quarta-feira, 10 de maio de 2017

A ÚLTIMA CRÓNICA DE BATISTA-BASTOS

Desde tenra idade que tive uma predileção pelo jornalismo. Comecei a ler através dos jornais e apesar de ser incompreensível com os meus sete anos, o conflito do Vietnam, os soldados Vietcong, o Mercado Comum, etc., o certo é que a curiosidade pelas fotos da primeira página do tabloide do Diário de Noticias da Madeira aos Domingos, faziam com que logo pela manhã espreitasse "as últimas" do Mundo. Depois fui descobrindo a "Vida Mundial" e as histórias sobre politica, as imensas fotos do Maio de '68, a França gaulista em agonia, a sabedoria de Natália Correia. Mais tarde, apaixonei-me com as crónicas de Augusto Abelaira no D.N. de Lisboa, onde não perdia pitada do que escrevia. Li quase toda a obra de Erico Veríssimo, e passei para os clássicos brasileiros desde Machado de Assim a José de Alencar. Devorei Jorge Amado e a sua Bahia de Todos os Santos, idolatrei Zélia Gattai e ela retribuiu-me com toda a sua obra autografada. Escrevi pequenos poemas, textos para a página do D.N. Jovem nos anos 80' e ficava sempre alerta para o que escrevia BB ou seja Batista-Bastos. Sempre tive uma especial simpatia pelas suas crónicas alfacinhas, as suas histórias de amor em final de tarde de Verão à beira-Tejo, histórias de todas as cidades grandes, desprovidas de amizade, de silêncios e de afecto. Tudo é superficial, plastificado, incaracterístico, inanimado. Bastista-Bastos tinha o dom de nos despertar para o outro lado da vida, com a sua beleza em cada rosto que passa na rua, que no silêncio dos parapeitos das janelas falam sem fim. A pequena revista do Montepio que recebo na caixa do correio, trazia sempre uma história, uma crónica escrita pela sua pena, imperdível, comovente como só BB sentia. Já tenho saudade da sua presença!    

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