. Penso que a Madeira ficou mais pobre, culturalmente falando. Se é certo que os tempos são de contenção económica, essa dita contenção não se verifica noutros sectores em que há sempre uma solução que é como quem diz"dinheiro fresco" para gastos.      

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

PELO POISO, SE POISA

O autocarro subia vagarosamente a encosta. Já se sentia no ar, aquele friozinho de Abril, aquela aragem que entranhava no corpo. Depois de contornar a fechada curva à esquerda, passado que era o Largo do Monte, de entrarem os últimos passageiros com destino à Costa Norte da ilha, o tom cinzento do nevoeiro, tapava-nos a vista e reduzia a distância do horizonte visível. As árvores passavam pela janela do veículo a menor velocidade, à medida que o esforço do motor dava sinais de velhice. Hortências teimavam em florir à berma da estrada. De resto, só os pinheiros e os eucaliptos , esqueléticas e alongadas varas, dominavam a paisagem, acompanhando as curvas e contra curvas do caminho alcatroado. Por fim, o carro tomava fôlego nas pequenas rectas e ao longe a estalagem do Piso, anunciava a próxima paragem obrigatória. Os passageiros mais inquietos levantavam-se dos assentos, procurando ocupar o corredor do veículo, enquanto outros levemente enjoados, em silêncio procuravam refúgio nos bancos. Por fim, o motor chiou de cansaço e imobilizou-se como que também ele, abençoasse a breve paragem. Homens desciam os três degraus metálicos e organizavam-se em procurar refúgio numa bebida revigorante que pusesse em ordem as sôfregas gargantas. Confesso que não tinha a mínima pressa. Fui inclusive, dos últimos a abandonar o autocarro, a caminho do bar, levando a tenda e o restante equipamento que me faria falta, sempre sob controlo e, fazendo os possíveis para passar incólume aos encontrões e ao olhar dos curiosos.
Cá fora, o tempo não dava tréguas! Estávamos na Semana Santa, altura ideal para o primeiro acampamento do ano, embora sempre imprevisível, aproveitando a pausa das aulas e tentando fugir à época enfadonha que se aproximava.
Dentro do edifício, o longo balcão de madeira envernizada, um homem com pouco mais de meio metro, procurando acompanhar os pedidos dos clientes, saltitava como se fosse um qualquer malabarista circense, desdobrando-se em idas em vindas no interior do limitado espaço onde empregados, ora gesticulando, ora gritando, davam de beber aos passageiros. Palinhos, era o nome de tão liliputiana figura, era alvo principal dos pedidos.
. Palinhos, dá-me um café! Mais uma poncha… uma laranjada… um maço de tabaço…
- Quanto é???? Dê-me o troco! Falta mais um café… Uff, confesso que me divertia a ver toda  a  azáfama, enquanto que os que não conseguiam chegar ao balcão, tentavam empurrar os que já estavam servidos. Mas havia que um pouco agressivo, pois o autocarro não esperava pelos atrasados.
Por fim, as vozes tornaram-se mais escassas! O sossego e a monotonia estavam de volta ao pequeno bar, e em mantinha-me imóvel a um canto da sala, quase indiferente ao espaço e ao momento. Aproximei-me do balcão, e quase em segredo perguntei se faziam uma açorda? Pediram-me que aguardasse um pouco e dos fundos da cozinha, veio a resposta afirmativa. Sentei-me numa mesa, enquanto o prato fumegante traziam a reconfortante açorda com um ovo e uma malagueta. Procurei ganhar forças, perante a intempérie que desabava lá fora. São Pedro em fúria, destinava-me chuva e granizo a potes, mas eu tinha que manter o meu destino e caminhar até ao topo do Pico do Areeiro, descer as inclinadas veredas e subir ligeiramente até ao topo do Pico Ruivo, antes do anoitecer.    

CAM 

  

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

É CARNAVAL...

Diz o povo que no Carnaval, ninguém leva a mal... Após ver AJJ no desfile carnavalesco um jornalista perguntou ao presidente do Governo regional se este estava de acrodo que não se pagasse a dívida?
Resposta pronta de AJJ:
- Mas não fui eu que fiz a dívida, quem a fez foi o povo!!!...
Palavras sábias, sem dúvida. No Carnaval ninguém leva a mal... e se levar, vá conformando-se em pagar.