terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

DUAS LINHAS PARALELAS - JOSÉ FANHA



Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.

Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.


Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra linha
sorriu-lhe assim:


“Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim...”
Diz a outra: “Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
Se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!”


Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.

E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.

Assim nestas poucas linhas
fica uma estória banal
com linhas e entrelinhas
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente. 

José FANHA - Escritor e poeta português 
que muito admiro ao longo destes anos  

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

LORCA


A las cinco de la tarde. 
Eran las cinco en punto de la tarde. 
Un niño trajo la blanca sábana 
a las cinco de la tarde. 
Una espuerta de cal ya prevenida 
a las cinco de la tarde. 
Lo demás era muerte y sólo muerte 
a las cinco de la tarde. 

El viento se llevó los algodones 
a las cinco de la tarde. 
Y el óxido sembró cristal y níquel 
a las cinco de la tarde. 
Ya luchan la paloma y el leopardo 
a las cinco de la tarde. 
Y un muslo con un asta desolada 
a las cinco de la tarde. 
Comenzaron los sones de bordón 
a las cinco de la tarde. 
Las campanas de arsénico y el humo 
a las cinco de la tarde. 
En las esquinas grupos de silencio 
a las cinco de la tarde. 
¡Y el toro solo corazón arriba! 
a las cinco de la tarde. 
Cuando el sudor de nieve fue llegando 
a las cinco de la tarde 
cuando la plaza se cubrió de yodo 
a las cinco de la tarde, 
la muerte puso huevos en la herida 
a las cinco de la tarde. 
A las cinco de la tarde. 
A las cinco en Punto de la tarde. 

Un ataúd con ruedas es la cama 
a las cinco de la tarde. 
Huesos y flautas suenan en su oído 
a las cinco de la tarde. 
El toro ya mugía por su frente 
a las cinco de la tarde. 
El cuarto se irisaba de agonía 
a las cinco de la tarde. 
A lo lejos ya viene la gangrena 
a las cinco de la tarde. 
Trompa de lirio por las verdes ingles 
a las cinco de la tarde. 
Las heridas quemaban como soles 
a las cinco de la tarde, 
y el gentío rompía las ventanas 
a las cinco de la tarde. 
A las cinco de la tarde. 
¡Ay, qué terribles cinco de la tarde! 
¡Eran las cinco en todos los relojes! 
¡Eran las cinco en sombra de la tarde!
FEDERICO GARCIA LORCA - POETA DE ANDALUZIA, POETA DE ESPANHA, POETA DO MUNDO  

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PIRATAS E PIRATARIA

PIRATAS  E PIRATARIA


O fenómeno é cada vez mais recorrente nos nossos dias. Pessoas sem escrúpulos vão à net e sacam tudo o que podem e lhes interessa, e por vezes identificam fotos e textos como sendo seus. É fantástico a lata desses aficionados! Pela parte que me toca, e não querendo ser como D. Quixote que lutava contra moinhos em prol da sua Dulcineia, mas também não vestindo o papel de Sancho, opto pela não divulgação de artigos que possam ser alvo dos tais piratas modernos, “chicos espertos”, e “doutores do cópia e cola”, com um Q.I. baixo se limitam a rastejar na miséria intelectual.  Chegam ao ponto de as próprias fotografias de índole mais pessoal, serem “sacadas e postadas”, de qualquer maneira na blogosfera. É contra esses piratinhas autênticos “filhos da pera” que os aconselho a mudarem de canal. O mundo é tão grande e tão vasto, para quê consultar os meus blogues ou sites?     

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

ESTAÇÕES - GRAÇA GRAÚNA

Estações
O terraço da casa da velha senhora
parecia uma estação de primavera.
Faz tanto tempo...!

Cadeiras de balanço
barcos de papel, velocípedes
jarros de cacto e jasmins
encantos aos pares:
quantos sóis, quantas luas
e um punhado de estrelas.
Coisas da vida
que iluminam a alma
para manter o equilíbrio do planeta.

“...tempo de verão fazia poeira...”
os sonhos se multiplicaram
e o flamboiã ganhou tamanho
igual ao pé de feijão
(quase tocando o céu)
em meio a uma infinda
ciranda de fantasias.

Brotava uma luz
no rosto da velha senhora.
Agora,
as folhas de outono
cobrem o terraço de silêncio.

- Graça Graúna.'Estações'. em "Terra latina: antologia internacional". (org.). Zeni Brasil. Curitiba/PR: Editora Abrali, 2005, p.124.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O VINTÉM DAS ESCOLAS

Gosto muito desta fotografia "pintada" sobre o "Vintém das Escolas". Trata-se de um passeio ao Monte, onde crianças mais desfavorecidas tinham oportunidade, de estudar e de conviver. Existe um trabalho publicado do historiador madeirense Nelson Verríssimo com muita qualidade, digno de ser lido por todos os madeirenses interessados na cultura da sua terra.