segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

CHANSONS

Domingo à noite! Trabalhos de última hora. Enquanto em rebuscava no caderno escolar, as contas a apresentar no início da semana, minha mãe escrevia sem fim à vista, resumos familiares, estudos e mais estudos sócio-económicos de pessoas carenciadas. A telefonia, essa com as suas cores verdes, onde mostrava as diversas estações e cidades do mundo, despejava música de outras paragens, de outras linguas. Se era certo que pelas 11 horas, a Emissora Nacional em Lisboa apresentava o "Sol e Touros" um programa dedicado à afición tauromática, era certo e sabido que ela mudava de estação. Não lhe interessava nada as noticias das corridas de touros, optando por estações francesas.
Eu andava de roda da última lição de francês, e começava a arranhar pequenas frases e vocabulário. Era quando tentava descobrir o significado das letras, o trautear de pequenos versos, o imitar de "Nathalie" de Aznavour!
- "La Place Rouge etait blanche... Nathalieee...
Baixinho, não vá Nathalie ouvir! A melodia só era interrompida quando ela me perguntava :
- Então? A lição está estudada? - Eu engolia em seco e ficava a soletrar no meu pensamento:
- La Place Rouge etait blanche... Nathalieeee ......

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

CARTAZES DO CINE JARDIM

A carrinha WW "pão de forma" percorria as artérias funchalenses anunciando os futuros filmes do Cine-Jardim. Os mais curiosos, arregalavam os olhos para os cartazes suspensos no tejadilho da viatura. Ao lado, outro carro publicitava a Escola de Condução Progresso, enquanto um carro de bois se desloca no Largo do Pelourinho. A pedra negra de bazalto não se gastava com o tempo, agora coberta de alcatrão betuminoso. O tempo alcançava-se...  

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

AS CORES DAS HIGHLANDS

AS CORES DAS HIGHLANDS


O programa era da National Geographic. Imagens das Terras Altas da Escócia, nas diversas épocas do ano. Os campos dourados, as montanhas banhadas pelo Sol, a casa rural na charneca onde um agricultor colhia cereais. Confesso que fiquei fascinado pelos tons quentes do fim de estação estival. Veio então à minha memória que aqueles eram precisamente os mesmos dourados dos teus cabelos, ondinhas e ondinhas sem fim, a tua face salpicada de milhentas sardas sardas, pintinhas que eu dizia serem feitas de beijinhos. Recordei então que me falavas tinham vindo em veleiros ao sabor das correntes, em busca de outras terras, quando a nave encalhou numa qualquer praia de areias negras, e por cá ficaram alguns séculos, vivendo com a saudade das Higlands, aroma de whiskies amadurecidos e kilts de cores quentes. Fiquei a imaginar que os dourados dos teus cabelos eram prolongamentos dos mesmos campos que eu via, que a charneca onde o gado pastava e os altos rochedos  banhados pelo astro rei e lá estavam as ondinhas e ondinhas dos campos de rito batidos pelo vento espraiando-se no infinito. E eu recordava-me de ti e do teu sorriso viajando pelos campos da Escócia, embalado em histórias de monstros no Loch Ness.   
IN MEMORIAM MATER

terça-feira, 28 de junho de 2016

O AZUL DOS JACARANDÁS EM LISBOA

Este ano floriram um pouco mais tarde, quase Junho. Depois, foi um deslumbre de cor em algumas ruas de Lisboa a lembrar outras terras e climas mais a Sul do Trópico de Capricórnio.
Foto na zona da Expo
CAM

A FESTA DO JAPÃO EM LISBOA/2016



segunda-feira, 20 de junho de 2016

OVOS AO SOM DOS BEATLES

Abandonou a cidade, a confusão e o stress do dia a dia. Instalou-se numa velha casa de campo com alguns ectares de terreno e decidiu-se por cultivar aquilo que fazia falta. Começou pela pequena horta e no fundo construiu um pequeno galinheiro. Após vários convites para visitar a "pequena propriedade", acedi num fim de semana dar uma espiadela para fazermos um almoço entre colegas. Após fazer uma visita às diversas áreas e de me convencer de que este era o caminho que sempre sonhara, acabou por levar-me ao pequeno galinheiro. Seriam talvez uma dúzia de galinhas cacarejando e espreitando a rede metálica, mas o que me chamou a atenção era uma pequena aparelhagem com gravador de cassetes de onde saía um som facilmente reconhecível. Pareceu-me ouvir uma melodia dos Beatles que vinha dos fundos do dito galinheiro. Então acabou por explicar que andava a fazer uma experiência em que as suas galinhas poedeiras, eram mais felizes e consequentemente poriam mais ovos se ouvissem música. Fiquei atónito, embora soubesse de experiências relacionadas com flores que sentiam atraídas pelos sons. Galinhas? Não sei!... Mas ia complementando as minhas questões sobre as suas galinhas e o sucesso de ao ouvirem músíca poriam muito mais ovos. Lembrei-me então de uma velha canção do referido grupo britânico com o título "Good Morning" do albúm S. Paper que começava com o som estridente de um galo e do alvoroço que poderia causar no dito galinheiro. Só vendo para crer!