segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CHANSONS

Domingo à noite! Trabalhos de última hora. Enquanto em rebuscava no caderno escolar, as contas a apresentar no início da semana, minha mãe escrevia sem fim à vista, resumos familiares, estudos e mais estudos sócio-económicos de pessoas carenciadas. A telefonia, essa com as suas cores verdes, onde mostrava as diversas estações e cidades do mundo, despejava música de outras paragens, de outras linguas. Se era certo que pelas 11 horas, a Emissora Nacional em Lisboa apresentava o "Sol e Touros" um programa dedicado à afición tauromática, era certo e sabido que ela mudava de estação. Não lhe interessava nada as noticias das corridas de touros, optando por estações francesas.
Eu andava de roda da última lição de francês, e começava a arranhar pequenas frases e vocabulário. Era quando tentava descobrir o significado das letras, o trautear de pequenos versos, o imitar de "Nathalie" de Aznavour!
- "La Place Rouge etait blanche... Nathalieee...
Baixinho, não vá Nathalie ouvir! A melodia só era interrompida quando ela me perguntava :
- Então? A lição está estudada? - Eu engolia em seco e ficava a soletrar no meu pensamento:
- La Place Rouge etait blanche... Nathalieeee ......

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CARTAZES DO CINE JARDIM

A carrinha WW "pão de forma" percorria as artérias funchalenses anunciando os futuros filmes do Cine-Jardim. Os mais curiosos, arregalavam os olhos para os cartazes suspensos no tejadilho da viatura. Ao lado, outro carro publicitava a Escola de Condução Progresso, enquanto um carro de bois se desloca no Largo do Pelourinho. A pedra negra de bazalto não se gastava com o tempo, agora coberta de alcatrão betuminoso. O tempo alcançava-se...  

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

AS CORES DAS HIGHLANDS

AS CORES DAS HIGHLANDS


O programa era da National Geographic. Imagens das Terras Altas da Escócia, nas diversas épocas do ano. Os campos dourados, as montanhas banhadas pelo Sol, a casa rural na charneca onde um agricultor colhia cereais. Confesso que fiquei fascinado pelos tons quentes do fim de estação estival. Veio então à minha memória que aqueles eram precisamente os mesmos dourados dos teus cabelos, ondinhas e ondinhas sem fim, a tua face salpicada de milhentas sardas sardas, pintinhas que eu dizia serem feitas de beijinhos. Recordei então que me falavas tinham vindo em veleiros ao sabor das correntes, em busca de outras terras, quando a nave encalhou numa qualquer praia de areias negras, e por cá ficaram alguns séculos, vivendo com a saudade das Higlands, aroma de whiskies amadurecidos e kilts de cores quentes. Fiquei a imaginar que os dourados dos teus cabelos eram prolongamentos dos mesmos campos que eu via, que a charneca onde o gado pastava e os altos rochedos  banhados pelo astro rei e lá estavam as ondinhas e ondinhas dos campos de rito batidos pelo vento espraiando-se no infinito. E eu recordava-me de ti e do teu sorriso viajando pelos campos da Escócia, embalado em histórias de monstros no Loch Ness.   
IN MEMORIAM MATER

terça-feira, 28 de junho de 2016

O AZUL DOS JACARANDÁS EM LISBOA

Este ano floriram um pouco mais tarde, quase Junho. Depois, foi um deslumbre de cor em algumas ruas de Lisboa a lembrar outras terras e climas mais a Sul do Trópico de Capricórnio.
Foto na zona da Expo
CAM

A FESTA DO JAPÃO EM LISBOA/2016



segunda-feira, 20 de junho de 2016

OVOS AO SOM DOS BEATLES

Abandonou a cidade, a confusão e o stress do dia a dia. Instalou-se numa velha casa de campo com alguns ectares de terreno e decidiu-se por cultivar aquilo que fazia falta. Começou pela pequena horta e no fundo construiu um pequeno galinheiro. Após vários convites para visitar a "pequena propriedade", acedi num fim de semana dar uma espiadela para fazermos um almoço entre colegas. Após fazer uma visita às diversas áreas e de me convencer de que este era o caminho que sempre sonhara, acabou por levar-me ao pequeno galinheiro. Seriam talvez uma dúzia de galinhas cacarejando e espreitando a rede metálica, mas o que me chamou a atenção era uma pequena aparelhagem com gravador de cassetes de onde saía um som facilmente reconhecível. Pareceu-me ouvir uma melodia dos Beatles que vinha dos fundos do dito galinheiro. Então acabou por explicar que andava a fazer uma experiência em que as suas galinhas poedeiras, eram mais felizes e consequentemente poriam mais ovos se ouvissem música. Fiquei atónito, embora soubesse de experiências relacionadas com flores que sentiam atraídas pelos sons. Galinhas? Não sei!... Mas ia complementando as minhas questões sobre as suas galinhas e o sucesso de ao ouvirem músíca poriam muito mais ovos. Lembrei-me então de uma velha canção do referido grupo britânico com o título "Good Morning" do albúm S. Paper que começava com o som estridente de um galo e do alvoroço que poderia causar no dito galinheiro. Só vendo para crer!

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A CURVA DA RUA DOS ÁLAMOS



Era sempre assim! Por vezes acompanhava-a com o olhar à distância a sua subida por Santa Clara acompanhada por uma das suas irmãs. Outras vezes, depois do almoço descia com os pais a caminho da baixa da cidade. Ouve alturas em que gostaria de lhe oferecer uma rosa. Mas sei lá se gostaria de rosas ou da minha pessoa. O certo, é que descendo da gasta calçada, ao cruzar a Rua dos Álamos, o meu olhar tentava abranger a casa onde morava, mesmo no início da referida artéria. Ela menina de família com posses, incomodava o meu olhar e a minha posição social. Havia sempre a questão do “status” a que eu tinha de padecer para quem não tinha os mesmos privilégios. Mas isso não constituía obstáculo quando a via despontar na curva da Rua dos Álamos, ou talvez fosse!   

quinta-feira, 9 de junho de 2016

JAPAN IN LISBON - FESTIVAL 2016


Eis o programa enviado pela Embaixada do Japão em Lisboa, convidando os portugueses para a  festa este ano no Parque das Nações e tudo completamente gratis.    

A PRAGA DOS 3 F's na ANTENA 1

Algumas décadas depois, voltou a praga dos 3 F's. Os orgão de informação e no caso da RDP-Antena 1 é um autentico enjoo. Quer se trate do Futebol, Fátima ou Fado, esta estação de rádio, resolveu brindar os seus ouvintes, massacrando-os diariamente com o futebol, relatos, noticiários e reportagens sem fim. Agora com o Euro 2016, é ver o histerismo dos seus locutores aos berros, alvo da chacota internacional e próprio do terceiro mundismo. É o nosso fado com programas de horas como que a "encher chouriços" para preencher tempo de antena. Doping para o povo? Anestesia? Quanto às cerimónias de Fátima, a "religionzice do costume", promessas do paraíso tudo com o dinheiro dos cidadãos, pois que gastar o que é dos outros, é facil...  

terça-feira, 7 de junho de 2016

O RECLAMO DA GAZCIDLA

Na época em que foi inaugurado, o dia 14 de Novembro de 1966, era o maior reclamo rotativo da Europa. Com a altura da chama de 11 metros, era visível até 6 km. As suas cores azuis vermelhas e laranja sobressaiam na noite no rochedo de S. José.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

A MENINA DO MAR

A MENINA DO MAR
SONHA COM CASTELOS DE AREIA,
SEREIAS E FARÓIS A PISCAR!

ENTÃO UM DIA, RESOLVEU SUBIR AO FAROL MAIS ALTO
QUERIA VER O OUTRO LADO DO MAR!
VIAJOU ANOS A FIO E QUANDO DEU CONTA, ESTAVA NO  MESMO LUGAR DE ONDE TINHA PARTIDO...

quinta-feira, 12 de maio de 2016

FEIRA DO LIVRO



Eis que chega a 42ª. edição da Feira do Livro do Funchal. Uma oportunidade de viajar através dos livros a preços mais reduzidos. Basta querer...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Á DESCOBERTA DO SHAMISEN

Apresentado ao público ontem no Museu do Oriente, a Conferência-Demonstração de Shamisen de Tsugaru, pelo artista japonês Kenichi Yoshida. Trata-se de um instrumento musical que tem as suas origens na China e que após algumas transformações foi introduzido no Japão. Para além da história e evolução ao longo dos tempos, permitiu ao público conhecer um pouco mais da cultura do País do Sol Nascente, com o patrocínio da embaixada nipónica.

https://youtu.be/MgN_xIHqLUA

quarta-feira, 13 de abril de 2016

PANAMA PAPERS EXPLICADO ÀS CRIANÇAS

OS PORQUINHOS MEALHEIROS
Digamos que guardou as suas poupanças num porquinho mealheiro numa prateleira do seu armário.
Mas a sua mãe continua a controlar quanto dinheiro põe e tira de lá e você não gosta disso.
Por isso arranja um segundo porquinho mealheiro…
… E leva-o para a casa do Joãozinho.
A mãe do Joãozinho, ao contrário da sua, está sempre ocupada, por isso não perde tempo a controlar porquinhos mealheiros.
Assim pode manter lá o seu em segredo, sem que ninguém o controle.
Outro miúdo lá da rua soube disto achou uma boa ideia e seguiu o seu exemplo.
E com ele todos os outros miúdos do bairro seguiram o imitaram.
Todos arranjaram um segundo porquinho mealheiro que guardaram no armário do Joãozinho.
Só que um dia a mãe do Joãozinho estava a fazer limpezas e descobriu todos os porquinhos mealheiros.
E ficou tão zangada que chamou os pais de todos os meninos do bairro,
para lhes dizer que os filhos escondiam lá os seus porquinhos mealheiros.
Pois bem, foi isto que aconteceu durante anos. Sendo que a sua mãe é as Finanças do país onde reside,
o Joãozinho é o Panamá e você e os miúdos do seu bairro são alguns dos políticos e personalidades de referência do nosso mundo.
A coisa fica ainda um pouco mais complexa.
Há quem tenha levado o dinheiro para a casa do Joãozinho apenas porque queria maior privacidade,
e também há quem tenha levado o porquinho mealheiro para a casa do Joãozinho porque o dinheiro
que lá metia era roubado a meninas escuteiras que vendiam bolos, e não queriam que os seus pais
lhes fizessem perguntas sobre onde conseguiam esse rendimento extra.
Há ainda meninos que escondiam dinheiro no armário do Joãozinho porque
esse dinheiro provinha dos bolsos das suas mães, logo não podia ficar em casa.
Seja como for todos os meninos que puseram dinheiro na casa do Joãozinho têm um problema nem mãos,
é que há uma regra unânime em todas as casas: não são permitidos mealheiros secretos e fora do controlo parental.
Agora resta esperar que a mãe do Joãozinho investigue com maior detalhe todas as atividades
que se passavam no armário do filho, de forma a que todos os meninos possam ter o castigo adequado.


terça-feira, 12 de abril de 2016

LA VALSE DES FLEURS


 
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Merci Solange pour votre amitié

Jacques Brel - La Valse a Mille Temps (1961)



La valse à mille temps
Jacques Brel
  

Au premier temps de la valse
Toute seule tu souris déjà
Au premier temps de la valse
Je suis seul mais je t'aperçois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Me murmure murmure tout bas

Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent ans
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au deuxième temps de la valse
On est deux tu es dans mes bras
Au deuxième temps de la valse
Nous comptons tous les deux une deux trois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Nous fredonne fredonne déjà

Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent temps
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au troisième temps de la valse
Nous valsons enfin tous les trois
Au troisième temps de la valse
Il y a toi y'a l'amour et y'a moi
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Laisse enfin éclater sa joie.

Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent ans
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

A ESTÓRIA DO JOÃOZINHO QUE QUERIA SER JACKIE CHAN



A estória do Joãozinho que queria ser Jackie Chan ou o Síndrome das lamparinas 

Joãozinho desde pequenino adorava ver filmes de cobóis. Sonhava com o Rancho Ponderosa e com a famosa família Bonanza. Mais tarde, ficava obcecado com as fitas de artes marciais de Bruce Lee. Adorava ver tudo à “bolachada”!
No colégio onde estudava, quando haviam zangas com seus companheiros, ameaçava-os com “chapadas” ou murros à Bud Spencer na cabeça dos colegas. Digamos que já tinha nos seus genes tendência para a violência. Depois, à medida que crescia em altura, nem sempre a sua mente acompanhava a evolução, nem a sua barriga que ia crescendo a olhos vistos.
Um dia, teve um convite para visitar Angola. Um amigalhaço do peito, pediu-lhe que viesse passar uns dias de férias, e como se fosse a velha canção do Bonga insistindo no refrão “Mariquinha vem comigo pra Angola”, ele teve o desejo de aceitar o convite. Divertiram-se muito, e comeram carne de palanca até mais não. No regresso, o excesso de peso e segundo se consta o velho problema que sempre o afligia de sofrer de flatulência, dizem que contribuiu para a queda da avioneta. No entanto, em abono da verdade nunca ficou devidamente comprovado!
Após uma temporada de convalescença, os amigos resolveram “plantá-lo num cargo camarário”. O problema é que da janela do seu fausto gabinete, a vista só alcançava a praça em frente, um pequeno largo quadrado com velhos prédios e, ao fim de certo tempo, começou a sentir um imenso tédio, uma sensação de aborrecimento, de desmotivação. E resolveu mudar de ares…
Certo dia, convidaram-no para ministro! Isso mesmo, ministro! Mas de quê?
- Vamos dar-te o pelouro da Cultura… Que achas?
Sentiu-se mais animado com o cargo, até por que gostava de ópera, frequentava o velho São Carlos ou o Teatro D. Maria, gostava de ler banda desenhada às escondidas e pensou para si mesmo que o que lhe convinha era mesmo os ares de Belém. Não eram os ares do Palácio de Belém, mas um pouco mais à frente os do CCB. Começou por pegar-se com o presidente e ameaça-lo a despedir-se. No entanto, o mesmo dizia que não se demitiria, o que originou um diálogo interessante entre ambos:
- Demita-se…!
– Não me demito!
- Ou se demite, ou terei de demiti-lo! Ponto final!
E foram tantas as vezes, tantos os atropelos que acabou por demitir o pobrezinho do Presidente do Centro Cultural de Belém. Entretanto, outra guerra surgia no horizonte. Dois jornalistas escreviam num velho pasquim folha de couve, acerca das capacidades do ministro para desempenhar o cargo. Caramba, agora que estava bem instalado e com vista para o mar, surge dois badamecos com insinuações baixas? Se os apanho, dou-lhes um par de bolachadas…

   A partir daí, eu próprio deixei de ter qualquer interesse em saír de casa. Meti baixa médica e passei os dias grudado à televisão, na espectativa de ver em rodapé ou uma interrupção de programação a notícia que o ministro tinha finalmente encontrado os ditos jornalistas e após um viril duelo de estaladas, por fim tinham chegado a vias de facto. Pura ilusão! Foi quando surgiu uma nuvem no horizonte e dos altos céus, o patrão de tudo isto, foi o primeiro a pedir desculpas por tão grave insolência. Quanto ao menino Joãozinho, foi para casa de castigo possivelmente ver mais uns “filmezecos”  do Jackie Chan made in Taiwan ou tratar da vidinha da Fundação.   

quinta-feira, 17 de março de 2016

ALÔ BRASIL? OI PORTUGAL!


Cartoon de HENRICARTOON.PT

Palavras para quê? O Planalto Central continua lindo........ Entre Dilma e Lula "apanhados em flagrante" nada muda! Como diz Ivan Lins "Este triste Brasil" continua feliz. A corrupção há é hereditária e contagiosa, pois sofremos da mesma doença.  

terça-feira, 1 de março de 2016

LACA JAPONESA - PROF. YUTARO SHIMODE

Uma boa oportunidade para conhecer este tipo de arte milenar japonesa e ainda por cima gratuitamente...

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

DUAS LINHAS PARALELAS - JOSÉ FANHA



Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.

Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.


Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra linha
sorriu-lhe assim:


“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim...”
Diz a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”


Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas
fica uma estória banal
com linhas e entrelinhas
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente. 

José FANHA - Escritor e poeta português 
que muito admiro ao longo destes anos  

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

LORCA


A las cinco de la tarde. 
Eran las cinco en punto de la tarde. 
Un niño trajo la blanca sábana 
a las cinco de la tarde. 
Una espuerta de cal ya prevenida 
a las cinco de la tarde. 
Lo demás era muerte y sólo muerte 
a las cinco de la tarde. 

El viento se llevó los algodones 
a las cinco de la tarde. 
Y el óxido sembró cristal y níquel 
a las cinco de la tarde. 
Ya luchan la paloma y el leopardo 
a las cinco de la tarde. 
Y un muslo con un asta desolada 
a las cinco de la tarde. 
Comenzaron los sones de bordón 
a las cinco de la tarde. 
Las campanas de arsénico y el humo 
a las cinco de la tarde. 
En las esquinas grupos de silencio 
a las cinco de la tarde. 
¡Y el toro solo corazón arriba! 
a las cinco de la tarde. 
Cuando el sudor de nieve fue llegando 
a las cinco de la tarde 
cuando la plaza se cubrió de yodo 
a las cinco de la tarde, 
la muerte puso huevos en la herida 
a las cinco de la tarde. 
A las cinco de la tarde. 
A las cinco en Punto de la tarde. 

Un ataúd con ruedas es la cama 
a las cinco de la tarde. 
Huesos y flautas suenan en su oído 
a las cinco de la tarde. 
El toro ya mugía por su frente 
a las cinco de la tarde. 
El cuarto se irisaba de agonía 
a las cinco de la tarde. 
A lo lejos ya viene la gangrena 
a las cinco de la tarde. 
Trompa de lirio por las verdes ingles 
a las cinco de la tarde. 
Las heridas quemaban como soles 
a las cinco de la tarde, 
y el gentío rompía las ventanas 
a las cinco de la tarde. 
A las cinco de la tarde. 
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde! 
¡Eran las cinco en todos los relojes! 
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!
FEDERICO GARCIA LORCA - POETA DE ANDALUZIA, POETA DE ESPANHA, POETA DO MUNDO  

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PIRATAS E PIRATARIA

PIRATAS  E PIRATARIA


O fenómeno é cada vez mais recorrente nos nossos dias. Pessoas sem escrúpulos vão à net e sacam tudo o que podem e lhes interessa, e por vezes identificam fotos e textos como sendo seus. É fantástico a lata desses aficionados! Pela parte que me toca, e não querendo ser como D. Quixote que lutava contra moinhos em prol da sua Dulcineia, mas também não vestindo o papel de Sancho, opto pela não divulgação de artigos que possam ser alvo dos tais piratas modernos, “chicos espertos”, e “doutores do cópia e cola”, com um Q.I. baixo se limitam a rastejar na miséria intelectual.  Chegam ao ponto de as próprias fotografias de índole mais pessoal, serem “sacadas e postadas”, de qualquer maneira na blogosfera. É contra esses piratinhas autênticos “filhos da pera” que os aconselho a mudarem de canal. O mundo é tão grande e tão vasto, para quê consultar os meus blogues ou sites?     

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ESTAÇÕES - GRAÇA GRAÚNA

Estações
O terraço da casa da velha senhora
parecia uma estação de primavera.
Faz tanto tempo...!

Cadeiras de balanço
barcos de papel, velocípedes
jarros de cacto e jasmins
encantos aos pares:
quantos sóis, quantas luas
e um punhado de estrelas.
Coisas da vida
que iluminam a alma
para manter o equilíbrio do planeta.

“...tempo de verão fazia poeira...”
os sonhos se multiplicaram
e o flamboiã ganhou tamanho
igual ao pé de feijão
(quase tocando o céu)
em meio a uma infinda
ciranda de fantasias.

Brotava uma luz
no rosto da velha senhora.
Agora,
as folhas de outono
cobrem o terraço de silêncio.

- Graça Graúna.'Estações'. em "Terra latina: antologia internacional". (org.). Zeni Brasil. Curitiba/PR: Editora Abrali, 2005, p.124.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O VINTÉM DAS ESCOLAS

Gosto muito desta fotografia "pintada" sobre o "Vintém das Escolas". Trata-se de um passeio ao Monte, onde crianças mais desfavorecidas tinham oportunidade, de estudar e de conviver. Existe um trabalho publicado do historiador madeirense Nelson Verríssimo com muita qualidade, digno de ser lido por todos os madeirenses interessados na cultura da sua terra.    

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

LAVRA LÍRICA - Eulália Maria Radtke

Se a escola veio gritar,
exorcismar e "traumatar"
toda espécie de inocência
que eu tentava recriar caudalosamente,
também revelou-me
a valorização dos gestos
e compreender os livros.

- Acabo de revelar uma estranha embriaguez, espécie de orgasmo das criaturas unidas ao seu destino.

E sob um vento suão,
às quinze horas da adolescência,
percebi a antiguidade das pedras
tropeçadas no jardim.

Experimentei unir-me ao divino
sob todas as formas.

Amei a conspiração dos deuses
entre a pele e o sangue
de vestir o coração,
muito perto da terra
e escrevi na carne a vertigem
de toda a humana loucura.

E enquanto criáva-se no Brasil
a "Arte da Resistência"
sob o domínio das fardas,
Maria Bethânia gritava " Carcará, pega mata e come!",

Aleksei Leonov tornava-se
o primeiro homem
a sair de uma nave espacial
e todos queriam ser personagens
de Fellini,

às quinze horas da adolescência
fui buscar palavras inteiras
nas bocas dos adultos.
Reuni e repeti a todos sem compreendê-las.

Às quinze horas
da adolescência,
desenhei no barro alguns
moldes
que se transformaram
em versos,
depois lambi os dedos
para ver o gosto.

Às quinze horas,
era a palavra
eu
e o arado do coração
preparando a chão do poema.- Eulália Maria Radtke, em "Lavra Lírica". 
Blumenau SC: Editora Cultura em Movimento, 2000.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

5 ANOS TEMPLO CULTURAL DELFOS

A comemorar 5 anos de publicações em nome da cultura, este site merece uma visita pormenorizada a bem da "mente sana". Aproveite e disfrute!

Templo Cultural Delfos





Posted: 26 Jan 2016 01:14 PM PST
Sibyls Erythraea (Sistine Chapel), 
by Michelangelo
Uma vitória, muitos aprendizados e vários desafios!

O site Templo Cultural Delfos (TCD), editado por Elfi Kürten Fenske e Gabriela Fenske, completa hoje – 21.1.2016 – cinco anos com a marca de 1,6 MILHÃO visitantes. 


Até o momento foram publicados 127 autores nacionais e 40 autores estrangeiros (com biografias, bibliografias, fortunas críticas, obras e afins); 16 entrevistas e 29 páginas temáticas.


Muito do que não é publicado por aqui nossos amigos e leitores podem acompanhar através das nossas páginas nas redes sociais. Veja aqui a nossa rede


São cinco anos de estrada difundindo e valorizando nosso patrimônio cultural com respeito e responsabilidade. Cada momento dedicado a isso foi extremamente prazeroso e de muita valia para nós. Seguiremos assim, aprendendo e compartilhando, pois a vida se torna mais leve e mais bela desse modo, ademais, assim vamos desconstruindo a ideia de que não há quem valorize e busque conhecer nossa cultura, nossos artistas, músicos e escritores.

Há muito a aprender, conhecer e, não menos importante, há muito a ser partilhado.

Gostaríamos de agradecer a cada um de vocês que incentivaram, criticaram e compartilharam o nosso conteúdo com os familiares, amigos e colegas.

Continuem conosco nessa jornada!



"Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa."- João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas.

Licença de uso: O conteúdo deste site, vedado ao seu uso comercial, poderá ser reproduzido desde que citada a fonte, excetuando os casos especificados em contrário. 
Direitos Reservados © 2016 Templo Cultural Delfos

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ESCREVER É ESQUECER

"Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso."
- Fernando Pessoa, no "Livro do Desassossego".