segunda-feira, 18 de abril de 2016

Á DESCOBERTA DO SHAMISEN

Apresentado ao público ontem no Museu do Oriente, a Conferência-Demonstração de Shamisen de Tsugaru, pelo artista japonês Kenichi Yoshida. Trata-se de um instrumento musical que tem as suas origens na China e que após algumas transformações foi introduzido no Japão. Para além da história e evolução ao longo dos tempos, permitiu ao público conhecer um pouco mais da cultura do País do Sol Nascente, com o patrocínio da embaixada nipónica.

https://youtu.be/MgN_xIHqLUA

quarta-feira, 13 de abril de 2016

PANAMA PAPERS EXPLICADO ÀS CRIANÇAS

OS PORQUINHOS MEALHEIROS
Digamos que guardou as suas poupanças num porquinho mealheiro numa prateleira do seu armário.
Mas a sua mãe continua a controlar quanto dinheiro põe e tira de lá e você não gosta disso.
Por isso arranja um segundo porquinho mealheiro…
… E leva-o para a casa do Joãozinho.
A mãe do Joãozinho, ao contrário da sua, está sempre ocupada, por isso não perde tempo a controlar porquinhos mealheiros.
Assim pode manter lá o seu em segredo, sem que ninguém o controle.
Outro miúdo lá da rua soube disto achou uma boa ideia e seguiu o seu exemplo.
E com ele todos os outros miúdos do bairro seguiram o imitaram.
Todos arranjaram um segundo porquinho mealheiro que guardaram no armário do Joãozinho.
Só que um dia a mãe do Joãozinho estava a fazer limpezas e descobriu todos os porquinhos mealheiros.
E ficou tão zangada que chamou os pais de todos os meninos do bairro,
para lhes dizer que os filhos escondiam lá os seus porquinhos mealheiros.
Pois bem, foi isto que aconteceu durante anos. Sendo que a sua mãe é as Finanças do país onde reside,
o Joãozinho é o Panamá e você e os miúdos do seu bairro são alguns dos políticos e personalidades de referência do nosso mundo.
A coisa fica ainda um pouco mais complexa.
Há quem tenha levado o dinheiro para a casa do Joãozinho apenas porque queria maior privacidade,
e também há quem tenha levado o porquinho mealheiro para a casa do Joãozinho porque o dinheiro
que lá metia era roubado a meninas escuteiras que vendiam bolos, e não queriam que os seus pais
lhes fizessem perguntas sobre onde conseguiam esse rendimento extra.
Há ainda meninos que escondiam dinheiro no armário do Joãozinho porque
esse dinheiro provinha dos bolsos das suas mães, logo não podia ficar em casa.
Seja como for todos os meninos que puseram dinheiro na casa do Joãozinho têm um problema nem mãos,
é que há uma regra unânime em todas as casas: não são permitidos mealheiros secretos e fora do controlo parental.
Agora resta esperar que a mãe do Joãozinho investigue com maior detalhe todas as atividades
que se passavam no armário do filho, de forma a que todos os meninos possam ter o castigo adequado.


terça-feira, 12 de abril de 2016

LA VALSE DES FLEURS


 
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Merci Solange pour votre amitié

Jacques Brel - La Valse a Mille Temps (1961)



La valse à mille temps
Jacques Brel
  

Au premier temps de la valse
Toute seule tu souris déjà
Au premier temps de la valse
Je suis seul mais je t'aperçois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Me murmure murmure tout bas

Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent ans
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au deuxième temps de la valse
On est deux tu es dans mes bras
Au deuxième temps de la valse
Nous comptons tous les deux une deux trois
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Nous fredonne fredonne déjà

Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent temps
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

Au troisième temps de la valse
Nous valsons enfin tous les trois
Au troisième temps de la valse
Il y a toi y'a l'amour et y'a moi
Et Paris qui bat la mesure
Paris qui mesure notre émoi
Et Paris qui bat la mesure
Laisse enfin éclater sa joie.

Une valse à trois temps
Qui s'offre encore le temps
Qui s'offre encore le temps
De s'offrir des détours
Du côté de l'amour
Comme c'est charmant
Une valse à quatre temps
C'est beaucoup moins dansant
C'est beaucoup moins dansant
Mais tout aussi charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à quatre temps
Une valse à vingt ans
C'est beaucoup plus troublant
C'est beaucoup plus troublant
Mais beaucoup plus charmant
Qu'une valse à trois temps
Une valse à vingt ans
Une valse à cent temps
Une valse à cent ans
Une valse ça s'entend
A chaque carrefour
Dans Paris que l'amour
Rafraîchit au printemps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse a mis le temps
De patienter vingt ans
Pour que tu aies vingt ans
Et pour que j'aie vingt ans
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Une valse à mille temps
Offre seule aux amants
Trois cent trente-trois fois le temps
De bâtir un roman

A ESTÓRIA DO JOÃOZINHO QUE QUERIA SER JACKIE CHAN



A estória do Joãozinho que queria ser Jackie Chan ou o Síndrome das lamparinas 

Joãozinho desde pequenino adorava ver filmes de cobóis. Sonhava com o Rancho Ponderosa e com a famosa família Bonanza. Mais tarde, ficava obcecado com as fitas de artes marciais de Bruce Lee. Adorava ver tudo à “bolachada”!
No colégio onde estudava, quando haviam zangas com seus companheiros, ameaçava-os com “chapadas” ou murros à Bud Spencer na cabeça dos colegas. Digamos que já tinha nos seus genes tendência para a violência. Depois, à medida que crescia em altura, nem sempre a sua mente acompanhava a evolução, nem a sua barriga que ia crescendo a olhos vistos.
Um dia, teve um convite para visitar Angola. Um amigalhaço do peito, pediu-lhe que viesse passar uns dias de férias, e como se fosse a velha canção do Bonga insistindo no refrão “Mariquinha vem comigo pra Angola”, ele teve o desejo de aceitar o convite. Divertiram-se muito, e comeram carne de palanca até mais não. No regresso, o excesso de peso e segundo se consta o velho problema que sempre o afligia de sofrer de flatulência, dizem que contribuiu para a queda da avioneta. No entanto, em abono da verdade nunca ficou devidamente comprovado!
Após uma temporada de convalescença, os amigos resolveram “plantá-lo num cargo camarário”. O problema é que da janela do seu fausto gabinete, a vista só alcançava a praça em frente, um pequeno largo quadrado com velhos prédios e, ao fim de certo tempo, começou a sentir um imenso tédio, uma sensação de aborrecimento, de desmotivação. E resolveu mudar de ares…
Certo dia, convidaram-no para ministro! Isso mesmo, ministro! Mas de quê?
- Vamos dar-te o pelouro da Cultura… Que achas?
Sentiu-se mais animado com o cargo, até por que gostava de ópera, frequentava o velho São Carlos ou o Teatro D. Maria, gostava de ler banda desenhada às escondidas e pensou para si mesmo que o que lhe convinha era mesmo os ares de Belém. Não eram os ares do Palácio de Belém, mas um pouco mais à frente os do CCB. Começou por pegar-se com o presidente e ameaça-lo a despedir-se. No entanto, o mesmo dizia que não se demitiria, o que originou um diálogo interessante entre ambos:
- Demita-se…!
– Não me demito!
- Ou se demite, ou terei de demiti-lo! Ponto final!
E foram tantas as vezes, tantos os atropelos que acabou por demitir o pobrezinho do Presidente do Centro Cultural de Belém. Entretanto, outra guerra surgia no horizonte. Dois jornalistas escreviam num velho pasquim folha de couve, acerca das capacidades do ministro para desempenhar o cargo. Caramba, agora que estava bem instalado e com vista para o mar, surge dois badamecos com insinuações baixas? Se os apanho, dou-lhes um par de bolachadas…

   A partir daí, eu próprio deixei de ter qualquer interesse em saír de casa. Meti baixa médica e passei os dias grudado à televisão, na espectativa de ver em rodapé ou uma interrupção de programação a notícia que o ministro tinha finalmente encontrado os ditos jornalistas e após um viril duelo de estaladas, por fim tinham chegado a vias de facto. Pura ilusão! Foi quando surgiu uma nuvem no horizonte e dos altos céus, o patrão de tudo isto, foi o primeiro a pedir desculpas por tão grave insolência. Quanto ao menino Joãozinho, foi para casa de castigo possivelmente ver mais uns “filmezecos”  do Jackie Chan made in Taiwan ou tratar da vidinha da Fundação.